Carestia: Preços dos produtos para festas juninas disparam e sobem 13,12%

Foto: FGV IBRE/Divulgação

As comemorações juninas estão mais salgadas neste ano marcado pelo aprofundamento da perda de poder de compra da população brasileira e pela carestia dos alimentos.  O preço médio dos ingredientes e insumos para o preparo dos principais pratos e quitutes tradicionais das festas juninas aumentou 13,12% nos últimos 12 meses, enquanto a inflação ao consumidor, medida pelo Índice de Preço ao Consumidor (IPC-M), ficou em 10,08% no mesmo período, segundo estudo do Instituto Brasileiro de Economia (FGV IBRE).

O levantamento considerou 27 itens alimentícios da cesta do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e mostrou que o “caldo verde vai entornar” e a “maçã do amor vai ficar salgada”: a batata-inglesa e a couve subiram 71,35% e 29,34%, respectivamente, nos últimos 12 meses, enquanto o açúcar refinado, a maçã e o açúcar cristal subiram 42,02%, 28,68% e 26,8%, respectivamente.

Outros produtos que aumentaram acima da inflação foram: milho de pipoca (20,95%), leite longa vida (18,03%), farinha de trigo (16,78%), aipim/mandioca (16,03%), fubá de milho (15,63%), ovos (15,1%), batata doce (13,83%), milho em conserva (12,08%), queijo minas (11,23%), leite condensado (10,67%) e linguiça (10,1%). Apenas dois produtos dentre os 27 itens registraram recuo em seu preço no período pesquisado: o leite de coco (-2,36%) e o arroz (-8,98%).

“O Brasil tem vivido choques climáticos sucessivos praticamente desde 2020. Nesse último choque, chuvas torrenciais nos meses de verão impactaram quase todas as culturas de hortifrutis. Por isso, vimos uma escalada de preços absurda nos últimos quatro ou cinco meses de itens tão básicos, como o tomate e a cenoura, que foram os protagonistas desse período, mas também de itens importantes dessa lista, como a batata, a couve e a maçã”, aponta Matheus Peçanha, economista do FGV IBRE.

“Muitos desses produtos não têm substituto para quem quer seguir a receita tradicional, então a principal dica para driblar o impacto no bolso do consumidor é pesquisar preços, dar preferência a marcas menos conhecidas ou reunir um grupo maior e comprar no atacado para conseguir descontos maiores”, aconselha Peçanha.

Além dos problemas climáticos, outros três fatores têm provocada a alta da inflação e, consequentemente, a carestia dos alimentos: a pandemia de covid-19, a guerra entre a Rússia e a Ucrânia e a política econômica do governo Bolsonaro, que contribuiu para a desvalorização dos salários dos brasileiros e não foi capaz, até agora, de acelerar a geração de empregos.

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