Carne bovina: Abiec diz à Febraban que frigoríficos têm políticas contra desmatamento

Do Broadcast
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) divulgou nota técnica nesta terça-feira (30) sobre a nova exigência no sistema bancário, aprovada pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), para que frigoríficos contratem crédito. A partir de agora, os bancos brasileiros só poderão conceder empréstimos para frigoríficos e matadouros que comprovarem que não compram gado de abate proveniente de áreas de desmatamento ilegal da Amazônia e do Maranhão.
A decisão vale para fornecedores diretos e indiretos de gado e faz parte de um protocolo comum de autorregulação para a cadeia de carne bovina, aprovado pela Febraban para combater o desmatamento na região.
Para a Abiec, o setor de frigoríficos já assume suas responsabilidades (na contenção do desmatamento na cadeia pecuária bovina). “Mas não aceitamos que outros setores terceirizem as suas responsabilidades para os frigoríficos”, enfatiza a nota técnica, acrescentando que a entidade considera que, “no esforço de combate a crimes ambientais como desmatamento ilegal e lavagem de gado, é fundamental a atuação do poder público e a participação de diferentes segmentos do setor privado, incluindo o setor financeiro”.
Nesse sentido, a Abiec considera que as áreas de compliance e due diligence dos bancos deveriam adotar, em relação a todos os seus correntistas, “inclusive proprietários rurais”, os mesmos critérios socioambientais já implementados pela indústria de processamento de carne bovina, “e não apenas para concessão de crédito”. A associação lembra que “os fornecedores indiretos da indústria são clientes diretos de bancos, portanto é responsabilidade dessas instituições conhecer o seu cliente”.
Os associados da Abiec monitoram a cadeia produtiva desde 2009, lembra a entidade. “Hoje, entre nossos associados, temos aproximadamente mais de 20 mil fornecedores bloqueados por inconformidades socioambientais”, ressalta. “Os frigoríficos cortam relações comerciais com esses fornecedores, mas é possível que eles continuem tendo relações comerciais com o setor financeiro”, alerta, na nota técnica, e lembra que os frigoríficos associados vêm desenvolvendo, nos últimos anos, políticas “que vão além de monitorar e bloquear”. “Estamos trabalhando em conjunto com os pecuaristas que podem regularizar sua situação ambiental, para trazê-los de volta à cadeia produtiva”, prossegue, e recomenda aos bancos que tal iniciativa “precisa entrar” na agenda do setor, “dado que na maioria das vezes essa regularização exige investimentos”.
Sob este aspecto, a Abiec informa que algumas empresas associadas “já trabalham em parceria com bancos para oferecer financiamentos para essas iniciativas”. “Essa discussão precisa ser ampliada e estamos dispostos a isso. A Abiec está disposta a cooperar com a Febraban para a melhoria contínua do setor e para oferecer sua expertise no desenvolvimento de critérios adicionais que regulem todo relacionamento dos bancos com proprietários de terras desmatadas ilegalmente, invasores de terras públicas e de territórios indígenas”, ressalta, informando ainda que a Abiec “apoia todas as iniciativas que aumentem os padrões de sustentabilidade em todos os elos da cadeia da pecuária brasileira”.

