Ministro critica proposta da UE sobre desmatamento: “Protecionismo comercial”

O ministro das Relações Exteriores, Carlos França, reagiu, mais uma vez, à proposta da União Europeia (UE) de barrar produtos agrícolas originários de áreas de desmatamento e de degradação florestal. Em entrevista ao jornal britânico Financial Times, publicada neste domingo (28), ele considerou como “protecionismo comercial” e “miopia” o texto proposto pela UE. Também condenou os subsídios dados pela França a seus produtores.
A proposta apresentada pela UE prevê que países exportadores de commodities para o bloco, como carne bovina, soja, óleo de palma, madeira, cacau e café, comprovem que elas não foram produzidas em áreas de desmatamento ou de degradação de florestas após 2020. O texto, voltado às áreas desmatadas ilegalmente e de desflorestamento legal, ainda depende da aprovação do Parlamento Europeu para passar a valer.
“O que eu não posso aceitar é que o meio ambiente seja usado sob a forma de protecionismo comercial. É ruim para os fluxos de consumo e comércio”, disse França ao jornal inglês.
O Financial Times sublinha que o texto foi proposto pela UE antes da divulgação de dados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indicando que a destruição da Amazônia brasileira teve a maior alta em 15 anos.
Segundo França, os números [do desmatamento] “surpreendem”, mas não “são tão ruins como parecem” porque teria havido melhora de julho para cá. Os dados de agosto a outubro indicam queda de 28% em queimadas.
“Não existe desejo do Brasil de esconder o problema. Quando existe desmatamento ilegal, está geralmente conectado a outros crimes, como infrações trabalhistas, evasão fiscal e lavagem de dinheiro. Estamos tratando isso como assunto de polícia e tendo resultados.”
Em relação à França, o ministro afirmou que compreender que o governo francês tem razões internas para apoiar seus fazendeiros. “Não está ambientalmente certo eles darem subsídios (agrícolas), porque terra e água são recursos escassos e ao operá-los de forma ineficiente não é sustentável”.
A nova proposta da UE é mais um complicador nas relações com o Brasil. As diferenças entre o governo brasileiro e o bloco europeu fizeram com que o acordo comercial Mercosul-União Europeia, cujas negociações se arrastaram por mais de 20 anos, até agora não fosse ratificado.

