Integração lavoura-pecuária-floresta busca agregação de valor

BOI

A Rede de Fomento ILPF, parceria público-privada com a participação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), está começando um novo ciclo de atuação para expansão dos sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta no Brasil. As prioridades agora são a agregação de valor por meio da certificação de propriedades e dos serviços ambientais, a formação profissional e a captação de recursos externos para financiamento de pesquisas. Hoje, o país tem 11,5 milhões de hectares com alguma configuração de sistemas integrados.

Criada há cinco anos para apoiar a transferência de tecnologias e incentivar a adoção dos sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta no Brasil, a Rede de Fomento ILPF passará a investir em frentes não exploradas anteriormente. Entre elas, a divulgação internacional da tecnologia, desenvolvimento de pesquisas por meio de financiamento externo e no reconhecimento pela sociedade da ILPF como um sistema de produção sustentável.

O primeiro objetivo do trabalho é o de mensurar e comprovar a redução das emissões de gases de efeito estufa da ILPF, usando uma metodologia que seja reconhecida internacionalmente no âmbito das discussões sobre mudança do clima, diz o presidente do Conselho Gestor da Rede ILPF e pesquisador da Embrapa Solos, Renato Rodrigues.

Na fase inicial, a Rede terá o apoio dos Labex (laboratórios virtuais no exterior) Europa e Estados Unidos. A ideia é buscar parceiros de pesquisa fortes na área de mitigação de gases de efeito estufa e carbono no solo, visando à certificação da tecnologia. “Queremos ter uma certificação baseada num sistema de monitoramento reconhecido internacionalmente, seguindo os preceitos do IPCC e da Convenção de Mudança do Clima”, destaca Rodrigues.

De acordo com a Embrapa, as ações internacionais objetivam, na primeira etapa, a transferência de tecnologia para países da África e depois para América do Sul e Caribe. Por isso, além dos Labex, a Rede terá o apoio do Itamarati, Ministério do Meio Ambiente e da Agência Brasileira de Cooperação e buscará parcerias com instituições de pesquisa europeias e estadusinenses.

A Rede já começou a fazer o levantamento de potenciais fontes de financiamento nacionais e internacionais. Além de pesquisas sobre o potencial de mitigação das emissões de gases de efeito estufa, o trabalho também se voltará para temas como manejo integrado de pragas, definição de arranjos próprios por região, avaliação de espécies e arranjos mais indicados, avaliação econômica, serviços ambientais e possibilidade de certificação.

Mudança estrutural

Para dar maior dinamicidade aos trabalhos e possibilitar a entrada de novos membros, a Rede de Fomento ILPF está passando por uma mudança estrutural na qual será transformada em uma associação. A Embrapa será membro honorífico, de modo a ter todos os benefícios de um associado, respeitando-se as prerrogativas legais da empresa.

Atualmente, além da Embrapa, compõem a Rede a cooperativa Cocamar e as empresas Dow Agrosciences, John Deere, Parker e Syngenta. Novas empresas e cooperativas já demonstraram interesse em se associar, aumentando o aporte de recursos anuais para serem usados na gestão da Rede ILPF, em ações de transferência de tecnologia e de comunicação. Já o recurso para a pesquisa será captado externamente.

A Rede ILPF atua em rede em todo o país. Mais de 30 centros de pesquisa da Embrapa fazem parte do projeto e desenvolvem regionalmente ações de transferência de tecnologia relacionada à ILPF. Hoje, são 97 Unidades de Referência Tecnológica (URTs) de ILPF espalhadas pelos diferentes biomas brasileiros. Cada uma delas adota uma estratégia de integração, mostrando como o sistema produtivo pode ser adaptado às diferentes realidades dos produtores.

A Rede de Fomento ILPF realiza visitas técnicas e dias de campo nas URTs e promove capacitações de agentes de assistência técnica e extensão rural dos setores público e privado em vários estados. São esses profissionais que dão apoio aos produtores que adotam a tecnologia.

Clique aqui para mais informações sobre ILPF.

 

 

 

 

 

 

 

 

AGROemDIA

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