Descarbonizar ou sabotar, eis a questão
Gil Reis*
Tenho acompanhado muito de perto as perseguições ao agro brasileiro estou cada vez mais convencido que não se trata de descarbonização, mas sim de sabotagem. Já expus diversas vezes as razões para pensar em sabotagem. Afinal, o dito mundo ocidental não se conforma com o fato de um país ex-colônia (cada vez mais se assemelhando à neo colônia) possa concorrer de forma tão competente no mercado internacional, superando os seus antigos donos. Como não existe forma de expulsar um concorrente tão perigoso, de crescimento tão rápido e eficaz, a solução foi atacar a produção. Lamentavelmente (poucos estão atentos para esse fato) a nossa legislação vem sendo cada vez mais orientada pelas convenções internacionais que assinamos.
Recentemente recebi em um dos grupos de WhatsApp que participo um artigo assinado por pelo engenheiro agrônomo e produtor rural Almir Rebelo e pelo engenheiro agrônomo Giorgio Pivetta de Oliveira sob o título “Descarbonização da agropecuária: a maior fake news da história!”, com números impressionantes. Transcrevo trechos.
“Viver a virada do milênio foi um privilégio e uma benção! Assim como foi acompanhar a grande REVOLUÇÃO VERDE da Agricultura Mundial que iniciou a virada no Brasil de importador ao maior exportador de alimentos do mundo! O Brasil foi descoberto para ser o celeiro do mundo e garantir a Segurança Alimentar da Humanidade. Seu solo está protegido com a melhor tecnologia do mundo: O Sistema Plantio Direto na Palha! O casamento perfeito, Plantio Direto e Biotecnologia transformou o Brasil no maior produtor mundial de soja e assustou o Mundo! O Brasil levou 500 anos(1500-2000) para atingir a marca da produção de 100 milhões de toneladas de grãos. 15 anos (2000-2015) para atingir a marca de 200 milhões; 7 anos(2015-2022) para atingir a marca de 300 milhões de toneladas de grãos, cultivando apenas 7,8% de sua área total. A aprovação do Novo Código Florestal com os princípios ‘Produzir-Preservando’ e com a evolução da Ciência e Pesquisa Agronômica, em 2030 estaríamos com uma produção de 400 milhões de toneladas e em 2050 com 500 milhões de toneladas de grãos. Mas ‘eis que no meio desse caminho surgiu uma pedra’ – A Descarbonização da Economia, e da atividade Agropecuária! O mundo está de joelhos para a maior Fake News da história para a produção de alimentos, chamada MUDANÇAS CLIMÁTICAS, causada pelo Aquecimento Global, causado pelo Efeito Estufa, causado pela Emissão de Gases(GEE) cujo maior vilão acusado é o CO2 (Dióxido de Carbono) proveniente da queima de combustíveis fósseis(Diesel).
Nesse jogo de palavras, Sustentabilidade, Agricultura Sustentável virou uma mentira que precisa ser dita um milhão de vezes para se tornar verdade, criando uma dúvida se o mundo agrícola tem condições de sustentar as presentes e futuras gerações. No momento em que o Congresso Nacional Brasileiro, aprova Leis sobre Mudanças Climáticas, discute Projetos sobre regulação do Mercado de Carbono, não estamos tendo a oportunidade de mostrar como o Produtor Rural, a Agropecuária se relaciona na PRÁTICA com o CO2 (Dióxido de Carbono) o Gás da Vida, da Agropecuária Sustentável. Aprovam-se leis em obediência ao Ambientalismo e Agendas Internacionais. Observem o conceito de Crédito de Carbono ‘é uma moeda no mercado de carbono, onde 1 crédito de carbono equivale a 1 tonelada de CO2 que deixou de ser emitida para a atmosfera’. Apesar de que em alguma literatura, aparecem os termos emissão e remoção de CO2, na prática fala-se somente em diminuir emissões. No final de 2022, para a COP 27 no Egito, o SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa) formado por 77 ONGs ligadas ao Observatório do Clima do Brasil, divulgou que o Brasil em 2021 emitiu 2,42 bilhões de toneladas de CO2 na Atmosfera, emitidas pela atividade agropecuária, desmatamento e processos industriais. Desde 1972 com a Conferência de Estocolmo e em 1992 com a ECO 92, o Ambientalismo criou duas bandeiras para discutir as questões ambientais: Biodiversidade e Clima. A partir do Acordo de Paris que as Mudanças Climáticas estão dominando as ações globais contidas na Agenda 2030 com os 17 ODS e 169 metas que o mundo concentrou todas as suas forças para impedir o desenvolvimento da Agropecuária Brasileira.
Aprofundamos nossa pesquisa, com a quinta edição do livro Fisiologia das Plantas Cultivadas pelo Professor Elmar Luiz Floss em 2011, afirmando que em média 90% de toda matéria seca vegetal é composta de Carbono, Hidrogênio e Oxigênio. O Sistema Plantio Direto comemorou 50 anos de implantação no Brasil em 2022 e já consagrou o Professor João Carlos de Moraes Sá, do corpo técnico e científico da Federação Brasileira do Plantio Direto como uma das maiores autoridades do mundo nos estudos e pesquisa com o CARBONO e matéria orgânica no solo. Diante da acusação de que os Combustíveis Fósseis utilizados nas máquinas pelos Produtores Rurais, são os principais causadores do Efeito Estufa, e movimentos globais recomendam sua substituição, buscamos informações sobre quanto de CO2 é eliminado pela queima do Óleo Diesel, principal combustível utilizado pelas máquinas agrícolas. Entre várias referências encontramos um trabalho publicado pelo pesquisador Carlos H. R. de Carvalho, IPEA em 2011, citando publicação do IPCC que o Óleo Diesel emite 2,67 kg de CO2 por litro de diesel consumido. Continuando a busca de mais informações confiáveis, encontramos no site Notícias Agrícolas, matéria publicada em 24 de abril de 2012, com o título Soja Captura Mais Carbono que Florestas, com nosso Imortal Dirceu Gassen, ‘Para produzir 1 quilo de Carbono, a planta na Fotossíntese consome(sequestra) 3,66 kg de CO2’. Esses números, 2,67 e 3,66 kg de CO2 emitidos e sequestrados, são providencias para salvar a Agropecuária Brasileira. Encontramos coincidência nos números dos Pesquisadores Brasileiros: em média, 90% de toda a Matéria Seca Vegetal(MSV) é composta de Carbono, Hidrogênio e Oxigênio, que são trigêmeos siameses, não podem ser dissociados no processo”.
Em entrevista ao Poder 360, o secretário de Relações Internacionais da Prefeitura de São Paulo, Aldo Rebelo, disse nesta 4ª feira (10.jul.2024) que o Brasil vive uma espécie de bloqueio ambiental que impede o avanço de projetos como o da Margem Equatorial. Afirmou ainda que o país “tem um governo paralelo na Amazônia, das ONGs. Há um bloqueio ambiental que eu creio que a gente precisa enfrentar, que parte de dentro de instituições do estado brasileiro. Não podemos aceitar esse bloqueio.”
Aldo Rebelo afirmou ainda que é um contrassenso impedir a exploração de petróleo na Margem Equatorial, uma vez que países vizinhos já produzem na região. “O Brasil precisa remover os obstáculos para usufruir dessa riqueza de forma responsável, ambientalmente e socialmente. O caso da Amazônia, uma bacia de energia em todos os sentidos, mostra isso. O Brasil é bloqueado e o Estado brasileiro funciona com a esquizofrenia. Tem a parte do Estado que quer e o outro lado do Estado proíbe.”
“Na Natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma” – Lavoisier, um nobre e químico francês fundamental para a revolução química no século XVIII.
*Consultor em Agronegócio
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do AGROemDIA

