Descuido do governo pode pôr em risco exportação de soja, alerta Elio Gaspari

As exportações de soja brasileira podem ser prejudicadas pela “total falta de cuidados que o governo Bolsonaro tem com a questão do desmatamento”, alerta o jornalista Elio Gaspari, em sua coluna na Folha de S.Paulo neste domingo (2). Segundo ele, as possíveis restrições ao grão nacional não estão relacionadas à Amazônia, mas à preservação do bioma cerrado.
Gaspari lembra que em novembro reúne-se no Egito a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente, a COP-27. “Com um governo influenciado pelos agrotrogloditas que desmatam o país e hostilizam as causas ambientais, o Brasil tornou-se saco de pancadas do mundo… Talvez convenha alertar a inerte burocracia federal que arma-se um bote ambiental contra o agronegócio brasileiro na COP-27.”
De acordo com o colunista da Folha de S.Paulo, a ideia é levar à COP-27 uma proposta antecipando de 2030 para 2025 a meta de desmatamento zero no cerrado. “A partir de janeiro de 2026 as grandes empresas e companhias de comércio exterior não comprariam mais grãos (leia-se soja) vindos de áreas ambientalmente críticas. Isso tudo sem que o governo e os empresários brasileiros tenham sido ouvidos nem cheirados.”
“Pelo regime de hoje, um empresário é obrigado a preservar 35% de sua área. Com a antecipação, ferra-se quem comprou terra ou começou seu negócio no cerrado, programando-se para cumprir as regras em 2030. Com um governo que tolera o desmatamento ilegal, vai-se avançar sobre o desmatamento legal”, diz Gaspari.
“Se Bolsonaro e os agrotrogloditas continuarem tratando o meio ambiente como um problema exclusivamente doméstico, a proposta de antecipação irá em frente”, acrescenta.
O jornalista ressalta ainda que o cerrado perdeu cerca de 13% de sua vegetação nativa entre 1985 e 2020. “Sem floresta luxuriante, é um bioma que precisa ser protegido.”
