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O caminho do futuro

 Gil Reis*

Hoje a humanidade, conduzida por falsos profetas, caminha a passos largos em direção a uma nova ‘idade média’ – uma nova era de ‘obscurantismo’. As lideranças mundiais se tornam cada vez mais ‘absolutista’. Nunca é demais lembrar que a democracia surgiu para proteger o povo dos déspotas absolutistas, que possuíam poderes absolutos, poderes quase divinos de vida e morte sobre os seres humanos que viviam sob seus domínios.   

O Velho Continente, do qual herdamos todos os nossos defeitos e onde a maioria dos países são governados por lideranças absolutistas, sente-se novamente o dono do mundo. Os sintomas são claros: tais lideranças se imbuíram de poderes imperiais criando medidas e fazendo escolhas à revelia da vontade de seus povos e repassando para eles os custos das loucuras cometidas, apesar de disfarçados de democratas, usando como arma de domínio o proselitismo de suas ideias danosas e esdrúxulas.

Leiamos trechos de matéria publicada pelo UOL, no dia 4 de janeiro deste ano, sob o título “Salvem os padeiros! Pão vira símbolo da luta contra a inflação e a crise energética na França”:

“Em um contexto de crise energética e inflação na Europa, um produto recebe especial atenção: o pão. O processo de fabricação da baguete, que exige muita energia, é tratado em reportagens nos principais jornais franceses nesta quarta-feira (4). Este alimento básico estampa a capa do Le Parisien, que afirma: ‘É preciso salvar os padeiros’. A reportagem se refere aos esforços anunciados pelo governo francês, na terça-feira (3), a fim de apoiar cerca de 33 mil padarias que se preocupam com a explosão dos preços de suas contas de luz. A oposição, sublinha o diário da capital francesa, não perderá a oportunidade de tirar proveito dessa insatisfação do setor.

Uma fornada de pães também ilustra a primeira página do jornal Les Echos, que enumera alguns dos principais desafios em 2023 para pequenos e médios empresários, como o grande aumento dos custos de produção, a escassez de mão de obra e as reivindicações salariais, que já se traduzem em uma substancial queda da atividade econômica nas últimas semanas. Nesse cenário, a inquietude dos padeiros, fortemente apoiada pela mídia, já rendeu um adiamento no prazo de pagamento dos impostos e uma política de parcelamento de tributos neste segmento.  

Para a confederação empresarial nacional que representa os interesses do setor de produção de pães e doces, não faltam argumentos para que o governo se mobilize a seu favor: o segmento serve 12 milhões de clientes por dia e faz parte da vida dos franceses. Além disso, é um paradoxo que tantos padeiros estejam fechando suas portas no momento em que a baguete francesa acaba de se tornar um patrimônio imaterial da Unesco. ”

Em um mundo em que, volta e meia, alguns governantes ‘absolutistas’ do dito ‘mundo ocidental’, procuram reprimir a iniciativa privada sob o sonho ilusório de que o ‘papai governo’ é capaz de resolver os problemas de seus povos, esquecendo-se que governo não gera empregos, nem produz renda ou distribui riquezas. Na realidade, apenas produz políticas públicas e arrecada impostos. A realidade é outra: gerar empregos, renda e distribuição de riquezas é uma atribuição das empresas privadas. E trabalhadores, servidores, colaboradores (como quiserem denominar) são umbilicalmente ligados às empresas, assim como elas são ligadas a eles.

Outro engano cometido por todos os governantes é achar que o rico dinheirinho de seus povos, arrecadado através de impostos, taxas ou quaisquer outros tributos, é ‘dinheiro público’, como se tivesse ‘caído do céu’ por obra e graça do ‘Espírito Santo’. A realidade nos defronta com a verdade: trata-se de ‘dinheiro do público’. Assim sou obrigado a trazer de volta os ensinamentos da filósofa russa Ayn Rand, que no passado contribuiu para o relacionamento entre as empresas privadas e o governo americano, em sua obra a ‘Revolta de Atlas’. Caro leitor, para que não fiquemos apenas com a minha opinião, trago à colação o que pensam algumas lideranças das empresas privadas brasileiras sobre a obra:

“Dificilmente uma obra irá colocar de forma tão clara e transparente o conflito entre o Estado e a iniciativa privada, uma realidade ainda atual em muitas sociedades. Em seu esforço de empreender, gerar empregos e produção, o empresário se depara com um Estado burocrático que limita suas ações. Várias obras históricas retratam essa mesma temática, mas somente o texto primoroso de Ayn Rand destaca o sofrimento humano gerado por todo este processo.” – Jorge Gerdau Johannpeter, Presidente do Conselho de Administração da Gerdau.

“A crise de 2007 e 2008 trouxe de volta a ameaça do Estado totalitário, controlador, pesado, burocrático e opressor. John Galt é a resposta a este leviatã. A longo prazo é o capitalismo que proporcionará mais riqueza e bem-estar” – Salim Mattar, Presidente do Conselho de Administração e CEO da Localiza Rent a Car S/A.

O caminho para a nova ‘idade média’ está sendo aberto e pavimentado à ferro e fogo pela nova ideologia/religião que aos poucos vai engolindo as velhas ideologias e religiões que, certas ou erradas, eram voltadas para o bem-estar humano. Já a nova ideologia/religião ambientalista deixa as pessoas em segundo plano em relação ao planeta, como se pudéssemos separar a nossa sobrevivência de todos dos recursos naturais que temos à nossa disposição. A grave consequência do que vem sendo proposto significa um enorme salto involutivo nos levando a uma danosa volta ao passado em direção a uma ‘nova era obscurantista’.

O raciocínio dos pregadores do ambientalismo é bastante intrincado, porque desenvolvem uma lógica capaz de deixar perplexas todas as pessoas inteligentes. Li em algum lugar uma historinha que demonstra as narrativas absurdas criadas pelos ambientalistas: Havia um homem que se sentava todo dia olhando para a estreita abertura vertical deixada por uma tábua retirada de uma cerca de madeira. Todo dia, um asno selvagem do deserto passava do outro lado da cerca, cruzando na frente da abertura, primeiro o focinho, depois a cabeça, as patas dianteiras, o longo dorso castanho, as pernas traseiras e finalmente a cauda. Um dia, o homem pulou com a euforia da descoberta em seus olhos e gritou para todos que pudessem ouvi-lo: “É óbvio! O focinho é a causa da cauda.”

*Consultor em Agronegócio

AGROemDIA

O AGROemDIA é um site especializado no agrojornalismo, produzido por jornalistas com anos de experiência na cobertura do agro. Seu foco é a agropecuária, a agroindústria, a agricultura urbana, a agroecologia, a agricultura orgânica, a assistência técnica e a extensão rural, o cooperativismo, o meio ambiente, a pesquisa e a inovação tecnológica, o comércio exterior e as políticas públicas voltadas ao setor. O AGROemDIA é produzido em Brasília. E-mail: contato@agroemdia.com.br - (61) 99244.6832

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