Conseleite RS vê estabilidade no preço do leite em abril; Farsul e Fetag discordam

Foto: Pixabay License

O Conseleite RS divulgou, nesta terça-feira (27), o valor de referência do leite para abril no estado, projetado em R$ 1,4330. O indexador para este mês do período de entressafra representa elevação de 0,85% em relação ao consolidado de março (R$ 1,4209). No entanto, a Fetag e Farsul se abstiveram de validar os números, coletados nos primeiros 10 dias de abril, argumentando que eles estão desatualizados. Em nota, a Fetag diz que os dados não refletem a realidade do campo do Rio Grande do Sul e adianta que só voltará a validá-los quando forem atualizados.    

Segundo o professor Eduardo Finamore, da UPF (Universidade de Passo Fundo), o primeiro quadrimestre de 2021 indica estabilidade do valor de referência, com índices um pouco acima dos praticados em 2020 por causa da inflação. Descontando o IPCA do período, os indicadores estão abaixo dos patamares praticados em 2020. “Em 2020, os preços tiveram elevação impulsionados pela pandemia e pela alta dos custos de produção”, assinalou Finamore, conforme nota do Conseleite RS.

O coordenador do Conseleite, Alexandre Guerra, indicou que, diferentemente do movimento tradicional de alta característico deste período do ano, o cenário é de equilíbrio. “Tínhamos a expectativa de que o mercado desse uma reagida, mas não é o que está acontecendo. Estamos com retração puxada pelo cenário nacional que vem do centro do Brasil.” De acordo com ele, há registro de alta de custos expressiva no setor industrial, com variações de 35% a mais de 100% dependendo do item em apenas um ano.

Durante a reunião, Farsul e Fetag manifestaram-se pela urgência na atualização dos custos de produção utilizados para cálculo no Conseleite. O presidente da Fetag, Carlos Joel da Silva, alertou que os parâmetros utilizados pelo Conseleite são de 2016. Por isso, Farsul e Fetag abstiveram-se de validar os dados do Conseleite de abril, que foram aprovados por maioria no colegiado.

O professor Marco Antonio Montoya, também da UPF, informou que a equipe técnica que atua nos indexadores está trabalhando em uma revisão e que os novos parâmetros serão implementados nos dados a serem apresentados na reunião de maio. Os novos custos remontam ao ano de 2019, o que exige o início imediato de mais uma revisão. Segundo Guerra, o trabalho deve começar já na sequência com previsão de atualização para breve.

“A desatualização destes dados faz com que o preço de referência do Rio Grande do Sul fique cada vez menor daquele que realmente é praticado no campo e mais distante dos preços de referência divulgados pelos Conseleites de Santa Catarina e do Paraná”, pontua em nota a Fetag. “Mesmo que não haja obrigação legal das indústrias em cumprir o preço estabelecido no Conselho, a defasagem causa confusão, passando a impressão que todos os meses as indústrias pagam ao produtor um valor maior do que é divulgado.”

Leia, abaixo, a íntegra da nota da Fetag:

“NOTA DA FETAG-RS SOBRE O CONSELEITE-RS

A Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul – FETAG-RS, vem a público externar a todos os produtores de leite, os motivos pelo qual se posicionou contrária à divulgação do preço de referência do litro de leite pelo Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Estado do Rio Grande do Sul (CONSELEITE-RS) em abril, que serve de parâmetro ao preço pago aos produtores pelo leite entregue no corrente mês.

As instituições representativas dos produtores que compõem o CONSELEITE-RS há pelo menos um ano vêm propondo a atualização dos custos de produção, tanto do elo produtor como do elo industrial, dois fatores importantíssimos para o resultado mensal do preço de referência do leite. Imbuídos em cada vez mais melhorar a projeção e os dados divulgados pelo CONSELEITE-RS, o trabalho de atualização dos produtores foi concluído em meados do segundo semestre de 2020 e, desde então, espanta a irresponsabilidade e o desinteresse das indústrias participantes do Conselho em atualizar os seus custos. Poucas destas estão contribuindo e ainda assim de forma extremamente demorada. Fatos que impedem a conclusão total do trabalho.

A desatualização destes dados faz com que o preço de referência do Rio Grande do Sul fique cada vez menor daquele que realmente é praticado no campo e mais distante dos preços de referência divulgados pelos CONSELEITES de Santa Catarina e do Paraná. Mesmo que não haja obrigação legal das indústrias em cumprir o preço estabelecido no Conselho, a defasagem causa confusão, passando a impressão que todos os meses as indústrias pagam ao produtor um valor maior do que é divulgado.

A decisão da FETAG-RS em se posicionar contrária a divulgação do preço de referência do CONSELEITE-RS segue não apenas no mês de abril, mas também nos próximos meses que virão, até o momento em que os custos de produção sejam atualizados e condizentes com o que ocorre na prática, nas propriedades e na atividade diária dos produtores do estado do Rio Grande do Sul. A posição fundamenta-se em todos os produtores que mais uma vez enxergam suas margens de lucro esvair-se frente ao altíssimo custo da ração, dos fertilizantes, dos combustíveis, dos equipamentos e materiais de plástico e borracha essenciais para o processo produtivo.

É importante ressaltar que o CONSELEITE-RS é um fórum essencial de discussão e organização de toda a cadeia produtiva no estado do Rio Grande do Sul. A FETAG-RS é uma das instituições fundadoras do conselho gaúcho, este que reúne-se mensalmente desde o ano de 2006. A metodologia utilizada para o cálculo do preço de referência mensal é tecnicamente adequada e conta com o qualificado apoio da academia e de uma Câmara Técnica do próprio conselho. Portanto, é necessário que todas as instituições que o compõe estejam comprometidas com o fortalecimento do setor, com a manutenção dos produtores de leite, com a rentabilidade e com a qualidade de vida das famílias.”

 

AGROemDIA

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