Esperanças de ano novo

Gil Reis*
O que esperar do novo ano que se inicia? Vejam bem já começo: o texto tem o verbo ‘esperar’, é isto, aí em todos os novos anos esperamos sempre o melhor para a nossa vida. Este é o verdadeiro significado da expressão ‘ESPERANÇA’, que deveria ser grafada sempre em ‘caixa alta’ (letras maiúsculas). As esperanças que depositamos no início de todos os anos não é nada diferente das esperanças que depositamos todos dias quando acordamos. A única diferença que vejo é a proposta de mudanças nos nossos comportamento para que possamos torná-las reais. Lembro bem o que diz Lair Ribeiro: ‘Esperar resultados diferentes fazendo as mesmas coisas é pura insanidade’.
Para descrever os sentimentos sobre esperanças transcrevo trechos de uma fábula encontrada na internet:
“Quatro velas estavam queimando ruidosamente, calmamente. O ambiente estava tão silencioso que podia-se ouvir o diálogo que travavam. A primeira vela disse:
– Eu sou a Paz! Apesar de minha luz as pessoas não conseguem manter-me, acho que vou apagar. E diminuindo devagarzinho, apagou totalmente.
A segunda vela disse:
– Eu me chamo Fé! Infelizmente sou muito supérflua. As pessoas não querem saber de mim. Não faz sentido continuar queimando. Ao terminar sua fala, um vento levemente bateu sobre ela, e esta se apagou.
Baixinho e triste a terceira vela se manifestou:
– Eu sou o Amor! Não tenho mais forças para queimar. As pessoas me deixam de lado, só conseguem se enxergar, esquecem-se até daqueles à sua volta que lhes amam. E sem esperar apagou-se.
De repente… entrou uma criança e viu as três velas apagadas.
– Que é isto? Vocês deviam queimar e ficar acesas até o fim. Dizendo isso começou a chorar.
Então a quarta vela falou:
– Não tenha medo criança. Enquanto eu queimar, podemos acender as outras velas. Eu sou a Esperança. A criança com os olhos brilhantes, pegou a vela que restava e acendeu todas as outras…”
O texto é sensacional quando nos faz ciente que a paz, fé e o amor sempre e somente existirão enquanto houver esperanças. Há uma enorme condição para que as esperanças se concretizem, é necessário que alteremos os nossos comportamentos e ações. Para que mudemos é preciso seguir o que diz o que diz um grande poeta brasileiro:
“Para ganhar um ano novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo. Tem de fazê-lo de novo. Sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre” — Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), poeta, contista e cronista brasileiro, considerado por muitos o mais influente poeta brasileiro do século XX.
*Consultor em Agronegócio
**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do AGROemDIA

