Esperança por melhorias dá lugar à descrença entre produtores de leite

Produtor de leite Rafael Hermann está frustrado com a falta de respostas às reivindicações do setor – Foto: Arquivo AGROemDIA

Da redação//AGROemDIA

Pelo menos neste momento, o Ministério da Agricultura não cogita incluir o financiamento do milho silagem e das pastagens, com seguro rural, no Plano Safra 2021/22, informou uma fonte ao AGROemDIA. Há mais de um mês, representantes da base produtora do setor leiteiro encaminharam esse pedido à ministra Tereza Cristina, mas até agora não obtiveram resposta. Os próprios produtores de leite já não esperam ser atendidos pelo governo. Entre alguns deles, a esperança está dando lugar à descrença.

A fonte ouvida pelo AGROemDIA lembrou que já há custeio para o milho com seguro rural. Segundo ele, isso inclui toda a cultura, e não especificamente a silagem. As seguradoras, assinalou, não consideram a operação viável. A possibilidade de seguro para pastagens também é descartada: “Não está no script [do Plano Safra 2020/22]”.

“Se não atenderem a gente, a descrença do setor no governo, que já é grande, vai ser ainda maior”, enfatizou o produtor Rafael Hermann, do município gaúcho Boa Vista do Cadeado e um dos líderes do base produtora reunida nos movimentos Construindo Leite Brasil, Inconfidência Leiteira, Aliança e Ação, União e Ação e Aproleite/GO.

Rafael recordou que ele próprio enviou o pedido, em nome da base produtora, à ministra Tereza Cristina. “Ela nos atende, já se reuniu com a gente algumas vezes, mas não há avanços nas nossas reivindicações”, lamentou. “Acho que neste governo não haverá nada que ajude efetivamente o setor leiteiro, o que está causando enorme frustração.”

O produtor assinalou que as reivindicações já foram entregues até para o presidente Bolsonaro, durante visita ao Rio Grande do Sul, por ele e outros dois coordenadores do Construindo Leite Brasil: Joel Dalcin e Leonel Fonseca. “Todos sabem da situação de dificuldade do setor de leite, mas ainda não tomaram medidas para apoiar a gente.”

De acordo com Rafael, a situação da cadeia leiteira vem se agravando há pelo menos quatro anos e agora chegou num momento crítico, por causa da alta dos custos de produção, em razão da valorização do dólar e das importações de lácteos de países do Mercosul.

Abandono da atividade

“Todo dia tem produtor vendendo vacas para abate em frigoríficos, ou seja, perdendo as matrizes. Toda semana tem produtor abandonando a atividade leiteira, o que é ruim para a economia dos municípios, porque perdem arrecadação e vêm aumentar os problemas sociais.”

Ainda conforme Rafael, os produtores querem uma política nacional para a cadeia leiteira que incentive cada vez mais a melhoria da qualidade do produto, o aumento da produção e uma relação mais equilibrada com os laticínios, com valorização do setor primário. “Mas acho que isso está muito longe de acontecer.”

O produtor Marco Sérgio, presidente da Aproleite/GO e um dos líderes dos movimentos Aliança e Ação e União e Ação, também reforçou que não há avanços nas pautas enviadas ao Ministério da Agricultura. “Tanto que ainda não conseguimos ter participação da base produtora na Câmara Setorial do Leite e Derivados nem ver nossas sugestões incluídas no Plano Compete Leite Br.”

Marco Sérgio revelou que os problemas do setor vão além dos altos custos e das importações de lácteos. “Nossa cadeia ainda convive com coisas já que deveriam ter sido eliminadas, como atravessadores que lucram pagando pouco pelo leite in natura e também com programas e incentivos governamentais nunca repassados aos produtores de leite, além de fazerem manobras contábeis em notas fiscais.”

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