GO: Troca de saberes no I Encontro Nacional dos Núcleos de Agroecologia

Sim, é possível construir – dentro e fora das universidades – caminhos para que o ensino, a pesquisa e a extensão possam seguir juntos. Esta é uma das principais propostas dos núcleos de agroecologia, que terão a primeira reunião nacional de hoje (8) até segunda-feira (11), no Centro de Formação do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), no município goiano de Luziânia, no entorno do Distrito Federal.
O I Encontro Nacional dos Núcleos de Agroecologia deve reunir mais de 170 pessoas de instituições de pesquisa, ensino e extensão de todo país. O evento antecede o VI Congresso Latino-americano de Agroecologia, X Congresso Brasileiro de Agroecologia e V Seminário de Agroecologia do Distrito Federal e Entorno, que será realizado de terça (12) a sexta-feira (15), no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília.
As cinco regiões do país tem hoje mais de 280 Núcleos de Agroecologia. De acordo com a presidente da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA) e coordenadora do projeto de Sistematização de Experiências, Irene Cardoso, os núcleos são a continuidade de um trabalho muito anterior construído pelos grupos de agricultura alternativa nas universidades e nos órgãos de pesquisa e extensão.
Práticas inovadoras
“Os núcleos, apesar de muitos desafios, ao reconhecerem que os saberes das comunidades são legítimos, se tornam mananciais de práticas inovadoras que ampliam a forma de compreender a ciência, construir o conhecimento e, assim, transformar a realidade”, destaca Irene.

Além de desenvolver projetos, os núcleos são espaços dialógicos onde ocorrem os processos contínuos de formação e interação nos territórios onde estão inseridos. Segundo os participantes dos núcleos de agroecologia, não é de hoje que as diferenças entre o conhecimento científico, os olhares dos extensionistas e a sabedoria do povo na agricultura são objetos de análise e debate.
Para eles, o que está em jogo é a construção de metodologias que respeitem o direito das comunidades, reconheçam seus saberes e superem a visão imposta pela Revolução Verde. Por isso, acrescentam, um dos objetivos do encontro é construir caminhos de avaliação das políticas nos quais as transformações reais possam ser percebidas no ensino, na pesquisa, mas, sobretudo, na vida das pessoas.
Ressaltam ainda que a agroecologia, ao fortalecer a luta por uma ciência mais humanizada, territorializada e comprometida com as lutas do povo, estimula a construção de novos caminhos nos quais todas e todos podem ser sujeitos da produção de conhecimento.
Os resultados desse trabalho, apontam, são trajetórias acadêmicas e profissionais que passam a ter a agroecologia como caminho possível: feiras de alimentos saudáveis que são viabilizadas; estratégias de conservação ambiental, do solo, da água e das sementes; e o fortalecimento da juventude, no campo e na cidade.
Da redação

