Produtores de leite pedem apoio de Bolsonaro para superar “regime de servidão”

Produtor Marco Sérgio, com deputado Vitor Hugo (C), na entrega de carta com pedido do setor a Bolsonaro – Foto: Aproleite/GO

Os produtores de leite esperam contar com o apoio do presidente Jair Bolsonaro para avançar em suas reivindicações pelo fortalecimento do setor, a fim de que possam superar as dificuldades estruturais e conjunturais que enfrentam nos últimos anos. Em encontro em Anápolis (GO), nessa quarta-feira (9), eles entregaram uma carta ao presidente com os principais pedidos da base produtora, representada pela Aproleite/GO e os movimentos Construindo Leite Brasil, Aliança e Ação, União e Ação e Inconfidência Leiteira.

No documento, a base produtora pede uma vaga na Câmara Setorial do Leite e Derivados do Ministério da Agricultura, com a confirmação dos nomes indicados à ministra Tereza Cristina; formalização pelo Mapa da comissão de produtores que vem debatendo o Plano Compete Leite Br; criação de um grupo de trabalho para estabelecer uma nova forma de relação entre os pecuaristas de leite e os laticínios; e revisão da atuação das cooperativas produtoras de leite.

Além disso, eles também pediram a Bolsonaro apoio ao projeto de lei 3292/2020, de autoria do deputado federal Vitor Hugo (PSL/GO), que dispõe sobre a criação de cota para compra de leite fluido pasteurizado destinado à merenda escolar, por meio do PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) O texto, já aprovado pela Câmara dos Deputados, está em tramitação no Senado. Os produtores esperam que a base parlamentar do governo ajude a aprovar a proposta no Senado.

Deputado Vitor Hugo e Marco Sérgio, ambos de terno, e grupo de produtores que estiveram em Anápolis – Foto: Aproleite/GO

A carta foi entregue a Bolsonaro, que usou um adesivo com a inscrição Sou Produtor de Leite durante o encontro, pelo produtor Marco Sérgio, da Aproleite/GO. Ele enfatizou ao presidente a importância da atividade, desenvolvida em 1,2 milhão de propriedades rurais todo país. “Somos cerca de 5 milhões de produtores, e a cadeia emprega direta e indiretamente quase 20 milhões de pessoas. Ou seja, nosso setor tem enorme importância socioeconômica para os municípios na geração de emprego e renda.”

Município de Castro é exemplo a ser seguido

“Falei ao presidente que Castro – município paranaense considerado a capital brasileira do leite – é um exemplo a ser replicado em todo o Brasil, mas está longe de refletir a realidade do produtor de leite, que ainda hoje é submetido a um regime de servidão comercial”, disse Marco Sérgio, referindo-se à forma com que os laticínios estabelecem o preço do leite ao produtor e à falta de previsibilidade no pagamento do produto entregue à indústria.

“Onde se viu entregar um produto perecível, que não pode ser doado nem descartado pela legislação ambiental, sem saber quando e nem quanto você vai receber pelo produto, sem qualquer segurança jurídica”, pontuou Marco Sérgio a Bolsonaro.

De acordo com Marco Sérgio, os produtores de leite não querem participar da cadeia apenas da porteira para dentro. “Também queremos ter protagonismo da porteira para fora para que possamos contribuir com a criação de um plano nacional de desenvolvimento do setor leiteiro, a partir da perspectiva da base produtora. Nesse processo, nós, produtores, pretendemos atuar em pé de igualdade com os demais elos da cadeia.”

Durante a conversa com Bolsonaro, Marco Sérgio destacou ainda o apoio que o setor leiteiro vem recebendo do deputado Vitor Hugo. “O deputado tem sido um grande parceiro dos produtores de leite e tem entendido nossas reivindicações.” No encontro, o produtor goiano enfatizou ao presidente que ele tem grande números de simpatizantes na base produtora leiteira, que devem apoiar a sua reeleição em 2022.

Antes de se reunir com empresários produtores de leite e de outros segmentos da economia, Bolsonaro participou de um almoço na fazenda do cantor Amado Batista, em Anápolis.

Abaixo, a carta entregue ao presidente Bolsonaro:

AGROemDIA

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