Grande erro: Ambientalistas ignoram poluição urbana e priorizam ataques ao agro

Gil Reis, consultor em agronegócio

*Gil Reis

Fui extremamente educado dar um título ao presente artigo. Acredito que o correto seria grande má-fé dos ambientalistas quando atacam o nosso agro em razão da emissão de gases de efeito estufa, tentando reprimir a nossa produção. Olvidam completamente as cidades, diferentemente do que ocorre no “velho mundo”, onde multam uma cidade como Paris pela emissão de carbono.

Vamos nos deter nas cidades brasileiras responsáveis pela maior parte da emissão de gases de efeito estufa em um país reconhecido como responsável por apenas 3% das emissões mundiais. São milhões de veículos, em sua grande maioria movidos por combustíveis fosseis a emitir gases de efeito estufa. Aqui vale destacar os nossos ônibus que emitem pela descarga aquela fumaça preta que todos conhecemos sobejamente. Em consequência, temos enormes “engarrafamentos” que potencializam a emissão de gases.

Além disso, temos os lares brasileiros, que na grande maioria estão em milhares de cidades cujos índices de saneamento básico chegam a 5%, a despejar fezes humanas, grandes produtoras de gás metano, nas vias fluviais de nosso país. Nas grandes cidades, em razão do nosso clima, há o uso constante de aparelhos de ar refrigerado, que possuem potentes exaustores retirando dos ambientes o ar quente e o gás carbônico emitido por milhões de seres humanos e os atirando na atmosfera. Vejam bem abordei apenas alguns casos; o leitor pode, obviamente, contabilizar os danos restantes.

Diante disso, indago: o leitor continua acreditando que o agro é o responsável pelos 3% das emissões dos gases de efeito estufa do nosso país?

Realmente não gosto de repetir textos de outros artigos meus. Entretanto, diante do acirramento dos ataques, quebro essa regra que me impus. Recentemente foi publicado um artigo meu narrando que acompanhei todos os lances da “Cúpula dos Líderes sobre o Clima” capitaneada pelo recém-empossado presidente dos EUA, Joe Biden.  Creio que vale a pena reprisar partes da minha avaliação dos pronunciamentos de três líderes mundiais.

“O presidente da República Popular da China, Xi Jinping, que na minha opinião enfrenta o maior desafio para a redução da emissão de carbono, uma vez que mais de 50% da matriz energética do país são de termoelétricas alimentadas a carvão, com uma população de 1,398 bilhões de habitantes para alimentar. Apesar dos compromissos datados, confessa que o seu projeto para a substituição da fonte de energia de hoje por fontes limpas é de 45 anos.”

“O presidente da Federação Russa, Vladimir Vladimirovitch Putin, que, além de concordar, na minha opinião, em parte, com os discursos dos demais “surfou na onda” do movimento ambientalista sem se acumpliciar e mostrou os avanços de seu país na área de meio ambiente. Putin inseriu dois assuntos interessantes, elencou no rol das energias limpas a nuclear e se disse favorável ao “multilateralismo” baseado no direito internacional.”

“O presidente da República Federativa do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, que lidera um dos países do grupo com os mais baixos índices de emissão de gases de efeito estufa do planeta, apenas aproximadamente 3%, não se limitou a promessas, deu uma aula de como se deve promover o Brasil na área internacional se contrapondo a todas as divulgações maléficas.”

As minhas avaliações não envolvem qualquer posicionamento político até porque me oponho fortemente a postura de “non sense” tão em voga no nosso país hoje de partidarização dos assuntos.

Sempre procurei lembrar aos ambientalistas que o Brasil tem se preocupado desde os tempos do Império com a “preservação da natureza”, hoje denominada de “preservação do meio ambiente” totalmente “capenga”, uma vez que os ambientalistas atuais se preocupam apenas com a agropecuária”. O Brasil já se preocupa com o tema denominando de preservação da natureza há muito. A primeira lei de terras do Brasil é a Lei n. 601 de 1850 e já traz em seu bojo tal preocupação. Já o primeiro Código Florestal é datado de 1934 através do Decreto 23.793/34 e, mais tarde, em 1965, através da Lei nº 4.771, que definiu de forma minuciosa os princípios necessários para proteger o meio ambiente e garantir o bem-estar da população do país. Finalmente, em 2012 foi sancionado o Código Florestal vigente com a implementação sob a responsabilidade dos estados federados.

Tenho desmentido frequentemente o primeiro-ministro britânico Boris Johnson, que se gaba que o Reino Unido foi o primeiro país a aprovar uma legislação para emissão zero de gás carbônico. O Brasil já possui legislação antiga sobre o assunto, não com o título altissonante de emissão de gás carbônico, mas sim como medidas contra poluição atmosférica nos centros urbanos. Vale lembrar que o ex-ministro Ricardo Salles sempre nos alertou contra as agressões ao meio ambiente promovidas pelas cidades.

Paralelamente, os países do “mundo livre”, não tão livre assim, uma vez que membros da UE ainda possuem colônias, lançaram os chamados “carros elétricos”. Paciência! É difícil acreditar que os luminares do planeta não lembraram da forma como é gerada a energia elétrica na maior parte do mundo. Apenas transferem dos veículos para as geradoras de energia as emissões de gases de efeito estufa. No Brasil, o carro elétrico até faz sentido, uma vez que 90% da nossa energia é limpa.

A propósito, os ambientalistas orquestrados pelo “velho mundo”, com apoio vergonhoso de “colaboracionistas” brasileiros, omitem totalmente a contribuição das cidades no tal aquecimento global, voltando todas as suas armas contra a nossa agropecuária. Será que os ataques a nossa produção rural se prendem única e exclusivamente à concorrência no mercado internacional ou existe algum outro motivo obscuro?

*Consultor em Agronegócio

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do AGROemDIA

AGROemDIA

O AGROemDIA é um site especializado no agrojornalismo, produzido por jornalistas com anos de experiência na cobertura do agro. Seu foco é a agropecuária, a agroindústria, a agricultura urbana, a agroecologia, a agricultura orgânica, a assistência técnica e a extensão rural, o cooperativismo, o meio ambiente, a pesquisa e a inovação tecnológica, o comércio exterior e as políticas públicas voltadas ao setor. O AGROemDIA é produzido em Brasília. E-mail: contato@agroemdia.com.br - (61) 99244.6832

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: