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Segurança para a pecuária

Gil Reis*

Quando inicio qualquer artigo onde utilizo expressões desconhecidas para o grande público, sempre gosto de esclarecer tais expressões. No presente artigo utilizo a expressão biossegurança e vou traduzi-la: biossegurança é um conjunto de medidas que visa prevenir, controlar, reduzir ou eliminar riscos que possam comprometer a saúde humana, animal e o meio ambiente, definição de IA.

Já Daniela Lessa do Portal Fiocruz define: ‘A biossegurança é uma área de conhecimento definida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) como: ‘condição de segurança alcançada por um conjunto de ações destinadas a prevenir, controlar, reduzir ou eliminar riscos inerentes às atividades que possam comprometer a saúde humana, animal e o meio ambiente”.

O portal BEEF CENTRAL publicou em 20/03/2025 a matéria “Plano de biossegurança da Cattle Australia apoiado integralmente pela Coalizão”. Transcrevo trechos.

“O órgão máximo dos produtores de carne bovina GRASSFED, Cattle Australia, acolheu com satisfação a promessa feita hoje pela Coalizão de implementar integralmente os planos da CA para um sistema de biossegurança mais inteligente para proteger o norte da Austrália e a indústria em todo o país, e está pedindo ao Partido Trabalhista que faça o mesmo.

O Ministro da Agricultura e Líder Nacional, David Littleproud, prometeu implementar os apelos da CA por um modelo sustentável para um sistema nacional de biossegurança totalmente financiado, incluindo taxas pagas pelos usuários aos importadores, bem como US$ 2 milhões para um teste piloto de tecnologia de vigilância de alerta precoce em tempo real para doenças de pele nodular.

‘Um futuro governo de coalizão porá fim à terrível ameaça trabalhista de impostos sobre alimentos frescos, ou taxa de proteção à biossegurança, e, mais importante, legislará sobre financiamento sustentável e seguro para a biossegurança”, disse o Sr. Littleproud. ‘A Coalizão introduzirá uma Taxa de Importação de Contêineres por Mar e Ar, fazendo com que aqueles que são responsáveis ​​por criar riscos de biossegurança paguem por isso, em vez de tributar nossos próprios agricultores.’

A Coalizão também prometeu revisar a Operação LUNAR, que foi criada para interceptar chegadas de barcos ilegais nas costas australianas e que pode ser um caminho potencial para pragas e doenças se instalarem em propriedades de pastagem remotas em nossa costa norte. ‘O piloto de tecnologia que também estou anunciando hoje permitirá a detecção da presença da Doença de Pele Nodosa (LSD) em nossa população de insetos, bem antes da detecção em um rebanho de gado’, disse o Sr. Littleproud.

‘Este teste inovador nunca foi feito antes na Austrália para LSD. Ele ajudará a deter a disseminação do LSD se ele chegar ao NT, economizando tempo precioso para nossos criadores de gado e permitindo a detecção em horas em vez de dias ou semanas. ‘Com a detecção precoce em ninhos de insetos, a indústria de US$ 13,7 bilhões pode se preparar melhor e permanecer segura. O LSD pode se espalhar 28 quilômetros por dia e custaria US$ 7,4 bilhões em oportunidades de comércio perdidas somente no primeiro ano.’

O presidente-executivo da Cattle Australia, Dr. Chris Parker, disse que o anúncio foi uma boa notícia para a indústria de carne bovina alimentada com capim da Austrália, que pode ser dizimada se doenças como a febre aftosa entrarem no país. ‘A biossegurança é extremamente importante para o acesso ao mercado, saúde animal, produtividade e segurança alimentar’, disse o Dr. Parker.

‘O aumento do investimento governamental em biossegurança e a implementação de um modelo de financiamento sustentável são essenciais para a proteção da indústria de carne vermelha, que emprega 452.000 pessoas ao longo da cadeia de suprimentos na Austrália. Estamos em discussões com o Governo Trabalhista sobre a política de biossegurança há algum tempo, incluindo a necessidade da Operação LUNAR contribuir para o monitoramento de riscos de biossegurança.’

‘Embora melhorias tenham sido feitas, encorajamos o Partido Trabalhista a igualar a promessa da Coalizão e se comprometer com o aumento do financiamento de biossegurança e sistemas de biossegurança aprimorados.’ Por meio do envolvimento da CA no Conselho Consultivo da Carne Vermelha, a indústria de carne bovina usou sua Proposta de Orçamento de 2025-26 para pedir ao Governo Federal que financiasse tecnologias de detecção precoce de vetores. A detecção precoce é o investimento em biossegurança mais econômico que você pode fazer – a prevenção é muito melhor do que a cura’, disse o Dr. Parker.

‘Por meio da aplicação da tecnologia vetorial para avaliar populações de insetos potencialmente portadores de doenças em pontos de entrada de alto tráfego na Austrália, seremos capazes de identificar a presença de LSD bem antes que ela possa ser detectada no rebanho de gado.’ A CA trabalhará com a indústria e agências de extensão para garantir que o sistema de vigilância esteja conectado a um programa de engajamento coordenado para educar os produtores de gado sobre os riscos de biossegurança dos quais eles devem estar cientes e como gerenciá-los efetivamente na fazenda.”

A importância e a valorização que a Australia dá à pecuária chama a atenção a todos os pecuaristas brasileiros, afinal aqui em nosso país acontece justamente o contrário. Aqui a pecuária e os pecuaristas são criticados, desmerecidos e aviltados chegando-se ao cúmulo de acusá-los como os maiores causadores do aquecimento global e das alterações climáticas.

O nosso governo ao invés de procurar por evidências cientificas sérias buscando trabalhos de cientistas cujas teses foram testadas por seus pares prefere a orientação de ONGs alienígenas já denunciadas na Europa pela corrupção para a criação de uma agenda verde de seus interesses.

Falando dessas ONGs, que atuam lá como cá, publiquei recentemente o artigo “Revelados os bastidores da Comissão Europeia” que aborda a denúncia feita por Tomáš Zdechovský, deputado do Parlamento Europeu, sobre a compra, pelas ONGs, de membros da Comissão Europeia para a aprovação da agenda verde, inclusive do Green Deal que ninguém deu a mínima atenção.

Mas voltemos ao tema deste artigo. Quando trago à baila a biossegurança não quero me referir ao que já é feito, com competência, pelos responsáveis aqui em nosso país, o que quero é lembrar a todos que o Brasil retirou a vacinação da febre aftosa de nossos rebanhos o que nos deixa mais expostos ao bioterrorismo e não conheço nenhum trabalho de prevenção. É bom lembrar que o cacau na Bahia sofreu bastante com o bioterrorismo.

O assunto já foi bastante discutido sem sucesso no passado. Lembro perfeitamente que o Dr Ênio Marques, quando Secretário da Defesa Agropecuária, emparceirando o MAPA com as agências de segurança tentou implantar um programa de prevenção ao bioterrorismo não teve sucesso por absoluta falta de apoio e desinteresse do próprio ministério. Creio que é o momento de implantar no MAPA um programa de prevenção ao bioterrorismo.

“Acontecimentos futuros projetam antes suas sombras” – Thomas Campbell, (Glasgow, 1777 —1844) foi um poeta escocês e foi um dos iniciadores de um plano para fundar o que se tornou a Universidade de Londres.

*Consultor em Agronegócio

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do AGROemDIA

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