Disputa entre China e Europa por veículos elétricos
Gil Reis*
A super União Europeia, hoje combalida, está de joelhos perante a China e descobrindo o aforisma ‘quem não tem competência não se estabelece’. Há duas grandes certezas na vida – a morte e as mudanças – quem não se cuida morre, quem não acompanha as mudanças sai do mercado. A Reuters publicou a matéria, em 15 de outubro de 2024, “Rivalidade China-Europa esquenta no salão do automóvel de Paris à medida que tarifas de veículos elétricos se aproximam”, assinada por Nick Carey, que detalha o problema comercial que a UE enfrenta hoje. Transcrevo trechos.
“Montadoras chinesas e europeias se enfrentaram no salão do automóvel de Paris na segunda-feira, com tensões crescentes enquanto a UE se prepara para impor pesadas tarifas de importação sobre veículos elétricos fabricados na China e a indústria luta contra a fraca demanda. O evento deste ano – o maior salão de automóveis da Europa – acontece em um momento crucial. As fabricantes de automóveis europeias em dificuldades precisam provar que ainda estão no jogo, enquanto os rivais chineses buscam ganhar uma posição em um mercado competitivo.
No entanto, houve alguns pontos em comum, com executivos de ambas as regiões alertando sobre os perigos das tarifas da UE. ‘Quem paga a conta? Os consumidores. Então isso deixa as pessoas muito preocupadas. Isso impedirá que as pessoas mais pobres comprem’, Stella Li, vice-presidente executiva da gigante chinesa de veículos elétricos BYD, disse à Reuters.
Stellantis (STLAM.MI), o CEO Carlos Tavares alertou que as tarifas levariam as montadoras chinesas a instalar fábricas na Europa, aumentando o excesso de capacidade na região e levando alguns fabricantes locais a fechar fábricas. Nove marcas chinesas, incluindo BYD e Leapmotor, estão revelando seus modelos mais recentes no evento deste ano, de acordo com o CEO do salão do automóvel de Paris, Serge Gachot. É o mesmo que em 2022, quando elas representavam quase metade das marcas presentes. Este ano, elas representam apenas cerca de um quinto das marcas, graças a um desempenho muito mais forte da indústria automobilística europeia – um sinal de sua determinação em defender seu território.
No início deste mês, os estados-membros da UE apoiaram por pouco taxas de importação sobre veículos elétricos de fabricação chinesa de até 45%, destinadas a combater o que Bruxelas diz serem subsídios injustos de Pequim para fabricantes chineses. Pequim nega concorrência desleal e ameaçou medidas de combate. Embora as montadoras chinesas tenham criticado a medida da UE, elas estão avançando com os planos de expansão europeia e até agora nenhuma disse que aumentará os preços para cobrir os impostos.
GAC da China (601238.SS), disse à Reuters no domingo que o show marcou o lançamento de suas ambições europeias, enquanto o compatriota Leapmotor (9863.HK), disse na segunda-feira que pretendia ter 500 pontos de venda na Europa até o final de 2025. Fabricantes chineses de EV como a BYD até agora têm precificado seus veículos um pouco abaixo dos rivais europeus, dando a eles uma vantagem. Isso também ajudará a compensar margens mais baixas em casa. Como as montadoras japonesas e sul-coreanas antes delas, elas também estão promovendo melhores equipamentos e oferecendo mais recursos como padrão.
Novos participantes chineses como Dongfeng (0489.HK), Seres (601127.SS), e FAW (000800.SZ), também estão exibindo novos modelos enquanto buscam vendas de veículos elétricos no exterior para compensar o fraco mercado interno e a acirrada guerra de preços no país. A pressão para tentar manter os preços baixos também está presente na Europa, já que os fabricantes de veículos elétricos tentam diminuir a diferença com carros a gasolina mais baratos.
‘Minha visão pessoal é que atingiremos a paridade de preços na Europa em 2-3 anos. Todos, se vocês querem competir, precisam trabalhar duro para atingir esse objetivo’, disse o CEO da Leapmotor International, Tianshu Xin. As vendas de veículos de passeio na China aumentaram 4,3% em setembro em relação ao ano anterior, quebrando cinco meses de declínio com um impulso de um subsídio do governo para encorajar trocas como parte de um pacote de estímulo mais amplo. As vendas na Europa atingiram uma baixa de três anos em agosto.
Em outro golpe para o mercado de veículos elétricos, o governo francês disse na quinta-feira que reduziria seu apoio aos compradores de veículos elétricos, juntando-se à Alemanha, que encerrou seu esquema de subsídios no final do ano passado. As montadoras chinesas também precisam se sair bem na Europa porque foram excluídas do mercado americano.
Enquanto isso, as montadoras europeias estão passando por uma fase difícil, com a Volkswagen (VOWG_p.DE), Mercedes-Benz (MBGn.DE), BMW (BMWG.DE), todos emitindo alertas de lucro em grande parte por causa do fraco mercado chinês. A Stellantis cortou sua previsão de lucros por causa de problemas de estoque em seus negócios nos EUA. Tavares, da Stellantis, se recusou a descartar cortes de empregos ou alienação de marcas. ‘Precisaremos fazer grandes esforços’, disse ele, acrescentando que cabe aos clientes decidir quais marcas terão futuro.
A Volkswagen também está travando uma batalha com sindicatos poderosos sobre cortes de custos que podem levar ao fechamento de fábricas alemãs pela primeira vez e ao corte de milhares de empregos. Os europeus estão tendo dificuldades para competir com os custos mais baixos dos rivais chineses e sua capacidade de desenvolver novos veículos elétricos em apenas dois anos, pelo menos duas vezes mais rápido que as montadoras ocidentais tradicionais.
‘Os europeus têm enormes sinos de alarme tocando’, disse Phil Dunne, diretor administrativo da consultoria de estratégia Stax. “Eles reconheceram que precisam fazer algo bem radical e têm apenas alguns anos para fazer isso.”
Pois é os sinos de alarme europeus estão tocando e são enormes sinos. A União Europeia depois de passar décadas atacando a tudo e a todos no nosso planetinha, tentando se manter como colonialista esqueceu da Lei do Retorno e os contra ataques. Os adversários não estão mortos, reagem. A terceira lei de Newton, ou Princípio da Ação e Reação, é uma das três leis que regem a dinâmica newtoniana. Ela determina que toda força de ação empregada sobre um corpo provoca uma força de reação desse corpo sobre aquele que produziu a ação inicial, constituindo um par de ação e reação, com mesmo módulo e direção, mas sentidos diferentes.
Hoje a UE vem provando, diariamente, o seu próprio veneno. Está tentando estabelecer a mal fadada ‘due dilligence’ e, creio que a mais efetiva reação deverá vir aqui da nossa ‘terrinha’ com o PL que tramita no Senado sobre ‘Reciprocidade’ de autoria do Senador paraense Zequinha Marinho. Apesar da reciprocidade parecer novidade não é. No terreno das regras sanitárias a OMC há muito estabeleceu a reciprocidade. Realmente há uma novidade – agora na área ambiental.
“Na área empresarial não há planícies, somente ladeiras, quem não está subindo está descendo”. Anônimo.
*Consultor em Agronegócio
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do AGROemDIA
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Nós na eurpoa nao vamos aceitar chinesices! Acabou-se! Preferimos nao ter! Game over para a china!