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Segurança dos veículos autônomos

Gil Reis*

Esta é uma pergunta que deve ser feita todos que defendem os veículos autônomos. A confiança na tecnologia deve ser analisada cuidadosamente, principalmente na área de veículos autônomos até porque envolvem a segurança dos condutores e dos pedestres e transeuntes das cidades. A Reuters publicou, em 28 de maio de 2026, a matéria “Por que os especialistas em IA da Tesla não confiam na sua tecnologia de direção autônoma – ou em seus dados de segurança?”, assinada por Chris Kirkham e Rachael Levy, que transcrevo alguns trechos.

“Em um escritório em Utah, centenas de funcionários da Tesla examinam vídeos coletados por veículos que utilizam o recurso de direção autônoma completa (FSD, na sigla em inglês) da montadora. Alguns vídeos mostram os carros atropelando gatos, cachorros ou cervos, além de acidentes mais comuns. Às vezes, eles não freiam antes do impacto. Frequentemente, excedem a velocidade permitida. Ocasionalmente, os funcionários veem situações em que crianças brincando na rua quase são atropeladas.

Conhecidos como ‘rotuladores de dados’, esses funcionários treinam o software de assistência ao motorista da Tesla, baseado em inteligência artificial. Eles anotam incidentes de direção correta e incorreta e encaminham os problemas aos engenheiros que trabalham para aprimorar o sistema.

O CEO da Tesla, Elon Musk, afirma que o FSD (Full Self-Driving) em breve tornará todos os Teslas totalmente autônomos. No entanto, entrevistas com nove ex-funcionários da Tesla e um ex-engenheiro de direção autônoma da empresa mostram que a tecnologia continuou apresentando dificuldades nos últimos meses para executar manobras básicas, como evitar veículos de emergência ou parar para ônibus escolares que estão embarcando ou desembarcando alunos.

Apesar dessas falhas perigosas, Musk e outros executivos têm cada vez mais enfatizado a segurança do FSD, pressionando a Tesla a realizar demonstrações públicas da capacidade totalmente autônoma que o CEO promete aos investidores todos os anos há uma década. As demonstrações incluem um projeto piloto de robotáxi em Austin, Texas – lançado em junho passado com alguns monitores de segurança humanos nos carros e outros trabalhando remotamente.

Dentro da Tesla, à medida que esses eventos se aproximavam, os funcionários trabalhavam longas horas mapeando rotas e treinando o software para identificar perigos específicos, a fim de fazer com que a tecnologia de direção autônoma da empresa parecesse mais capaz do que realmente era, disseram quatro ex-funcionários da Tesla à Reuters. Os funcionários afirmaram que essas medidas de segurança, que demandam muita mão de obra, são impossíveis de serem implementadas em larga escala.

Esses esforços, que não haviam sido divulgados anteriormente, minam a afirmação de Musk, feita há tempos, de que a tecnologia de direção autônoma da Tesla em breve funcionará em qualquer lugar do mundo e não exigirá o mesmo mapeamento local trabalhoso de estradas e perigos empregado pelos concorrentes. Musk afirmou que a Tesla adota uma abordagem mais simples, baseada exclusivamente em câmeras e inteligência artificial, o que permitirá expandir seu serviço de robotáxis em uma velocidade ‘hiperexponencial’ e oferecer aos atuais proprietários de Tesla autonomia total por meio de atualizações de software.

 

A análise incluiu um estudo da Reuters sobre como a Tesla compara seus próprios dados de acidentes com os dados federais de acidentes; uma revisão da metodologia comparativamente rigorosa empregada pela Waymo, concorrente no setor de robotáxis; e entrevistas com 11 pesquisadores de segurança no trânsito que analisaram a metodologia da Tesla para a Reuters. A revisão identificou diversas comparações de dados inválidas que fundamentam as estatísticas do relatório de segurança do FSD da Tesla, o que, segundo 10 pesquisadores, configura marketing enganoso em vez de uma investigação séria sobre uma questão crítica de segurança.

A Tesla, por exemplo, exagera a segurança da tecnologia ao comparar a taxa de acidentes em Teslas com direção autônoma completa (FSD) que acionaram os airbags com a taxa federal de acidentes para todos os veículos, que inclui acidentes muito menos graves. A empresa também compara seus carros com o veículo médio dos EUA – que é muito mais antigo do que um Tesla médio. Isso distorce os resultados porque todas as montadoras lançaram recentemente novos recursos de segurança que reduzem os acidentes, disseram os pesquisadores.

‘Qualquer carro novo é dramaticamente mais seguro do que um carro de 12 anos’, disse Phil Koopman, professor de engenharia da Universidade Carnegie Mellon e especialista em segurança de veículos autônomos. É como dizer: ‘Meu avião a jato é mais rápido do que seu bombardeiro da Segunda Guerra Mundial. Pois é, qual é o seu ponto?’

 

O diretor financeiro da Tesla, Vaibhav Taneja, fez a afirmação de que os veículos eram 10 vezes mais seguros em julho passado, após o lançamento do robotáxi da Tesla em Austin. A presidente do Conselho da Tesla, Robyn Denholm, repetiu a afirmação em uma reunião de novembro, na qual os acionistas aprovaram um pacote de remuneração que concede a Musk até US$ 1 trilhão em ações da Tesla. Na mesma reunião, Musk exibiu um gráfico com a afirmação um pouco mais modesta de ‘85% menos acidentes’, com base em uma metodologia da Tesla recentemente revisada.

‘Quase nos sentimos confortáveis ​​em permitir que as pessoas enviem mensagens de texto enquanto dirigem, o que é o nosso grande diferencial’, disse Musk aos acionistas. ‘Nos próximos um ou dois meses – vamos analisar atentamente as estatísticas de segurança – mas, essencialmente, permitiremos que você envie mensagens de texto enquanto dirige.’

Seis meses depois, a Tesla ainda não aprovou o recurso de mensagens de texto ao volante com o FSD (Full Self-Driving). As letras miúdas em seu site sobre o FSD continuam alertando: ‘Os recursos atualmente ativados exigem supervisão ativa do motorista e não tornam o veículo autônomo’. A Tesla frequentemente cita essas ressalvas quando processada por acidentes graves.

Sete dos antigos analistas de dados disseram à Reuters que não confiariam no FSD para dirigir seus veículos. ‘Todos nós já vimos o sistema falhar’, disse um deles. Outro afirmou que não andaria em um robotáxi da Tesla ‘nem que me pagassem’. Um engenheiro veterano de direção autônoma, que analisou dados de acidentes da Tesla por anos, chamou suas alegações de segurança de ‘besteira’.

‘Com certeza’, disse o engenheiro, ‘não confie no Elon nesse assunto”.

Não se trata de desconfiar nas novas tecnologias e sim naquelas que podem significar riscos para vida humana, essas merecem de escrutínios antes de aceita-las e usa-las.

“Não há ideais, mas somente fatos, nem verdades, mas somente fatos, não há razão nem honestidade, nem equidade etc, mas somente fatos. Palavras não mudam a realidade dos fatos”. Moniz Bandeira, historiador e pesquisador.

*Consultor em Agronegócio

**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do AGROemDIA

 

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