Agricultura digital para a sustentabilidade real

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Édson Bolfe, pesquisador da Embrapa – Foto: Embrapa/Arquivo

Édson Bolfe*

Projeções recentes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento indicam que a produção brasileira de grãos passará dos atuais 236 para 300 milhões de toneladas e a de carnes de 26 para 33 milhões de toneladas em 2028/2029. Significam um acréscimo de quase 30% no período. Também é crescente a produção de celulose, frutas, leite, açúcar e outros. Esse aumento deverá continuar em função da produtividade e a transformação digital é um dos fatores determinantes para a maior sustentabilidade da produção.

A chamada agricultura digital eleva as interações entre os elos das cadeias produtivas. Ajuda a resolver uma equação complexa, em que é preciso produzir mais alimentos, fibras e energia com menos solo, água e insumos. Essa agricultura 4.0 pode ser entendida como interdisciplinar e transversal, não limitada a regiões, cultivos ou classe social. São incontáveis as aplicações de tecnologias de informação e comunicação, que englobam a internet das coisas, robótica, automação, análise de base de dados, sensores de campo, satélites, microssatélites e drones. Essa evolução vem tornando cada vez mais frequentes no vocabulário dos produtores rurais termos como agricultura de precisão, georreferenciamento, mapas de produtividade, índices de vegetação, aplicação a taxa variável, monitoramento espacial, aplicativos móveis e máquinas e implementos conectados.

Na vanguarda da transformação digital entram em campo institutos de pesquisa, universidades, fundações, empresas e startups ofertando soluções disruptivas a problemas antes cristalizados. Entre elas, o uso da inteligência artificial que antecipa o planejamento e decisões do agricultor. O processamento de dados em nuvem que apoia a tomada de decisão em tempo real. A economia digital com criptomoedas que impulsiona cooperativas virtuais e plataformas digitais para novos mercados. As aplicações também são fundamentais na gestão da propriedade com zoneamento agrícola, cadastro ambiental rural, indicação geográfica, certificações e georrastreabilidade.

A demanda de alimentos é crescente em quantidade e qualidade. Os desafios para o Brasil assumir definitivamente o papel de protagonista na produção sustentável certamente passam por maiores investimentos públicos e privados em ciência, inovação, empreendedorismo, infraestrutura de conectividade e capacitação profissional em agricultura digital.

*Pesquisador – Embrapa Informática Agropecuária

**Artigo originalmente publicado no jornal Zero Hora-RS no dia 3 de novembro de 2019

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