Pecuaristas querem mais concorrência no setor de processamento de carnes

Pecuaristas e senadores querem a entrada de pequenos e médios frigoríficos no mercado para reduzir a concentração e melhorar a concorrência no setor de carnes. A posição foi manifestada durante audiência pública na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado, presidida pelo senador Ivo Cassol (PP-RO).
De acordo com os participantes da reunião, na última década, a intervenção do BNDES financiou a compra de estabelecimentos menores por grandes frigoríficos e estimulou a criação das chamadas campeãs nacionais na indústria de processamento de carnes e derivados.
“O caso mais notório de grandes empresas beneficiadas pela política de empréstimos subsidiados do governo é o da JBS”, lembrou o senador Wellington Fagundes (PR-MT), durante a reunião, nessa terça-feira (12).
Para o parlamentar mato-grossense, conceder empréstimos a juros subsidiados a grandes frigoríficos acabou por prejudicar a rentabilidade dos produtores e por causar o fechamento de postos de trabalho em vários pequenos e médios municípios no interior do Brasil.
Os criadores de bovinos, aves, suínos, ovinos e caprinos afirmaram que há muitos produtores e poucas indústrias, o que facilita a combinação de preços pelos compradores.
O representante do Sindicato Rural de Cuiabá (MT), Jorge Miranda, lembrou que a recente crise no setor afeta toda a cadeia de compra e venda de gado. Ele disse que, apesar dos esforços para melhorar a produtividade, no Mato Grosso existem 16 plantas frigoríficas paralisadas e os criadores dependem da empresa JBS.
“Hoje o estado do Mato Grosso é refém de um grupo econômico. Temos rezado inclusive para que esse grupo continue de pé e tenha a sua saúde financeira inabalada. Por quê? Porque 50% dos abates estão na mão da JBS. A nossa capacidade de dependência dessa indústria é muito grande”, assinalou.
Da redação, com Agência Senado
