Cepea: Preço médio do leite ao produtor sobe 5,3% em maio; custo segue alto

Foto: Agência Brasil

O preço do leite captado em maio deste ano e pago aos produtores em junho aumentou 5,3% frente ao mês anterior, chegando a R$ 2,6801/litro na “Média Brasil” líquida do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. Esta é a quinta alta mensal consecutiva, fazendo com que o leite no campo acumule, desde janeiro, valorização real de 20,6% (valores deflacionados pelo IPCA de maio/2022).

Em nota, o Cepea pontua que os preços do leite no campo estão em alta devido à menor produção. “Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o volume de leite cru industrializado pelos laticínios brasileiros diminuiu 10,3% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2021. Com isso, as indústrias de laticínios seguem em disputa pela compra do leite cru, matéria-prima para a produção de lácteos, para tentar evitar capacidade ociosa de suas plantas.”

Ainda de acordo com o centro de estudos da Esalq/USP, a restrição de oferta do leite – e, consequentemente, dos lácteos – é explicada pela entressafra da produção. Com o inverno e clima mais seco, a qualidade e disponibilidade das pastagens cai e, por isso, a alimentação do rebanho é afetada, levando à queda na produção. “E é preciso destacar que, neste ano, o fenômeno climático La Ninã intensificou os efeitos sazonais de diminuição da oferta.”

Conforme o Cepea, embora o componente climático seja importante para justificar esse cenário, “não seria exagero dizer que o principal fator que explica essa alta substancial dos preços é, de fato, o aumento dos custos de produção.” Segundo o Cepea, o Custo Operacional Efetivo (COE) da atividade esteve em alta nos últimos três anos – de janeiro de 2019 a maio de 2022, o avanço no COE foi de 56%.

Margens apertadas

“Observa-se, assim, que toda estrutura de produção foi encarecendo nos últimos anos, espremendo as margens dos produtores. Diante desse cenário, muitos pecuaristas enxugaram investimentos ou saíram da atividade. Para assegurar alguma rentabilidade, produtores também recorreram ao abate de animais, atraídos pelos elevados preços da arroba. De acordo com dados do IBGE, o número de vacas e novilhas abatidos no primeiro trimestre de 2022 aumentou 11,4% e 17,2%, respectivamente, em relação ao mesmo período do ano passado”, assinala a nota.

“Levando-se em conta que a produção de leite é uma atividade de ciclo operacional longo”, sublinha o Cepea, “pode-se dizer, portanto, que esse cenário observado atualmente é resultado de um longo período de aumentos consistentes nas cotações dos insumos agropecuários, que corroeu margens de produtores e de laticínios por muitos meses. Agentes do setor consultados pelo Cepea relatam que essas altas nos preços dos lácteos vinham sendo represadas, já que a demanda brasileira está bastante fragilizada. Contudo, a redução drástica da oferta levou a uma situação generalizada de queda nos estoques de derivados lácteos, o que tem sustentado o avanço dos preços ao consumidor”.

Perspectiva

A expectativa do setor, indica o centro de estudos, é que os preços no campo continuem firmes, caso a oferta siga baixa em junho. “O levantamento do Cepea mostra que, em Minas Gerais, o preço médio mensal do leite spot subiu fortes 26,2% de maio para junho, em termos reais, chegando a R$ 3,80/litro na média mensal. Grade parte desse aumento ocorreu da primeira para a segunda quinzena do mês, quando o preço médio subiu 20,8% e atingiu R$ 4,16/litro. Com a matéria-prima mais cara e estoques enxutos, os derivados lácteos seguiram fortemente valorizados em junho. De acordo com a pesquisa do Cepea/OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), na negociação entre laticínios e canais de distribuição do estado de São Paulo, os preços médios mensais do leite UHT e da muçarela avançaram quase de 18% de maio para junho.”

 

 

 

AGROemDIA

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