A nova ordem mundial e o setor rural

Gil Reis*
O ocidente continua a agir como aquele menino teimoso e raivoso que, ao ser contrariado, bate os pés e insulta os pais, numa atitude que culmina com uma boa ‘surra’ – desculpem, estou falando do passado; no mundo atual, a ‘surra’ está fora da cartilha educacional. Pois é, o ocidente onde habitamos, por mero acidente geográfico, que nos seduziu ao longo de nossa reduzida história, que se limitou a promessas vazias, entrou em decadência e quer que o acompanhemos. Assim como nós, o resto do mundo, despertando para a nova realidade, começa a quebrar os grilhões da escravidão.
Para não ser acusado de escrever muito, deixo as explicações sobre a nova ordem mundial a cargo de Terry Etam que, publicou, no dia 4 de abril deste ano, o artigo “Uma nova ordem mundial de energia está se construindo, rápido” no site BOE Report. Transcrevo trechos:
“Aqui no estranho oeste, onde deixamos de lado nossa vasta riqueza, recursos abundantes, proezas tecnológicas, os melhores estabelecimentos médicos/de segurança da história e outras vitórias existenciais variadas para entrar em brigas sobre se mais racismo eliminará o racismo e quem pode ir para o banheiro, onde estamos acostumados a assistir a conflitos antigos ocorrendo do outro lado do mundo, balançando a cabeça e nos perguntando ‘Por que eles não podem simplesmente se dar bem’ ou ‘Bem, isso é inaceitável, melhor intervir.’
O estranho oeste há muito se envolveu em muitos desses conflitos por causa do petróleo. Tem sido assim desde a década de 1950, provavelmente há mais tempo; a sede insaciável do Ocidente por hidrocarbonetos levou a muitas travessuras internacionais e relacionamentos estranhos. Os consumidores realmente não se importam com grandes coisas geopolíticas em sua vida cotidiana e não estão realmente assustados com o clima (com exceção do beco do tornado). Mas os preços da gasolina estão em todos os cartazes enormes em todas as cidades de todos os estados; nada mais tem seu preço jogado na sua cara com tanta veemência. E esses consumidores realmente se revoltam quando os preços da gasolina ficam muito altos. Para mostrar a seriedade com que os políticos levam isso, os EUA esgotaram a reserva estratégica de petróleo no ano passado com o único propósito de reduzir os preços domésticos da gasolina antes de uma eleição.
Mas nuvens de tempestade estão no horizonte para a ordem de superpotência existente. No fim de semana passado, a OPEP – liderada pela Arábia Saudita – anunciou outro corte de produção em uma tentativa de sustentar os preços do petróleo. Agora, por si só, isso não é grande coisa; A OPEP/sauditas vêm fazendo isso há décadas (tanto cortes reais quanto falsas acusações). Mas esse corte foi um grande negócio – foi enorme, possivelmente 1,6 milhão de barris por dia (provavelmente menos, mas ainda assim significativo), e foi diretamente contra o governo dos EUA, que quer ver mais petróleo, e não menos. O aumento dos preços do petróleo é como um novo imposto para todos, um imposto que atinge mais os pobres, e os políticos raramente querem ser associados a isso.
A aliança BRICS – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – aparentemente não está mais disposta a ficar de braços cruzados e deixar alguém ditar como seu mundo irá (por assim dizer). Eles estão flexionando seus músculos e trazendo outras nações também. Os seguintes países manifestaram interesse em ingressar no BRICS – Irã, Arábia Saudita, Argentina, Emirados Árabes Unidos, Argélia, Egito, Bahrein e Indonésia, juntamente com duas nações da África Oriental e uma da África Ocidental, de acordo com um artigo da Bloomberg. Fala-se de que o México também quer se juntar, o que é um trovão, considerando a fronteira com vazamentos que compartilha com os EUA.
Assim como nós, o resto do mundo, despertando para a nova realidade, começa a quebrar os grilhões da escravidão”
Mas caramba, olha o que acabou de acontecer. A China acaba de negociar um acordo de paz entre a Arábia Saudita e o Irã. Bem, talvez não seja um acordo de paz, isso seria uma grande conquista, mas conseguiu restabelecer os laços diplomáticos e fez um progresso incrível na cura desse relacionamento, o que parece ainda mais bizarro do que se o Dr. Phil realmente fizesse isso pela primeira vez.
A questão é que o eixo do mundo está mudando. A Europa Ocidental e os EUA não dão mais as ordens; os velhos poderes que passam um século ou dois civilizando e esculpindo o mundo para sua satisfação não podem mais estar no banco do motorista. Mil livros poderiam ser escritos sobre esse assunto, mas aqui estou me atendo ao aspecto da energia porque, você sabe, este é o BOE Report.
Adotamos planos grandiosos para desenvolver nossas próprias cadeias de suprimentos de minerais críticos, agindo completamente alheios ao fato de que segmentos de nossa própria cidadania protestarão contra qualquer nova aplicação de mina, contra qualquer novo grande desenvolvimento de infraestrutura, contra qualquer novo e uma indústria de processamento de metais/minerais hostil ao meio ambiente que os chineses atualmente controlam e sem a qual não podemos fazer nada.
No resto do mundo, onde centenas de milhões ficariam em êxtase por ter uma geladeira, suas aspirações são um pouco mais fundamentadas e menos insanas. Esse vasto grupo, aquele que luta pela sobrevivência e vê uma chance de um futuro melhor ao ingressar no BRICS, tem uma visão muito diferente sobre qual é sua emergência mais premente. Não descarte os BRICS como o ‘mundo em desenvolvimento’ ou qualquer outro rótulo que gostemos de rabiscar na testa por capricho; o grupo BRICS, mesmo sem todos os novos recrutas, superou o G7 em PIB. O grupo fundador do BRICS tem uma população combinada de bem mais de 3 bilhões, contra menos de um bilhão no ‘ocidente’, o que significa muitos consumidores, um mercado muito grande e uma boa parte dos recursos mundiais.”
Após a leitura do artigo de Terry Etam, é muito difícil resistir à tentação de escrever um pouco mais. Não apenas sobre uma nova ordem mundial se delineia, mas sim sobre um novo mundo, parcialmente explorado por nós. Não discutirei o mérito da nova ordem mundial, reconheço que ela se baseia na fórmula mágica de reduzir a população do planeta extinguindo a pobreza através da fome. Diante da realidade que nos defrontamos hoje, onde o ser humano foi retirado como ponto principal da equação sobrevivência pela nova ideologia ambientalista ou ecologismo teatral, somente me resta torcer para que o novo caminhar do mundo ocidental não nos atinja.
Caso o Brasil não venha a aderir à nova ordem mundial, continuaremos como alvo prioritário de todas as perseguições ambientais do ocidente, pelo simples fato de aumentarmos as nossas exportações, principalmente de alimentos, para o resto do mundo. Paralelamente as ONGs internacionais estacionadas em nosso território continuarão a trabalhar com a única finalidade de nos vigiar e promover campanhas contra o nosso mundo rural, impedindo o nosso desenvolvimento e a nossa produção rural. Vamos torcer para que as nossas autoridades não promovam a adesão à nova ordem e também passem a nos atacar.
Enquanto isso vai um conselho:
“A lição é a seguinte: nunca desista, nunca, nunca, nunca. Em nada. Grande ou pequeno, importante ou não. Nunca desista. (…) Nunca se renda à força, nunca se renda ao poder aparentemente esmagador do inimigo”. – Winston Churchill, militar, estadista e escritor britânico que serviu como primeiro-ministro do Reino Unido de 1940 a 1945, durante a Segunda Guerra Mundial, e novamente de 1951 a 1955.
*Consultor em Agronegócio
**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do AGROemDIA

