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Preços dos alimentos mudam hábitos dos compradores

Gil Reis*

Talvez precisemos alterar a classificação dos nomes que os governos batizaram as nossas ações, comecemos o termo ‘contribuinte’. Sou contribuinte dos Médicos sem Fronteiras e de outras organizações caritativas. Não sou contribuinte do governo e sim pagador de impostos. É preciso lembrar que contribuições são espontâneas e o pagamento de impostos é obrigatório. Na contribuição o contribuinte sabe exatamente para onde vai e como vai ser usado o seu rico dinheirinho, o que não ocorre com os impostos, nunca sabemos se o dinheiro está bem usado ou não. Salvo se você já teve algum retorno do dinheiro pago.

No caso do dito ‘consumidor’, você somente é consumidor depois que compra alguma coisa para consumir ou não, é preciso observar que nem todos os que consomem são compradores e para eles a única coisa que afeta o seu consumo é o bolso do comprador. Os compradores estão mudando os hábitos de compras, por um motivo muito simples o seu dinheiro não cresceu já os preços aumentaram. A balança está desequilibrada e o poder aquisitivo do povo diminuiu em função do aumento dos preços.

Vejamos a matéria publicada pelo Valor, em 24/03/2025, “Aumento dos preços dos alimentos remodela o comportamento do consumidor e reaviva hábitos de recessão”, assinada por Adriana Mattos e que transcrevo trechos.

“O aumento dos preços dos alimentos está remodelando o comportamento de compra do consumidor no Brasil e revivendo hábitos vistos pela última vez durante a recessão de 2016, no governo da ex-presidente Dilma Rousseff, embora com menos intensidade. Dados divulgados por executivos do varejo em seus relatórios de lucros de 2024, juntamente com uma pesquisa que monitora as vendas de alimentos em 45.000 lojas de varejo, apontam para sinais claros dessas mudanças.

Os consumidores começaram a cortar gastos com produtos de limpeza e cuidados pessoais para comprar alimentos mais caros, muitas vezes trocando por marcas de menor custo para compensar os aumentos de preços. Os consumidores também estão cada vez mais contando com lojas de atacado para compras de última hora — tradicionalmente chamadas de ‘consumo imediato’. Esses formatos de varejo há muito tempo se concentram em compras em grandes quantidades para abastecer residências e pequenas empresas, geralmente envolvendo grandes volumes e visitas menos frequentes.

Pesquisas recentes mostram que as lojas de atacado também estão ganhando força na venda de produtos perecíveis, como frutas, legumes e verduras, depois que quebras de safra e picos de preços afetaram esses itens.

Dados da Scanntech Brasil, empresa de tecnologia e dados, mostram que nas categorias de supermercado, bebidas e perecíveis, mais consumidores recorreram às lojas de atacado para compras imediatas no início deste ano em comparação ao mesmo período de 2024. Em alimentos básicos (como massas, biscoitos, bolos e pães) e perecíveis, os pontos de venda no atacado ganharam o dobro de participação de mercado para consumo imediato ou de curto prazo do que os supermercados. Esta comparação se refere a janeiro de 2025 versus janeiro de 2024.

Para evitar o forte aumento no preço do café moído, por exemplo, a parcela de compras (com base em recibos emitidos) em lojas de atacado de autoatendimento para consumo imediato aumentou de 10,4% para 13,2% entre janeiro de 2024 e janeiro de 2025. Para compras de reposição de café, o ritmo de crescimento foi mais lento, aumentando de 24,6% para 25,6%. No período de 12 meses analisado, os preços do café nas lojas pesquisadas aumentaram quase 55%.

‘Na nossa pesquisa, classificamos o consumo imediato como compras envolvendo de um a cinco itens. Essa demanda está aumentando nos pontos de venda de cash and carry em parte porque houve um boom nas inaugurações de lojas, o que aproximou esses varejistas dos consumidores, mesmo para compras de pequena escala’, disse Priscila Ariani, diretora de marketing da Scanntech Brasil.

‘Ainda há uma correlação direta entre a crescente popularidade das lojas de atacado de autosserviço e o declínio do poder de compra dos consumidores, o que anda de mãos dadas com o aumento da inflação dos alimentos’, acrescentou ela. Apesar do aumento dos preços dos mantimentos em casa, os estabelecimentos de cash-and-carry permaneceram, em média, 8% a 10% mais baratos do que os supermercados tradicionais, de acordo com pesquisas mensais de preços. As compras urgentes aumentaram no geral, embora essas lojas geralmente estejam localizadas mais longe de áreas residenciais.

Uma mudança recente de redes de supermercados, observada pela primeira vez no GPA, pode ter contribuído para essa mudança. As lojas Minuto Pão de Açúcar e Mini Extra pararam de oferecer promoções semanais e mudaram para um formato mensal no último trimestre de 2024, uma mudança que se manteve em vigor neste ano, disse o CEO Marcelo Pimentel em fevereiro. Embora os minimercados de bairro atendam aos compradores locais, lojas maiores também começaram a atrair esse segmento. O Sr. Pimentel disse que não houve queda nas vendas durante o período porque os clientes nas lojas de bairro estão buscando principalmente conveniência e, portanto, estão dispostos a pagar os preços listados.

Minimercados — com um a cinco caixas de pagamento por loja — registraram o maior aumento de preços em fevereiro em comparação ao mesmo mês em 2024, com preços subindo 6,6%, o aumento mais acentuado entre todos os formatos de varejo. As lojas de cash-and-carry registraram o menor ganho, de 4,4%. Outra tendência observada desde o final de 2024, após o aumento dos preços dos alimentos, é uma mudança em direção a marcas mais baratas. Isso acontece quando os compradores trocam as marcas líderes por alternativas mais acessíveis ou optam por embalagens menores para reduzir os gastos por visita à loja.

Esse comportamento é comum em períodos de inflação e se tornou comum durante a crise econômica entre 2015 e 2016. Naquela época, os fabricantes lançaram produtos de tamanho menor para oferecer opções mais acessíveis nas lojas. A tendência enfraqueceu à medida que a renda e o emprego se recuperaram após 2023, mas retornou com força às lojas no final de 2024 e no primeiro trimestre deste ano, principalmente por meio de uma maior preferência por marcas de preços mais baixos. Consultores e executivos observaram, no entanto, que a mudança nas escolhas de marcas e tamanhos de embalagens é atualmente menos intensa do que durante a última recessão da presidente Dilma Rousseff.”

O artigo não explorou as causas do aumento dos preços, até porque o objetivo era outro. O comprador/consumidor ao mastigar os alimentos está mastigando muito menos os produtos e mais impostos. Talvez o aumento da subnutrição se deva justamente pelo fato de que consumir mais impostos não alimenta, ao contrário, desequilibra a nutrição

“Sempre é tempo de recordar que os seres humanos criaram a ‘máquina pública’, o Estado, para promover o desenvolvimento dos países traduzidos em benefícios para a população, afinal os recursos públicos que são nada mais, nada menos que os recursos de cada um de nós, os pagadores de impostos. A máquina pública não foi criada para se auto alimentar”. Anônimo.

*Consultor em Agronegócio

**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do AGROemDIA

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