FecoAgro/RS aponta forte alta dos custos de produção de soja e milho

Os custos de produção das lavouras de milho e soja de verão devem ter forte alta, pressionados pelos aumentos dos preços dos insumos (fertilizantes e defensivos), máquinas, implementos e combustíveis, segundo o mais recente levantamento da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS).
Alguns produtos tiveram elevação superior a 150% nos últimos 12 meses, diz a FecoAgro/RS. Além disso, assinala a entidade em nota divulgada nesta quarta-feira (17), há falta de oferta de alguns insumos e de diesel.
De acordo com a federação, os novos patamares de custos de produção indicam uma tendência de queda de rentabilidade nas duas culturas, de 40,28% para o milho e de 36,21% para a soja.
A projeção da entidade, com base nos preços de 1º de novembro deste ano, indica uma perda do produtor de soja na relação de troca de 48,8% no número de sacas necessárias para pagar o custo total de produção, que era de 26,11 sacas e agora é de 38,85 sacas.
Já em relação ao desembolso, o produtor precisará colher 26,63 sacas de soja contra 16,90 na safra passada, uma elevação de 57,54%. “Isso reduz significativamente a rentabilidade futura, apesar dos preços no mercado permanecerem aquecidos”, observa a Feco/AgroRS
No caso do milho, a relação de troca sofreu impacto maior pelo fato de usar mais insumos que a soja. Com isso, o produtor vai precisar colher 108,58 sacas por hectare para cobrir o custo total de produção ante as 69,16 sacas da safra anterior, um aumento de 57% de produção diante do atual patamar de custo.
Em relação ao desembolso, o produtor de milho sofreu impacto maior e vai precisar produzir 82,43 sacas por hectares frente as 49,04 sacas na safra passada, uma elevação de 68,07%.
A FecoAgro/RS alerta ainda para o cenário de restrição de oferta de alguns insumos para a próxima safra e para possíveis problemas climáticos. Além disso, pontua a entidade, a manutenção dos atuais preços pode fazer com que os produtores tenham maiores perdas de rentabilidade.
Diante disso, de acordo com a FecoAgro/RS, o produtor terá que fazer um bom manejo da lavoura e contar com boas condições de clima para obter uma boa safra. Enquanto o custo da soja subiu 52,1% e do milho 65,64%, a variação de preço no mesmo período de 12 meses foi de 2,69% na soja e de 5,48% no milho.
Conforme a entidade, a expectativa é de um aumento de área plantada de soja superior a 3,5%, ultrapassando os 6,3 milhões de hectares. No caso do milho, a projeção é de uma área acima de 820 mil hectares, 5% a mais em relação à safra passada.
O produtor respondeu com o aumento de área plantada, mas não contava enfrentar tamanha elevação de custos, ressalta o presidente da FecoAgro/RS, Paulo Pires. “Diante dos altos riscos que enfrenta na produção, o produtor precisa de seguro agrícola para se prevenir de eventuais danos causados por fatores como clima e mercado, evitando possíveis prejuízos maiores.”

