Apocalypse now

Gil Reis*
Mais uma vez é necessário desmentir a pregação dos ambientalistas extremados, terroristas climáticos etc. Há décadas, os fenômenos naturais vêm sendo usados e abusados como argumentos para justificar as acusações assacadas de que os seres humanos são os ‘assassinos do planeta’. As monstruosas acusações contra a humanidade, bem trabalhadas pela grande mídia ocidental e por cientistas bem remunerados, criaram no imaginário popular uma espécie de ‘Apocalypse now’ que precisa ser desmentido e desmistificado.
Meses atrás, precisamente no dia 10 de junho deste ano, o site CaféPoint publicou matéria sob o título “La Niña estará ativo durante safra 2022/2023 de café do Vietnã, Guatemala e Colômbia” que provocou uma festa no curral ambiental:
“Um novo relatório da hEDGEpoint Global Markets avalia os impactos do La Niña em diversas culturas agrícolas, entre elas o café. O fenômeno ocorre desde dezembro e influencia o clima em vários países, com previsão de enfraquecer em julho e 60% de chance de ficar ativo até o fim do ano, depois do trimestre junho-agosto.
No café, a produtividade da safra brasileira em 2021/2022 foi 19% menor em comparação ao ano anterior, de bienalidade negativa, (19/20). Por causa dos efeitos do La Niña, a produtividade do café caiu”, indicou Natália Gandolphi, analista de Café da hEDGEpoint Global Markets.
‘É importante destacar que o La Niña estará ativo durante o desenvolvimento da safra 22/23 nos países como o Vietnã, Guatemala e Colômbia’, acrescenta. O Vietnã é o segundo maior produtor de café do mundo, com cerca de 30 milhões de sacas por ano. O Brasil lidera o ranking com mais de 60M sacas/ano, ou cerca de um terço do total produzido globalmente (169, 3M sacas).”
Em outro artigo, publicado na mídia em 11 de 7 de 2016, sob o título “Afinal, qual é a causa do El Niño?”, Richard Jakubaszko mostra o que são os fenômenos naturais “La Niña e El Niño”:
“O questionamento do título é necessário, porque os meteorologistas discutem há anos sobre o El Niño e não existem ainda conclusões que estabeleçam uma rota lógica ou um consenso das causas. Em síntese, grosso modo, sabe-se que o El Niño acontece porque com alguma regularidade inexplicável as águas do Pacífico esquentam, enquanto a La Niña é provocada pelo resfriamento dessas mesmas águas. Pois agora o físico e meteorologista Luiz Carlos Baldicero Molion, parece-me que botou o ovo em pé, e apresenta no artigo abaixo* uma teoria plausível e estatística sobre a causa do El Niño, o que tornaria possível sabermos quando ele ocorrerá, e tomarmos as medidas preventivas possíveis. Mais uma comprovação, ao mesmo tempo, de que as causas do El Niño não são as ‘mudanças climáticas”. Sem dúvida alguma, a estatística é a mãe de todas as ciências”.
Gênese do El Niño* – Luiz Carlos Baldicero Molion
El Niño-Oscilação Sul (ENOS) é um processo geofísico que ocorre no Oceano Pacífico Tropical e é um exemplo admirável de interação oceano-atmosfera que interfere no clima global e regional. É constituído de dois componentes, o oceânico, denominado El Niño (EN) propriamente dito, e o atmosférico, a Oscilação Sul (OS).
O EN é caracterizado por anomalias positivas da temperatura da superfície do mar (TSM), ou seja, águas mais quentes que as normais se estabelecem no Oceano Pacífico Tropical Centro-Oriental, próximo à costa oeste da América do Sul. Quando as anomalias de TSM são negativas, dá-se o nome de La Niña à fase fria do EN.
A OS é a variação zonal da pressão atmosférica ao nível do mar (PNM) sobre o Pacífico Tropical, medida tradicionalmente em dois centros, Tahiti (Polinésia, Pacífico Oriental) e Darwin (Austrália, Pacífico Ocidental) e é quantificada por sua diferença padronizada entre esses dois centros com que se define o Índice da Oscilação Sul (IOS). Em geral, índices negativos, em que a PNM é mais baixa no Pacífico Centro-Oriental que no Pacífico Ocidental, coincidem com eventos El Niños, enquanto índices positivos, em que as diferenças de PNM são contrárias, correspondem a eventos La Niñas.
Acredita-se que os impactos do processo geofísico sejam conhecidos, porém sua origem ainda não está bem estabelecida. A hipótese mais aceita é que o Pacífico Tropical, dada sua extensão, tenha uma frequência natural de oscilação resultante da interação entre os campos de PNM, e ventos associados, e as águas do oceano. Devido às PNM altas na costa oeste da América do Sul, os ventos Alísios sopram forte de Leste para Oeste, arrastam as águas que se aquecem nesse trajeto e se acumulam na região Austrália/Indonésia, formando a chamada “piscina de água quente do Pacífico Ocidental”, associada às PNM mais baixas.
Na costa oeste da América do Sul, essa retirada das águas superficiais provoca ressurgência de águas frias, ou seja, águas profundas sobem à superfície para repor as que estão sendo arrastadas, fazendo que essa região apresente TSM cerca de 10°C mais frias que as do Pacífico Ocidental e apresente PNM mais altas. A diferença de PNM entre o Leste e o Oeste é responsável pela persistência dos ventos Alísios. As águas, ao se acumularem no Oeste, empurram as camadas inferiores do oceano local para baixo, um efeito semelhante a comprimir uma mola.”
O artigo esclarece que La Niña e El Niño são fenômenos naturais que independem das ações humanas. A mitomania dos ambientalistas é uma fogueira alimentada por teses irreais e bem remuneradas. A sanha dos ambientalistas é tão grande que passam a atribuir a autoria de todos os fenômenos naturais aos seres humanos.
É preciso sempre lembrar, como já escrevi em ocasiões anteriores, que os conhecimentos de uma era são encarados como verdades definitivas e perenes. Porém, a história nos mostra que tais conhecimentos sempre são suplantados pelos de eras futuras na medida que a humanidade evolui.
*Consultor em Agronegócio

