“A safrinha de milho do norte do Paraná já era”, diz presidente da Assosoja

Foto: Arquivo/AGROemDIA

A safrinha de milho do norte paranaense deve ter perdas expressivas por causa do plantio tardio e da seca, segundo a Assosoja (Associação dos Cerealistas do Norte do Paraná). A estimativa da entidade é que a produtividade do cereal na região fique entre 30 e 35 sacas por hectare, bem abaixo da média do estado, de 80 sacas por hectare.

Conforme o presidente da Assosoja, o engenheiro agrônomo Rodrigo Marques Tramontina, o cenário é desanimador: “A safrinha do norte do Paraná já era. Em quase 30 anos de agro, nunca tinha visto isso.” Nos últimos dias, ele e alguns sócios da entidade fizeram uma visita técnica às lavouras da região e ficaram desapontados com que o que viram.

“Rodamos oito municípios fazendo avaliações seguindo o protocolo da Fairfax e Sancor, que leva em consideração a época de plantio, a densidade populacional, os desenvolvimentos vegetativo e reprodutivo, os tratos culturais etc. Visitamos mais de 15 mil hectares em Bela Vista, Florestópolis, Jaguapitã, Primeiro de Maio, Alvorada do Sul, Prado Ferreira, Sertanópolis e Porecatu”, relatou.

Tramontina acrescentou: “Através dos parâmetros de avaliação das seguradoras, chegamos à conclusão de que as áreas visitadas não produzirão mais de 30 sacas por hectare em média. Fenologicamente não há mais tempo para a recuperação dessas lavouras. A grande maioria dessincronizou o pendoamento com o espigamento, não tem espigas e as áreas plantadas no final de março não possuem stand”.

Em resumo, enfatizou Tramontina, “não há mais condições de se obter produtividades como as sugeridas pelo mercado atual”.

Quebra de safra em outras regiões

O presidente da Assosoja informou ainda que a situação não é preocupante apenas no norte paranaense. De acordo com Tramontina, relatos de agrônomos e consultores indicam que as quebras da safrinha se estendem por todo o Paraná e pelo oeste Paulista. “As chuvas vieram tarde demais.”

A Assosoja tem abrangência em 11 municípios e seus associados plantam em uma área de 13 mil hectares. Ou seja, cultivam 13 mil hectares de soja e 13 mil hectares de milho. Neste ano, pontuou Tramontina, os produtores perderam a janela de plantio, na segunda quinzena de janeiro, devido ao atraso na colheita de soja, por causa de problemas climáticos. Com isso, o cultivo da safrinha de milho se iniciou na segunda quinzena de fevereiro.

O produtor Ildefonso Orlando Ausec, do município de Doutor Camargo, na região de Maringá, confirmou ao AGROemDIA que também há perdas acentuadas na safrinha de milho no noroeste e o centro-oeste do Paraná:

“Na maioria das lavouras, a estimativa é que a produtividade média seja de 40 sacas por hectares. Também tivemos perda total de 20% das plantações. Em outros 20%, a situação é razoável.  É claro que em algumas propriedades o rendimento pode chegar a 100 sacas por hectares”, disse. Diante disso, ele calcula que o estado deve produzir na safrinha 40% do que era esperado.

AGROemDIA

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