Chef Atala quer parceria da Embrapa em projeto sobre alimentação e sustentabilidade

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Walter Eugênio/Embrapa

O chef Alex Atala – um dos mais renomados nomes da gastronomia brasileira – convidou a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para ser parceira do “Fruto – As Possibilidades de Alimentar o Mundo”, evento internacional e multidisciplinar que será realizado em São Paulo, nos dias 26 e 27 de janeiro de 2018, para discutir a alimentação e gerar subsídios à sustentabilidade do sistema agroalimentar.

“Nenhum lugar do mundo pode falar melhor de alimentação em grande escala do que o Brasil, e não podemos falar de alimento no Brasil sem envolver a Embrapa”, disse Atala, durante reunião com o presidente da Embrapa, Maurício Lopes, em Brasília.

O Fruto deve contar com cem participantes internacionais e 200 brasileiros, segundo Atala. A ideia é reunir “as mais variadas correntes” envolvidas com o tema alimentação para pensar alternativas que possam valorizar a produção dos pequenos produtores e reconectar a população urbana com o alimento, entre outras ações para usar mais a biodiversidade brasileira na alimentação.

“Queremos discutir alimentação em grande e pequena escala e transmitir para o mundo inteiro ver pela internet”, destacou o chef, um dos fundadores do Instituto ATÁ.

Atala pretende que o Fruto seja referência global em discussões sobre alimentação. “Austin, no Texas, faz anualmente um grande festival de tecnologia e criatividade. O Brasil pode fazer o mesmo com alimentação”, enfatizou o chef, para quem o país tem potencial para ganhar mercado valorizando e posicionando melhor os sabores de sua biodiversidade.

Na avaliação do presidente da Embrapa, a conexão alimentação, cultura e biodiversidade representa uma riqueza fabulosa para a agricultura brasileira avançar ainda mais em sustentabilidade e também conseguir ofertar produtos alimentícios únicos derivados de suas milhares de espécies endêmicas com possibilidades de uso na alimentação.

“A Embrapa tem uma visão contemporânea de agricultura e alimentação. Não é colocar cerca de arame farpado em torno da biodiversidade o que queremos. É preciso valorizar, caracterizar e usar a biodiversidade”, salientou Maurício Lopes.

Por isso, segundo ele, a Embrapa está disposta a discutir a parceria com o Instituto ATÁ, com foco na busca de novos sabores e aromas, na valorização dos produtos da biodiversidade, na pesquisa de novos ingredientes, dentre outras frentes de atuação.

“Tudo em linha com o objetivo estratégico da Embrapa, de promover a integração dos conceitos de alimentação, nutrição e saúde, explorando a ligação do alimento com a cultura e as tradições, além do prazer e bem-estar associados a uma gastronomia contemporânea, ligada à riqueza biológica do nosso país”, afirmou.

Centro de Gastronomia e Biodiversidade

Os representantes do Instituto ATÁ e da Embrapa discutiram também as possibilidades de fortalecer as pesquisas com espécies nativas da Amazônia e o potencial de ações conjuntas a partir da criação do Centro Global de Gastronomia e Biodiversidade, em Belém (PA).

O projeto do centro inclui o museu do alimento, escola superior , restaurante, laboratório de alimentos e feira do produtor, no âmbito de um parque temático do alimento a ser localizado no Parque Estadual do Utinga, uma área de 5 mil hectares de floresta urbana, localizado ao lado da Embrapa Amazônia Oriental.

“O mundo inteiro tem uma imagem mental da Amazônia, mas ninguém conhece o sabor, e biodiversidade quando a gente prova, ganha valor”, enfatizou Atala. Para ele, o Cerrado também merece um centro nos mesmos moldes. “O ideal seria um centro de gastronomia e biodiversidade para cada bioma.”

“A maioria da população desconhece cupuaçu, bacuri e outros frutos da Amazônia, mas isso não me causa estranheza. Assustador é a população desconhecer um pé de laranja sem frutos”, assinalou.

De acordo com o chef, a reconexão do ser humano com o alimento é necessária para a sustentabilidade de toda a cadeia e traria impactos positivos tanto na valorização dos alimentos produzidos em pequena escala quanto contribuiria para a redução do desperdício de alimentos. “Tenho a convicção que a maior rede mundial de conexão com as pessoas não é a internet, é o alimento”, observou Atala.

Gustavo Porpino  e Robinson Cipriano (Embrapa)

 

 

AGROEMDIA

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