De olho no mercado asiático, Brasil aposta na produção de grão-de-bico

aaa grao bico 000
País tem clima favorável ao cultivo da cultura, diz Embrapa – Fotos: Antonio Araújo

O agro brasileiro quer ser um importante fornecedor de grão-de-bico para a Ásia e o Oriente Médio, onde o produto é muito consumido. O desenvolvimento da lavoura poderá abrir um mercado bilionário às exportações do país, além de suprir a demanda interna. Com clima favorável, períodos secos e médias altitudes, várias regiões do Brasil são aptas a produzir a leguminosa. Resultados obtidos no Centro-Oeste mostram que a cultura apresenta ótimo desempenho no inverno em plantações irrigadas e mecanizadas.

Pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) consideram o grão-de-bico uma grande oportunidade para os produtores por dois fatores: o Brasil ainda depende de importações para suprir o consumo anual do produto, de 8 mil toneladas, e o mercado asiático é um grande importador.

Segundo o Banco de Dados de Estatísticas do Comércio Internacional das Nações Unidas (UN Comtrade), apenas a Índia comprou de outros países 873 mil toneladas do produto em 2016, o equivalente a US$ 688 milhões – mais de R$ 2 bilhões.

De olho nesse potencial, a pesquisa agrícola está avaliando cultivares de grão-de-bico com melhor adaptação às condições ambientais brasileiras, testando a viabilidade econômica da cultura e buscando soluções para o controle de pragas e doenças que afetam a produtividade e a qualidade. Novas cultivares da planta também estão sendo desenvolvidas.

Parceria para experimentos

No início deste ano, a Embrapa estabeleceu parceria com a empresa indiana United Phosphorus Limited (UPL) para fazer experimentos no Rio Grande do Sul, em Minas Gerais, Goiás, no Distrito Federal, em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O objetivo é avaliar o potencial produtivo de quatro cultivares (duas indianas e duas nacionais, desenvolvidas pela Embrapa) em três diferentes épocas de plantio – abril, maio e junho.

Como o ciclo do grão-de-bico gira em torno de quatro meses, as primeiras colheitas dos experimentos começaram entre o final de agosto e o início deste mês.  As cultivares com melhor adaptação às condições ambientais brasileiras serão selecionadas.

aaa grao bico saco
Consumo indiano de pulses, como grão-de-bico, deve chegar a 30 milhões/t até 2030

Na avalição do chefe-geral da Embrapa Hortaliças (DF), o pesquisador Warley Nascimento, a parceria renderá ganhos para ambos os países. “Com base na definição das cultivares mais produtivas e adaptadas, será possível fomentar a produção nacional, reduzir a importação e, principalmente, exportar os grãos para a Índia e outros países asiáticos com consumo elevado desse alimento.”

A Índia manifestou interesse em importar pulses do Brasil no fim de 2016, durante visita do ministro da Agricultura, Blairo Maggi. Pulses são um grupo de leguminosas com grãos secos que inclui feijão-caupi, feijão-mungo, lentilha e grão-de-bico, por exemplo. A projeção é que o consumo indiano por esses produtos chegue a 30 milhões de toneladas por ano até 2030.

Sistemas produtivos

“É uma oportunidade extraordinária para os produtores brasileiros não apenas exportarem, mas diversificarem os sistemas produtivos, agregarem valor à produção e ofertarem alimentos de alta qualidade à população”, destaca o presidente da Embrapa, Maurício Lopes.

O sul da Ásia, incluindo Índia, Sri Lanka, Bangladesh e Paquistão, representa cerca de 40% do mercado mundial de pulses. A Índia passa por um momento especial em que a população cresce cerca de 18 milhões de habitantes por ano e a economia está em expansão. Com maior renda, o consumo de alimentos tem sido maior.

A população vegetariana na Índia representa quase um terço de seus 1,3 bilhões de habitantes. Por isso, cada vez mais haverá necessidade desse tipo de alimento, como o grão-de-bico, rico em proteínas.

“Se tivéssemos produção, certamente haveria mercado comprador. E a Embrapa pode ajudar o Brasil a ocupar esse espaço, por ter uma grande diversidade de projetos em vários tipos de produtos e poder responder rapidamente à demanda”, diz Maurício Lopes.

Da redação, com informações da Embrapa

 

 

 

AGROEMDIA

O AGROemDIA é um site especializado no agrojornalismo, produzido por jornalistas com anos de experiência na cobertura do agro. Seu foco é a agropecuária, a agroindústria, a agricultura urbana, a agroecologia, a agricultura orgânica, a assistência técnica e a extensão rural, o cooperativismo, o meio ambiente, a pesquisa e a inovação tecnológica, o comércio exterior e as políticas públicas voltadas ao setor. O AGROemDIA é produzido em Brasília. E-mail: agroemdia@gmail.com - (61) 992446832

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: