Indústria investe em leite com funcionalidades imunológicas e relaxantes

Foto: Caroline Jardine/Divulgação

Em sintonia com a preocupação mundial de fortalecer as defesas naturais do corpo humano para garantir saúde e qualidade de vida, a indústria de laticínios vem investindo cada vez mais em produtos capazes de reforçar o sistema imunológico e até da saúde mental dos consumidores.

Essa tendência do mercado lácteo foi abordada pelo executivo da Tetra Pak, Luis Eduardo Ramirez, durante encontro, nessa quinta-feira (9), com associados do Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat), na Casa da Indústria de Laticínios no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS).

De modo geral, assinalou Ramirez, os lácteos já têm essa função porque são fontes de sais mineiras e de muitos nutrientes, mas há uma estratégia das empresas, em nível internacional, para focar sua ação nesses nichos, que agregam preço e valor adicional às marcas.

Ramirez citou como exemplo o lançamento de itens antioxidantes e a expansão do mercado de Whey Protein. “Há um aumento da preocupação das pessoas com a saúde mental e com a consciência de como a dieta pode agir contra a depressão, até ajudando as pessoas a relaxar”.

Conforme o executivo, rótulos de produtos lançados na Tailândia e da Eslovênia trazem traços de mel e camomila com princípios calmantes. “O leite integral vai sempre existir, mas esses produtos de nichos nos trazem maior valor agregado porque o consumidor entende que foram feitos especialmente para ele. O produto super democrático vai ser sempre o item de volume, mas os de nicho têm valor melhor e trazem um adicional às marcas”. Para ele, segmentos como esse podem ser uma ótima opção para pequenos laticínios que conhecem a fundo seus consumidores.

Leite saborizado

Mediando o debate, o secretário-executivo do Sindilat, Darlan Palharini, lembrou que o Brasil não tem costume de consumir o leite saborizado, mas que esse é um mercado importante a ser explorado.

Durante sua apresentação, Ramirez ainda mencionou a força que a comunicação digital ganhou no setor lácteo, incluindo projetos bem-sucedidos de e-commerce. “Não é o futuro, é o presente. Com a pandemia, esse processo só se acelerou”, completou.

A Tetra Pak está pesquisando o mercado e trazendo inovações constantes nas embalagens, incluindo estratégias e códigos que permitam interação das marcas com o consumidor. “É uma tendência que vai ficar depois da pandemia”.

Acompanhando a reunião híbrida direto da Casa da Indústria de Laticínios, na Expointer 2021, o coordenador de vendas do Escritório Regional de Porto Alegre da Tetra Pak, Rodrigo Carvalho, ressaltou a importância do momento. “É uma oportunidade de estar próximo e escutar as demandas dos laticínios e de se mostrar parceiro de todo esse processo produtivo”.

Competitividade

A necessidade de profissionalização dos tambos brasileiros e de que esse processo ganhe velocidade também foi tema do encontro, que contou com a presença do deputado federal Alceu Moreira. “O leite é uma cadeia interligada. Os dentes da roda só funcionam se um dente tocar no outro.” Nesse processo, observou o parlamentar, os avanços tecnológicos têm papel essencial. “A conectividade entrou no campo para nunca mais sair”.

Entre as inovações projetadas pelo deputado no setor produtivo estão mudanças na logística de grandes volumes, uma vez que o e-commerce deve alterar a relação entre os diferentes elos da cadeia. Inovação que também deve ganhar corpo no processo produtivo, ampliando a gama de produtos derivados do leite. “Na França, há centenas de tipos de queijos. No Brasil, temos 20. É preciso ir para o mercado destacando cor, textura e sabor e fomentar novos nichos de mercado. Não tem espaço para quem não é competitivo”.

O diretor-tesoureiro do Sindilat, Angelo Sartor, corroborou a posição do deputado, reforçando que o mercado já mudou. “Não tem mais espaço para atuar em um modelo standard como antigamente. Não é uma questão de opção”, disse, lembrando que o valor pago pelo leite no Brasil é o mesmo da Europa, onde o poder de compra da população é muito maior. “É uma conta que não fecha”, justificou. Sartor frisou ainda que as projeções para quem se profissionalizar são otimistas. “É um segmento que só vai crescer”.

AGROemDIA

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