Com queda na produção, Brasil bate recorde de importação de cacau no 1º semestre

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Clima desfavorável prejudica produção de cacau na Bahia – Ceplac/Gov.Br

Chuvas fora de época na Bahia – principal polo cacauicultor do país – fizeram com que o Brasil registrasse, no primeiro semestre, o maior volume de importação de cacau dos últimos 16 anos. De janeiro a junho, o mercado brasileiro importou 54 mil toneladas do produto para atender a demanda das indústrias, que processaram 113 mil toneladas no período.

O clima desfavorável fez com que a produção brasileira de cacau tivesse o segundo pior desempenho dos últimos sete anos para o período, depois do primeiro semestre de 2016.

“A cacauicultura brasileira foi prejudicada pelas chuvas fora de época na Bahia, estado que foi responsável, na temporada 2015/16, por 66% da produção de cacau no Brasil”, diz o analista de mercado da INTL FCStone, Fábio Rezende.

Mesmo que seja característico que os dois primeiros trimestres do ano – período em que ocorre a colheita do temporão – tenham uma colheita menor, a produção estimada de 65 mil toneladas foi a segunda pior dos últimos sete anos, ficando à frente apenas da registrada em 2016, quando foram colhidas 45 mil toneladas.

O volume de chuvas observado na mesorregião do sul baiano entre abril e agosto, meses de colheita do temporão, foi de 585 mm em 2017. Em 2016, ano caracterizado por uma forte estiagem, choveram cerca de 406 mm no período e, na média dos últimos dez anos, o volume precipitado foi de 470 mm.

Mesmo que chuvas sejam benéficas ao cacaueiro nos períodos mais quentes do ano, a cultura precisa de um período mais seco para conseguir florescer e gerar o fruto. Além disso, a estiagem também é necessária para facilitar a colheita e secagem do cacau.

Estoques e preços

Em consequência dos elevados volumes importados nos últimos 12 meses, os estoques nacionais de cacau apresentaram uma tendência de recuperação, passando de cerca de 66 mil t no final do terceiro trimestre de 2016 para 83 mil t no último mês, volume que já supera a média de cinco anos de 82 mil t.

O impacto da maior disponibilidade interna de amêndoas pode ser sentido no diferencial de base entre os preços físicos domésticos e o contrato futuro de referência da bolsa de Nova York. “Em agosto do ano passado, o cacau em Ilhéus exibia um ágio de US$ 361/t em relação à bolsa, valor que já recuou para US$ 176 na média de agosto”, analisa Rezende.

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