Ministério da Saúde relaciona suicídios no Sul a cultivo de fumo e agrotóxicos

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Governo acompanha uso de agrotóxicos em plantações de fumo – Rio Grande/RS.GOV>BR

Os suicídios no Sul do país podem ter relação com a cultura do fumo e os agrotóxicos utilizados nas lavouras, suspeita o Ministério da Saúde. A região registra 23% dos casos, apesar de responder por 14% da população brasileira.

Há 10 anos, o ministério acompanha a situação no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná, coincidentemente os principais produtores de tabaco no Brasil, para saber qual o impacto causado aos agricultores pelo uso de agrotóxicos nas lavouras de fumo.

Os números sobre mortes por suicídios no país foram apresentados nesta quinta-feira (21) pelo Ministério da Saúde. De acordo com a Agenda Estratégica de Prevenção do Suicídio – divulgada agora em alusão ao Setembro Amarelo, mês de conscientização sobre a importância da prevenção do suicídio –, o número de suicídios aumentou 12% em quatro anos.

Em 2015, conforme os dados do ministério, foram 11.736 notificações ante 10.490 de 2011. No conjunto dos números, técnicos do órgão dizem que a taxa de suicídios no Sul desperta atenção. “Pesticidas manganês aumentam o risco de provocar danos ao sistema nervoso central”, diz a diretora do departamento de Doenças e Agravos Não Transmissíveis do Ministério da Saúde, Fátima Marinho.

Por isso, acrescenta, a relação entre o cultivo de fumo e os agrotóxicos deve ser acompanhada de perto. “Além do suicídio, a ação do pesticida está associada a outros agravos, que também precisam ser avaliados, como câncer e más-formações congênitas. Esse assunto precisa estar na agenda.”

Segundo o ministério, três das quatro cidades com piores indicadores de suicídio estão no Rio Grande do Sul – maior produtor nacional de tabaco. O município de Forquetinha é o que apresenta a pior taxa de suicídio no país, com 78,7 casos a cada 100 mil habitantes. A taxa de mortalidade nacional é de 5,7 a cada 100 mil.

Em segundo lugar, aparece Taipas do Tocantins, com 57 casos por 100 mil. Travesseiro, no Rio Grande do Sul, vem em terceiro lugar, com 55,8 casos por 100 mil; e André da Rocha, também no Rio Grande do Sul, com 52,4.

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