Site orienta agricultor na escolha de árvores nativas da Mata Atlântica

AAA mata atlantica
Ferramenta foi desenvolvida pela Embrapa com ajuda de produtores – Mariella Uzeda/Embrapa

O agricultor já pode escolher que tipo de árvores da Mata Atlântica plantar em sua propriedade, de acordo com sua condição de relevo e solo. Para tanto, é só acessar o site do Sistema de suporte à inserção de árvores na agricultura da Mata Atlântica, lançado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecária (Embrapa).

Resultado de 12 anos de estudos em fragmentos florestais, em Cachoeiras de Macacu, no Rio de Janeiro, o site alia o conhecimento científico dos pesquisadores ao tradicional dos agricultores locais.

“Existe uma mística de que agricultores não gostam de árvores ou que não sabem conviver com espécies arbóreas. Isso não é verdade. Precisamos efetivamente acreditar no apego que eles têm às espécies arbóreas como também no conhecimento que eles possuem”, diz a idealizadora do site, Mariella Uzeda, pesquisadora da Embrapa Agrobiologia (RJ).

O objetivo é que o produtor consiga aliar o plantio de árvores nativas ao incremento de renda. Por isso, o estudo contempla espécies com potencial madeireiro, alimentício, melífero e ainda aquelas que contribuem para enriquecer a biodiversidade e as que contribuem para a fertilidade do solo.

“Esperamos atender à demanda de muitos agricultores familiares de plantar árvores para diferentes fins lucrativos e que possam dar às propriedades maior poder de resposta a eventuais pragas, também aumentando a quantidade de polinizadores. Isso é muito importante em processos de transição agroecológica, em sistemas produtivos mais sustentáveis e mais amigáveis à biodiversidade”, acrescenta a pesquisadora

Boa drenagem e alagamentos

Os pesquisadores sistematizaram as informações da pesquisa, criando um site de fácil acesso e entendimento pelo agricultor. Para chegar às espécies mais indicadas para a região, o sistema começa solicitando a condição de drenagem da área, ou seja, se tem uma boa drenagem ou se é suscetível a alagamentos.

Em seguida, pergunta se o relevo é plano ou levemente ondulado, para depois pedir o tipo de solo. Por fim, com base nessas informações, a ferramenta fornece ao agricultor cinco listas de espécies de árvores: madeireiras, alimentícias, melíferas, bioatrativas e para fertilização do solo.

Cada espécie apresenta uma ficha com informações que vão desde o seu nome popular a algumas características, como sua utilidade e distribuição geográfica.

O sistema foi elaborado com base nas características ambientais e de ocorrência de espécies do assentamento São José da Boa Morte, em Cachoeiras de Macacu, onde são desenvolvidas pesquisas pela Embrapa.

No entanto, ainda que seja fundamentado em um conteúdo referente à Bacia Guapi-Macacu, no estado do Rio de Janeiro, o site traz informações das espécies e suas respectivas áreas de ocorrência, podendo ser referência para o plantio de árvores em outras regiões do bioma.

“Uma vez que se tenha um solo parecido com os ali descritos, dentro da área de ocorrência da espécie, é possível utilizá-la sem nenhum problema”, enfatiza Uzêda.

O trabalho desenvolvido com a comunidade teve início em 2005, quando a intenção era verificar o impacto da agricultura sobre os fragmentos florestais da Mata Atlântica local. “Fizemos levantamentos fitossociológicos em áreas que eram circundadas por agricultura e por pastagem. E, no fim, achamos que ter apenas a resposta sobre as áreas que estavam contaminadas com adubos era pouco para o levantamento”, lembra a cientista.

Mariella Uzeda  prossegue: “Demos início, então, a um estudo bibliográfico e etnobotânico, com o objetivo de analisar as potencialidades das árvores, não só seu potencial econômico, mas também sua capacidade de adaptação a áreas externas às áreas de mata.”

De acordo com ela, a demanda por informações sobre espécies arbóreas nativas que pudessem ser plantadas nas propriedades partiu dos próprios agricultores, cujo conhecimento foi fundamental para a construção do sistema.

A ferramenta foi inicialmente elaborada com base em levantamentos feitos em nove fragmentos florestais da região. Hoje, já há dados sobre outros seis fragmentos – e a expectativa é que eles sejam utilizados para ampliar a base do site em breve.

O site também pode comportar atualizações, inclusive sobre outros biomas. “A ampliação pode se dar, por exemplo, a partir de parcerias com outras instituições que tenham esse perfil de informação e estejam dispostas a fazer levantamentos com agricultores locais. É possível preencher a ferramenta com conteúdos de solos e de arbóreas de qualquer região”, assinala a pesquisadora.

AGROEMDIA

O AGROemDIA é um site especializado no agrojornalismo, produzido por jornalistas com anos de experiência na cobertura do agro. Seu foco é a agropecuária, a agroindústria, a agricultura urbana, a agroecologia, a agricultura orgânica, a assistência técnica e a extensão rural, o cooperativismo, o meio ambiente, a pesquisa e a inovação tecnológica, o comércio exterior e as políticas públicas voltadas ao setor. O AGROemDIA é produzido em Brasília. E-mail: agroemdia@gmail.com - (61) 992446832

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