Gil Reis: Proteção da biodiversidade, falácias e riscos

Gil Reis*
Os ambientalistas extremados falam sobre a proteção à biodiversidade do planeta sem realmente entendê-la. Todas as propostas de redução de ameaças à biodiversidade não são nada mais, nada menos que um risco ao habitat de insetos, pássaros e abelhas. O mundo está impregnado de discursos falaciosos, com propostas absurdas, para a mitigação dos riscos à biodiversidade. Discursos escritos em luxuosos gabinetes e bem refrigerados por quem sequer entende o que é biodiversidade.
O que todos podem acompanhar hoje é a barafunda de propostas de mitigação da já desmentida alteração climática promovida por ações humanas. Repito as palavras de Kip Hansen: “Pode haver perdas de biodiversidade em algumas áreas do mundo – inevitáveis à medida que as populações humanas crescem e ocupam mais espaço, tanto para viver quanto para se sustentar”.
Os programas de mitigação das alterações climáticas e da emissão de gases de efeito estufa têm tido efeito danoso à humanidade. O que os teóricos esquecem sempre é que nós, seres humanos, fazemos parte da biodiversidade do planeta. O site Watts com isso? Publicou, em 30 de abril deste ano, o artigo “Ameaças reais à biodiversidade e à humanidade”, de autoria de Paul Driessen, conselheiro político sênior do Committee For A Constructive Tomorrow e autor de Eco-imperialism: Green Power-Black Death e muitos artigos sobre o meio ambiente. Transcrevo trechos:
“Simplificando, a ameaça mais grave aos habitats da vida selvagem e à biodiversidade (e aos direitos, necessidades e padrões de vida das pessoas) não é a mudança climática. São políticas e programas criados, implementados e impostos em nome da prevenção das mudanças climáticas.
Vamos examinar as ameaças ao habitat e à biodiversidade – sem perguntar se as mudanças climáticas hoje ou no futuro ainda são primariamente naturais, ou agora são impulsionadas por combustíveis fósseis. Vamos apenas ver o que as supostas soluções para a suposta “crise climática” provavelmente fariam com o planeta e as criaturas que amamos. Na realidade:
O uso mais intensivo da terra – e, portanto, a maior destruição de habitats – é de programas mais amados, defendidos e exigidos pelos verdes raivosos: energia eólica, solar, bateria e agricultura orgânica.
Certamente estamos olhando para dezenas de milhares de turbinas eólicas offshore, milhões de turbinas terrestres, bilhões de painéis solares fotovoltaicos, bilhões de módulos de baterias de veículos e de backup e dezenas de milhares de quilômetros de novas linhas de transmissão. Centenas de milhões de acres de terras agrícolas dos EUA, áreas cênicas e habitats de vida selvagem seriam afetados – cobertos por enormes instalações industriais e linhas de energia.
Mas quanto mais turbinas (ou painéis solares) precisarmos, mais teremos que colocá-las em áreas abaixo do ideal, onde podem funcionar 15% do ano. Quanto mais instalamos, mais eles reduzem o fluxo de vento para os demais. E algumas das melhores zonas eólicas dos EUA estão ao longo da rota de migração Canadá-Texas para aves migratórias.
Ativistas climáticos também aprovam o corte de milhares de acres de florestas de madeira de lei norte-americana – cerca de 300 milhões de árvores por ano – e transformá-los em pellets de madeira, que são transportados por caminhão e navio de carga para a Usina Drax, na Inglaterra. Lá eles são queimados para gerar eletricidade, para que o Reino Unido possa “cumprir suas metas de combustível renovável”.
Agricultura orgânica. Os ambientalistas sonham em converter toda a agricultura americana (e até mesmo global) em 100% orgânica. No entanto, isso reduziria ainda mais os habitats da vida selvagem – drasticamente – especialmente se quisermos eliminar simultaneamente a fome no mundo … e substituir os petroquímicos organicamente.
As fazendas orgânicas exigem até 30% mais terra para alcançar os mesmos rendimentos que a agricultura convencional, e a maior parte da terra necessária para que isso aconteça agora são florestas, campos de flores silvestres e pastagens. Eles rejeitam os pesticidas químicos modernos que impedem que bilhões de toneladas de alimentos sejam consumidos ou arruinados, mas utilizam pesticidas tóxicos à base de cobre, enxofre e nicotina. Eles até rejeitam a biotecnologia (engenharia genética) que cria culturas resistentes à praga, requerem menos água, permitem o plantio direto, precisam de menos tratamentos com pesticidas e trazem rendimentos muito mais altos por acre. Tradução: ainda menos habitat da vida selvagem.”
O que precisa ser entendido, urgentemente, é que a agricultura orgânica é um nicho de mercado como tantos outros e é preciso proteger não apenas os habitats da vida selvagem, dos insetos, dos pássaros e os nossos próprios habitats enquanto seres humanos e à nossa alimentação, se quisermos sobreviver como espécie. Não tenho nenhum interesse em ser cruel, mas é sempre bom lembrar que o planeta sobreviverá conosco ou sem nós. “Acontecimentos futuros projetam antes suas sombras” – Thomas Campbell, poeta escocês.
*Consultor em Agronegócio

