Ataques à pecuária brasileira revelam incômodo da concorrência internacional

*Gil Reis

A pecuária nacional sofre ataques constantes. Ora é envolvida com o desmatamento, ora com a rastreabilidade, ora com o bem-estar animal. No entanto, a razão que move os agressores é, na verdade, o seu sucesso. Afinal, o Brasil tem hoje o maior rebanho comercial bovino do mundo, o que desagrada muito de nossos concorrentes, alguns apoiadores de ONGs que se dedicam, ao longo dos anos, a denegrir a imagem do agro brasileiro, especialmente à cadeia de bovinocultura, que fez do país um dos líderes globais em exportações de proteína animal, com a carne bovina à frente.

As agressões têm a ver, portanto, com a nossa participação no mercado internacional. Concorrentes que há muito perderam a competitividade, por falta de competência, sentem-se desconfortáveis com o avanço do Brasil no mercado mundial de carne bovina. Sem condições de competir dentro das regras de mercado, nas quais os compradores avaliam especialmente qualidade, sanidade e preços, eles promovem uma guerra marcada pela desonestidade, uma verdadeira baixaria comercial, típica de quem está desesperado diante da perda de clientes.

Recentemente, o engenheiro agrônomo Maurício Palma Nogueira publicou artigo sob o título “A revolução silenciosa da pecuária”. Reproduzo aqui trecho que não só desmonta os argumentos desonestos de nossos agressores, mas que também explica os motivos dos ataques à pecuária nacional:

“Nos últimos 30 anos, a pecuária de corte brasileira aumentou a produtividade em quase 150%, mais do que dobrando a produção de carne em uma área de pastagens cerca de 16% menor. Já em relação ao rebanho e ocupação por área, a elevação foi menor, em torno de 13% e 34%, respectivamente. Os números foram obtidos a partir de dados da Pesquisa Pecuária Trimestral e do Histórico dos Censos agropecuários, ambos do IBGE. Essa explicação torna-se necessária pela quantidade de estudos publicados sem o devido cuidado em considerar a dinâmica do rebanho. Como temos alertado exaustivamente, faltam especialistas em produção pecuária na composição das diversas equipes que se debruçam sobre estatísticas e imagens georreferenciadas com o objetivo de diagnosticar e projetar o impacto da pecuária. Em grande parte dos casos, as conclusões acabam sendo equivocadas. Essa é a razão pela qual alguns pesquisadores negam um dos acontecimentos mais impactantes do ponto de vista da sustentabilidade.  O desenvolvimento tecnológico da pecuária a partir dos anos 1990 foi suficiente para evitar o desmatamento de 270 milhões de hectares. Chega-se a esse número calculando a área necessária para produzir a mesma quantidade atual de carne com o nível de produtividade de 1990.”

Hoje, o desafio posto é o monitoramento dos fornecedores indiretos. Todos os envolvidos na cadeia de gado bovino estão empenhados em buscar soluções para o desenvolvimento de ferramentas que consigam realizar com segurança essa finalidade. Atualmente não há dados e estatísticas acessíveis e confiáveis sobre a cadeia de rastreabilidade completa dos bois para determinar o número de fornecedores indiretos no Brasil. Qualquer iniciativa de controle de fornecedores indiretos, neste momento, não é passível de processos certificados MRV (sigla em inglês para monitorável, reportável e atestável), salvo nas estatísticas de algumas ONGs interessadas em atacar a pecuária nacional.

Mesmo com esses desafios, tem-se a convicção de que, em parceria com o poder público, dentro em breve será alcançado mais um degrau na árdua tarefa de monitoramento da cadeia da pecuária. Aliás, somente organismos dos estados e da União tem, atualmente, instrumentos que, com aprimoramento e aperfeiçoamento, poderão auxiliar neste objetivo em futuro próximo.

Enquanto isso, o setor segue adotando, cada vez mais, práticas que confirmam o seu compromisso com a sustentabilidade e as demais exigências do mercado nacional e internacional. Graças a esse esforço da cadeia da bovinocultura, o Brasil é considerado pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) – organismo composto por 176 países – como referência na aplicação de medidas voltadas ao bem-estar animal.

É claro que tal reconhecimento é ignorado pelas organizações nacionais e internacionais que têm com principal missão denegrir a pecuária brasileira. Além de ignorar os avanços da nossa bovinocultura na adoção das melhores formas de criação e manejo dos animais, ainda chegam ao cúmulo de querer barrar, sem qualquer base científica, as exportações brasileiras de gado vivo. Tal movimento não visa apenas causar prejuízos a esse segmento exportador, mas também prejudicar o próprio comércio internacional brasileiro, que tem dado sustentação ao PIB e contribuído para geração de emprego e renda no nosso país.

O descaramento e desonestidade de certas organizações agridem também a soberania e cultura dos países importadores de bovinos vivos. Nessa estratégia ensandecida pela reconquista de nichos de mercado, chegam a usar vídeos sem qualquer autenticidade e sem identificação de locais onde ocorreriam incidentes, na tentativa de levar os incautos a acreditar em seus argumentos falaciosos.

Fundamental, portanto, resgatar a honestidade para preservar a imagem da pecuária nacional. O assunto é tão sério que quando alguém fala, honestamente, a verdade sobre a cadeia da bovinocultura logo é rotulado de “sincericida”.

*Consultor em agronegócio

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do AGROemDIA

 

 

 

 

AGROemDIA

O AGROemDIA é um site especializado no agrojornalismo, produzido por jornalistas com anos de experiência na cobertura do agro. Seu foco é a agropecuária, a agroindústria, a agricultura urbana, a agroecologia, a agricultura orgânica, a assistência técnica e a extensão rural, o cooperativismo, o meio ambiente, a pesquisa e a inovação tecnológica, o comércio exterior e as políticas públicas voltadas ao setor. O AGROemDIA é produzido em Brasília. E-mail: contato@agroemdia.com.br - (61) 99244.6832

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: