A incrível evolução cerebral

Gil Reis*
Existe uma lenda que diz que a capacidade do nosso cérebro decai com a idade. Ledo engano. Tal lenda vem sendo divulgada há muito e não sei com que intenção. Apesar do que vem sendo dito ao longo dos anos e espalhado de “Ceca a Meca”, nós que ultrapassamos os 60 e que acreditávamos em tal informação, temos sido surpreendidos com o aumento da nossa capacidade cerebral. Afinal, chegamos à conclusão que vimos sendo enganados ao longo do tempo por mais uma falsa informação, o que não é nenhuma novidade em um mundo que se alimenta diariamente de falsas informações ou omissão de informações.
Ao longo dos anos, cientistas sérios de todo o planeta, que vêm estudando o cérebro humano, têm chegado a um resultado surpreendente: as capacidades cerebrais aumentam com a idade. O jornalista Cris Arcangeli, usando como fonte o ‘New England Journal of Medicine’, publicou em 10 de fevereiro de 2022 reportagem com o título “A incrível capacidade do cérebro depois dos 60 anos”. Transcrevo alguns trechos:
“O diretor da George Washington School of Medicine and Health Sciences (Faculdade de Medicina e Ciências da Saúde da Universidade de Washington) fez um pronunciamento importantíssimo para nós, jovens com mais de 60 anos: ele anunciou que o cérebro de uma pessoa idosa é muito mais prático do que se acreditava até agora. Faz tempo que não me animava tanto com uma notícia. Principalmente porque veio de uma universidade que está situada entre as líderes mundiais em educação e pesquisa.
Vamos detalhar a boa nova: por volta dos 60 anos de idade, a interação dos hemisférios direito e esquerdo do cérebro torna-se harmoniosa, o que expande nossas possibilidades criativas. Assim podemos entender por que encontramos muitas personalidades que começam a exercer atividades criativas por volta desta idade. Além disso, ao atingir esta faixa etária, as pessoas conseguem usar os dois hemisférios ao mesmo tempo, o que permite a resolução de problemas muito mais complexos. Não temos como contestar que, com a idade, nosso cérebro perde a rapidez que tinha na juventude, porém há uma vantagem enorme: ele ganha em flexibilidade e nos oferece maior probabilidade de tomarmos decisões certas e de estarmos menos expostos a emoções negativas.
Você sabia que entramos no pico da atividade intelectual humana mais ou menos aos 70 anos? É quando nosso cérebro começa a funcionar com força total. A explicação científica vem de uma substância chamada mielina, cuja quantidade aumenta em nosso cérebro com o tempo, e facilita a passagem rápida de sinais entre os neurônios, aumentando em 300% as habilidades intelectuais.
Algumas características do cérebro com idade entre 60 e 80 anos comprovam estes dados. Ah… ele é realmente rosado! Os neurônios não morrem, como parece ser um consenso geral. O que acontece é que as conexões entre eles acabam desaparecendo naquelas pessoas que não se envolvem em trabalhos mentais nesta faixa etária. A distração e o esquecimento acontecem por causa do excesso de informações. Mais um motivo para não nos concentrarmos em ninharias desnecessárias e praticarmos o que podemos chamar de desapego mental. A partir dos 60 anos as pessoas conseguem tomar decisões muito mais coerentes, pois não utilizam somente um ou outro hemisfério do cérebro: conseguem utilizar ambos ao mesmo tempo.
Podemos concluir que os chamados idosos que levam um estilo de vida saudável, se movem, praticam atividades físicas viáveis e mantêm plena atividade mental, NÃO têm suas habilidades intelectuais diminuídas com a idade. Ao contrário, elas até CRESCEM, podendo até atingir um pico entre os 80 e 90 anos. Minha decisão pessoal, e que recomendo a todos é: não tenham medo da velhice. Esforcem-se para se desenvolverem intelectualmente. Aprendam novos trabalhos manuais, façam música, aprendam a tocar instrumentos musicais, pintem quadros! Dancem! Interessem-se pela vida, encontrem-se e se comuniquem com amigos, façam planos para o futuro, viajem da melhor maneira que puderem. Não deixem de ir a lojas, cafés, shows. Não se calem sozinhos: isso é destrutivo para qualquer pessoa, independentemente da idade.”
É espantosa a conclusão dos cientistas que fazem parte do corpo docente de instituições de ensino superior respeitadas mundialmente. Quando cientistas sérios, que não estão a serviço de grupos econômicos ou organizações interessadas em promover o pânico usando como técnica de dominação teses ‘estapafúrdias e esdrúxulas’ que não resistem à análise do mundo científico e estudam seriamente assuntos em benefício dos seres humanos, os resultados são realmente espantosos pela sua fácil comprovação.
Com os avanços da medicina e a crescente longevidade da humanidade, há um aumento considerável de pessoas que ultrapassaram os 60 anos. Nascem assim, finalmente, os seres humanos que não são simplesmente membros da espécie dominante do planeta e passam a honrar a definição pretenciosa de ‘homo sapiens’. Lamentavelmente, a maioria nos encara apenas como pessoas frágeis dignas apenas de cuidados e atenção em virtude da nossa deterioração física.
Fico impressionado com a facilidade que a maioria de nós acredita e nos deixamos influenciar por mentiras e lendas que no futuro serão consideradas danosas por meramente, apontar causas facilmente contestadas de problemas repetitivos que afligem o nosso planeta oriundos de um processo natural, em de desenvolver soluções viáveis para defesa da humanidade.
O jornalista encerra a reportagem com um conselho para todos nós: “Vivam de acordo com o pensamento: todas as coisas boas ainda estão a minha frente!”
*Consultor em Agronegócio
**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do AGROemDIA

