Dia da árvore: Parceria preserva araucárias com plantios em estradas

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Projeto “Estradas com Araucárias”, experiência bem-sucedida – Daniel Derevecki/Embrapa

O Projeto “Estradas com Araucárias” alcançou 100 quilômetos de plantios dessa espécie florestal em divisas de propriedades rurais com estradas. São mais de 20 mil árvores plantadas em linha simples, a um espaçamento de cinco metros, por 68 produtores rurais familiares nos estados do Paraná e de Santa Catarina. O trabalho é fruto de parceria entre instituições públicas e iniciativa privada com o objetivo principal de preservar a araucária, árvore sob risco de extinção.

A iniciativa nasceu durante o desenvolvimento do projeto de pesquisa da Embrapa “Uso e conservação da araucária na agricultura familiar”. As árvores foram, ao longo das rodovias, um enorme banco ativo de germoplasma para a conservação da espécie.

A intensa exploração dessa árvore para fins madeireiros e a abertura de áreas para a agropecuária provocaram forte declínio populacional, o que colocou a araucária na lista de espécies ameaçadas de extinção. “A legislação proíbe o seu corte, mas, infelizmente, a lei que protege a espécie gerou um efeito negativo”, diz o idealizador do projeto, Edilson Batista de Oliveira, pesquisador da Embrapa Florestas (PR).

Com isso, os produtores ficaram desestimulados. Eles passaram a não plantar araucária e até a evitar o desenvolvimento de regeneração natural”, lembram Edilson Batista de Oliveira. Muitas, acrescenta, alegaram que haviam tomado a decisão por causa perda de áreas agrícolas e dificuldade em obter autorização caso precisassem cortar alguma árvore.

O problema fez Oliveira elaborar uma solução. “As áreas de divisas das propriedades com estradas geralmente são pouco utilizadas e poderiam servir para abrigar as araucárias e gerar renda aos produtores, sem prejudicar a atividade agropecuária. Para atender normas de segurança da legislação, os plantios são sempre realizados fora da faixa de domínio das estradas, mantendo acostamentos e áreas de escapes totalmente livres”, assinala Oliveira.

Sequestro de carbono

Ainda faltava o estímulo para que os produtores aderissem à ideia. A solução veio de uma parceria público-privada que remunera pelos serviços ambientais enquanto as árvores ainda não estão produzindo pinhões. O grupo empresarial de transporte e logística DSR se interessou em participar do projeto como forma de compensar gases de efeito estufa emitidos por sua frota.

Por meio dessa parceria, cada produtor recebe mil reais por ano para plantar e cuidar das árvores. O pagamento por serviço ambiental (PSA) será efetuado no período entre 12 e 15 anos, período após o qual as árvores começarão a produzir pinhões, que se tornarão a nova fonte de renda dos plantadores.

De acordo com Oliveira, resultados de pesquisa indicam que, com 25 anos, cada árvore deve ter acumulado o equivalente a 2,4 toneladas de carbono (pouco menos de 100 kg por ano). “Trata-se de um valor alto quando comparado a outras espécies florestais”, destaca o pesquisador.

Adesões voluntárias

“Hoje, um dos grandes ganhos que temos é a adesão voluntária de produtores rurais, de diversos tamanhos de propriedade, que plantam araucárias nas divisas de suas propriedades com estradas rurais pelos benefícios que as araucárias promovem, em especial o embelezamento da paisagem”, ressalta Oliveira.

Um dos produtores entusiastas da ideia é Amauri Delponte, da Lapa. Sua propriedade tem 5,5 alqueires, onde tem gado de corte consorciado com soja. “As araucárias do jeito que estão plantadas, em linha, não atrapalham a propriedade e consigo contribuir com o meio ambiente, além de poder comercializar o pinhão depois. O pinhão também pode ser utilizado como alimento pelo gado, que gosta bastante”, comenta o produtor. Com o dinheiro pago pela empresa, ele compra insumos para a propriedade

Delponte relata que conhece outros produtores que foram sensibilizados pela ideia e hoje plantam araucárias na divisa das propriedades com estradas mesmo sem participar do projeto. Seu desejo? “Que essas árvores produzam pinhão, sombra, e mantenham a biodiversidade. Você tem que ver a quantidade de animais e pássaros que vêm aqui.”

Outra propriedade beneficiada é a área do Colégio Agrícola da Lapa. Os alunos são envolvidos no plantio e manutenção das araucárias e usam a experiência prática em seu aprendizado. O professor Heitor Vidal Leonardi enfatiza que o projeto foi implantado no colégio há seis anos e agora os alunos são seus multiplicadores: “Além de fazer a manutenção, eles levam a ideia para suas propriedades e para os vizinhos. Por conta disso, já conseguimos cerca de duas mil mudas para interessados que não participam do projeto”.

Os alunos aprendem técnicas de plantio e manejo e repassam as informações aos interessados. “O produtor aqui da nossa região tem o instinto de preservação, mas precisa de renda para sobreviver. Portanto, se damos condições de renda com preservação ambiental, é o ideal para ele”, avalia o professor.

“Como futuros técnicos agrícolas, precisamos saber como preservar o meio ambiente. O projeto não prejudica os produtores nem as culturas. É uma alternativa ao produtor, pois é plantado na divisa com as estradas e depois vai gerar renda com o pinhão, além de preservar a araucária”, diz a aluna Brydien Mildemberg, do 3º ano do curso de Técnico Agrícola,

O plantio de espécies florestais é um dos fatores de sucesso para a redução dos gases de efeito estufa para redução do impacto das mudanças climáticas. Os plantios do projeto “Estradas com Araucárias” têm sido acompanhados com o software SisAraucária, desenvolvido pela Embrapa Florestas, que simula o crescimento das árvores e calcula o carbono armazenado.

Katia Pichelli/Embrapa Florestas

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