ABCZ condena uso dos termos “carne vegetal e leite vegetal”; “propaganda enganosa”

A Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ) é contra a utilização dos termos “carne” e “leite” por empresas produtoras de proteína feita à base de plantas, ou plant-based. “O uso impróprio dessas palavras traduz-se em propaganda enganosa perante os consumidores, ao fazer crer que estão ingerindo substâncias com as mesmas propriedades organolépticas e nutricionais, quando na verdade estudos demonstram que são díspares”, diz em nota a ABCZ. No comunicado, divulgado nesta semana, a associação também faz um apelo ao Ministério da Agricultura para que refute o uso de nomenclaturas como “carne vegetal”.

Leia, abaixo, a íntegra da nota da ABCZ:

“A Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ) vem a público manifestar sua posição contrária à apropriação indevida das denominações “carne” e “leite” (destinadas a produtos de origem exclusivamente animal) pelos produtos integralmente vegetais, denominados “plant based”.  A manifestação pública da entidade responde à convocação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que busca colher percepção da sociedade sobre tal assunto.

Desta forma, o posicionamento contrário da ABCZ à tal medida representa nosso respeito e nossa defesa ao trabalho dos mais de 23 mil associados, cujo fomento e produção atingem mais de 80% do rebanho bovino nacional, com produção estimada em 2020 de 10,5 milhões de toneladas de carne bovina e 24,5 milhões de toneladas de leite.

Temos percepção clara de que o uso impróprio dessas palavras traduz-se em propaganda enganosa perante os consumidores, ao fazer crer que estão ingerindo substâncias com as mesmas propriedades organolépticas e nutricionais, quando na verdade estudos demonstram que são díspares. Exemplo está em levantamento publicado na prestigiosa revista científica “Nature” de 05 Julho de 2021, por pesquisadores do Centro Médico da Universidade de Duke, que, em ementa, concluíram que o perfil metabólico entre a carne bovina e os “plant based” diferem-se em 90%, pois dos 190 metabólitos analisados apenas 19 são comuns, não sendo possível defender nutricionalmente que se possa substituir um produto por outro, ou que sejam intercambiáveis, como a nomenclatura pretendida de “carne vegetal”, “leite vegetal” ou “ovo vegetal” deixa entender.

 Desta forma, pedimos ao competente Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento que refute esses nomes impróprios aos “plant based”, cumprindo mais uma vez o seu papel de proteger a saúde dos consumidores e de defender a posição – louvável – de liderança do Brasil no mercado mundial de proteína animal.

 Rivaldo Machado Borges Júnior

presidente da ABCZ”

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