Comércio mundial de peixes está em expansão, diz FAO

Foto: Michel Jean Pierre/Pnud/Divulgação

Na contagem regressiva para a Conferência dos Oceanos, que começa em 27 de junho, a ONU News entrevistou o oficial sênior sobre Pesca da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO. De Roma, Márcio Castro de Souza revela números preliminares sobre o setor em 2021, que deve ter tido um crescimento de 17%. O especialista fala ainda sobre sustentabilidade e a importância da aquicultura. Acompanhe a entrevista para Leda Letra, da ONU News.

ONU News: Quais são os dados mais recentes da FAO sobre comércio internacional de peixes? 

Márcio Castro de Souza: “Em relação ao comércio de peixes, em termos mundiais, o setor de pesca é muito representativo de uma situação muito particular no comércio internacional. Se pegarmos todas as outras proteínas animais que existem, carne, porco e frango, o valor de pescado que é exportado no mundo é 56% de todo esse conjunto de proteínas animais. Isso é muito significativo. Os principais países produtores também são grandes importadores de espécies que eles não produzem.

Os números mais recentes da FAO em relação a este comércio internacional, nós estamos ainda terminando de calcular os números para 2021, mas estamos estimando que o comércio de pescado cresça 17% em 2021 em relação a 2020. Isso já é um volume muito grande considerando todas as dificuldades que ocorreram em 2019, em 2020 por causa da pandemia. Isso mostra o quão resiliente é o setor em termos de promover uma maior produção e um maior comércio.

Nós estimamos que esse número chegará a US$ 175 bilhões em 2021. É importante observar que temos uma publicação, que a FAO lança a cada dois anos, que é “O Estado Mundial da Pesca e da Aquicultura”. Essa publicação traz todos os números atualizados de produção, de consumo, de comércio, além de analisar aspectos particulares de tendências que estão ocorrendo no mercado e na produção da pesca e aquicultura. E vamos lançar a nova edição desta publicação durante a Conferência dos Oceanos, em Lisboa.”

ONU News: O que se pode fazer para manter a produção sustentável, uma vez que as pessoas estão consumindo mais peixes? Gostaria de saber também se o consumidor pode confiar nos peixes de criação, na aquicultura?

Márcio Castro de Souza: “A questão da sustentabilidade é um aspecto fundamental na produção pesqueira de uma forma geral e o setor aprendeu muito com os problemas que enfrentou, particularmente nas décadas de 1960 e 1970, quando houve uma superexploração dos oceanos, com várias espécies entrando em declínio. O setor aprendeu muito com isso.

Os países cada vez mais investem em análises científicas que permitem a eles, cada vez mais com maior precisão, estimar o que se pode ser capturado de determinada espécie em determinada região.

O peixe é um produto que é mutável em relação a sua localização nos oceanos. Os peixes nadam. Os atuns, por exemplo, saem do Atlântico Norte e vão até o Atlântico Sul em ciclos periódicos e bem determinados. Isso faz com que o aspecto de cooperação entre os países seja fundamental.

Em relação à aquicultura, ela tem crescido em velocidade muito grande nos últimos anos e a pesca de captura tem se mantido estável. A aquicultura tem crescido por vários fatores. Você controla as condições de produção do seu pescado, você alimenta ele, sabe qual o tamanho médio que ele vai atingir etc. Isso tem facilitado muito um crescimento da produção em relação a questões de perdas, ao controle sanitário etc.

Existiu muito no passado um preconceito em relação ao peixe de cultivo. Quando a tilápia começou a ser mais consumido, me lembro que as pessoas reclamavam dizendo que tinha gosto de terra.  Isso mudou completamente. A ciência evoluiu em termos de como se cultivar pescado da melhor maneira possível.

A questão da sanidade é uma questão muito forte que a FAO leva em consideração e trabalha em conjunto com a Organização de Saúde Animal, justamente para fazer com que os países implementem as boas práticas e tenham uma produção saudável.

Não existe nada que diga que o pescado cultivado é de pior qualidade que o pescado capturado. Não existe nenhuma análise científica nesse sentido. São produtos diferentes pelo tipo de alimentação do pescado. Você tem o mesmo produto cultivado e pescado naturalmente.

O salmão que vem do mar, ele se alimentou de produtos que muito provavelmente são diferentes do salmão cultivado. Isso faz com que tenha diferentes cargas de concentração de vitaminas, de sais minerais, de ômega 3 e isso varia até mesmo em relação à região do mundo que o pescado vem.”

 

 

AGROemDIA

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