Proteção ambiental, a arma da Europa na disputa no comércio agrícola mundial

Gil Reis é consultor em agronegócios – Reprodução: Youtube

*Gil Reis

O chamado mundo ocidental hodierno – não confundir com o de antes de Colombo e a sua descoberta das Américas, que passaram a integrá-lo como “colônias” – tem muita dificuldade em reconhecer os avanços do “Novo Mundo”, notadamente os do Brasil.

A Europa, antiga líder absoluta do mundo ocidental pré-colombiano, não tem coragem suficiente para encarar a força econômica e militar dos EUA, apesar de suas práticas contra o meio ambiente, como a grande emissão de gases de efeito estufa. Embora os EUA estejam entre os maiores emissores, os europeus resolveram cooptá-lo como aliado. O que resta no novo mundo para a Europa? A América do Sul, principalmente o Brasil.

Ao longo da história, a Europa teve a liderança no mercado internacional, destacando-se como grande exportadora. No entanto, não contava com um concorrente gigante, a agropecuária brasileira, do qual é importadora.  Segundo maior comprador de produtos agrícolas do Brasil, a Europa também se utiliza dessa condição para tentar intimidar o nosso país.

O discurso europeu de salvação do planeta se esvazia quando lembramos dos seres humanos e suas necessidades alimentares. A agropecuária mundial tem salvado a humanidade ao alimentá-la com preservação ambiental. Nesse contexto, o Brasil tem dado enorme contribuição. Atacá-lo com argumentos ambientais néscios e desonestos, sem reconhecer os esforços brasileiros para alimentação e preservação ambiental, é uma atitude irresponsável, que pode resultar na redução da produção, levando para a insegurança alimentar um quarto da população do planeta.

O que pretende a União Europeia? Se tornar o Estado científico totalitário que zela por todos, como descreve Aldous Huxley em sua obra de ficção científica “Admirável Mundo Novo”?

“Nascidos de proveta, os seres humanos (pré-condicionados) têm comportamentos (pré-estabelecidos) e ocupam lugares (pré-determinados) na sociedade: os alfa no topo da pirâmide, os ípsilons na base. A droga soma é universalmente distribuída em doses convenientes para os usuários. Família, monogamia, privacidade e pensamento criativo constituem crime. Os conceitos de “pai” e “mãe” são meramente históricos”, escreveu Huxley.

Creio que o velho continente ainda se ressente da “travessia do Atlântico”, algo bastante favorável, como observa Edmilson Volpi no artigo “O Atlântico, a última fronteira da Idade Média”:

“Antes da conquista da América, sem dúvida, o Atlântico cumpria uma função limítrofe fundamental. Era uma espécie de fronteira líquida gigantesca entre o que era conhecido e o vazio, a escuridão absoluta. E essa visão do Atlântico como um desconhecido perdurou na Europa por muito tempo. Até que colombo embarcou para “as Índias” do Porto de Palos no verão de 1492”.

Ao longo de 500 anos, a travessia do Atlântico beneficiou alguns países do velho continente que até então praticavam “autofagia” destruindo seu próprio meio ambiente. Permitiu a colonização das novas terras, com a consequente exploração de suas riquezas, desmatamento em busca de madeira e depredação do meio ambiente alheio, mas tudo mudou, e o novo mundo se tornou independente e mais rico que os antigos colonizadores.

O fato é que somos um gigante ambiental não reconhecidos apenas por nós, brasileiros. Recente estudo da ONU aponta o Brasil como líder na proteção de florestas: “O Brasil é o país do mundo que mais dedica território à proteção de vegetação nativa”.

A afirmação está publicada em estudo da ONU sobre áreas protegidas no planeta, que considera como terras protegidas as unidades de conservação, parques nacionais, estações hidrológicas e aquelas destinadas a povos tradicionais, como os indígenas. “Entre as 10 maiores nações do mundo em extensão territorial, o Brasil está na liderança como o país que mais protege florestas”.

Ranking elaborado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) coloca o Brasil na liderança da proteção ambiental. O país tem 30% da área protegida; a Austrália, 20%; a China, 15,6%; a Rússia, 11,2%; e os demais países com 10% ou menos. Segundo o presidente da Embrapa Territorial, Evaristo de Miranda, a proteção ambiental brasileira é quase três vezes maior em comparação com as demais nações.

E agora José? Será que diante de todos os reconhecimentos do nosso papel na preservação do planeta, além de possuirmos a legislação mais rigorosa e preservadora do meio ambiente – o Código Florestal –, a União Europeia continuará a sua campanha tresloucada contra o nosso agro, incentivando ONGs e “coalisões multinacionais” a combater no Congresso Nacional projetos de lei como da Regularização Fundiária, o Licenciamento Ambiental, a Lei dos Defensivos e outros, todos em tramitação?

Provavelmente sim, porque o objetivo dessas ações travestidas de defesa ambiental é denegrir o agro brasileiro e debilitar o nosso país do mercado internacional pela arma da má fama, a fim de ganhar mais espaço no comércio mundial agrícola, o que pode levar à redução da nossa produção.

*Consultor em Agronegócio

 

 

 

 

AGROemDIA

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