Gigante da agropecuária do Matopiba pede alongamento de dívida de R$ 290 milhões
Um dos mais importantes grupos do setor agropecuário, com atuação na região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), ingressou com medida judicial pedindo o alongamento de aproximadamente R$ 290 milhões em dívidas rurais contraídas junto ao Itaú Unibanco, maior banco privado da América Latina.
A ação foi protocolada no Fórum da Comarca de Luís Eduardo Magalhães (BA) e encontra-se sob análise da 2ª Vara Cível do município.
O grupo tem propriedades em Luís Eduardo Magalhães, no sul do Piauí e no sul do Maranhão, cultivando mais de 20 mil hectares de soja e algodão, com posição estratégica na nova fronteira agrícola brasileira.
Não se trata de um produtor isolado. Trata-se de um conglomerado com presença interestadual, alto nível de mecanização e expressiva participação na cadeia exportadora.
Reestruturação ou colapso sistêmico
A medida judicial não busca o descumprimento contratual, mas objetiva a reorganização financeira do grupo empresarial.
Diante de frustração de safra, volatilidade extrema dos preços e pressão no fluxo de caixa, o grupo optou por um caminho técnico: utilizar o instrumento do alongamento previsto no Manual de Crédito Rural.
Recuperação judicial e alongamento da dívida
A diferença entre a recuperação judicial e o alongamento da dívida é estrutural. A recuperação judicial expõe o grupo a desgaste reputacional, restrição de crédito e instabilidade operacional. Já o alongamento permite readequação contratual, mantendo a atividade produtiva íntegra.
A estratégia é clara: preservar a produção antes que o problema se torne sistêmico.
O grupo empresarial instalado no Matopiba produz milhares de toneladas de grãos por safra; tem contratos logísticos interestaduais, gera dezenas de empregos diretos e indiretos e movimenta fortemente ascadeias de fornecimento de insumos.
A eventual descontinuidade de um operador desse porte não afeta apenas credores. Afeta municípios inteiros.
Debate jurídico e financeiro de alto impacto
O Itaú Unibanco possui posição dominante no financiamento do agronegócio brasileiro.
O processo coloca em discussão um ponto sensível: até que ponto o crédito rural pode ignorar eventos extraordinários de mercado e clima sem comprometer a função econômica do setor? Afinal, o alongamento, quando tecnicamente comprovado, não é concessão. É instrumento regulado.
A ação judicial sustenta que há viabilidade econômica futura e que o desequilíbrio é circunstancial.
Engenharia jurídica conduzida a partir de Brasília
A medida é conduzida por escritório especializado com sede em Brasília (DF), com atuação estruturada em crédito rural e reestruturação de grandes passivos agroindustriais.
A estratégia envolve laudos técnicos detalhados;
análise minuciosa das operações financeiras; demonstração de viabilidade econômica do grupo; e construção de plano financeiro de continuidade.
O propósito é inequívoco: manter o grupo ativo no mercado e evitar efeito dominó na cadeia produtiva regional.
O desfecho da ação pode estabelecer precedente relevante para operações de grande porte no Matopiba.

