Itanhaém ganha prêmio por incluir milho guarani na merenda escolar

a milho itanhaém
Andrea Farias

Itanhaém (SP) ficou em primeiro lugar no “Prêmio Josué de Castro de Combate à Fome e à Desnutrição” do Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável (Consea) do governo de São Paulo. A premiação ocorreu devido à política pública do município de inclusão do milho guarani (Avaxi Ete’i) na merenda das escolas indígenas das aldeias Rio Branco e Tangará, por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). Os produtos adquiridos pela prefeitura são originários da própria tribo.

Além disso, os produtores têm o Selo de Identificação da Participação da Agricultura Familiar (Sipaf), uma ferramenta que tem como objetivo dar visibilidade e valorizar a produção vinculada à mão de obra familiar. O objetivo da ação é promover a sustentabilidade, a responsabilidade social e ambiental e valorizar a cultura local.

De acordo com a gestora municipal de Segurança Alimentar e Banco de Alimentos da prefeitura de Itanhaém, Luciana Melo, o trabalho realizado é diretamente relacionado com a segurança alimentar. “Essa proximidade se dá quando analisamos pelo lado da valorização e resgate alimentar. No município, temos essas duas aldeias e sempre tivemos a preocupação de não conseguir incluir um alimento próprio deles e oriundo da produção de um agricultor indígena na alimentação das crianças.”

A gestora destaca que uma pesquisa foi feita com os líderes das aldeias para saber quais alimentos eles gostariam de ver retornarem para a merenda escolar. “Também foi feito um trabalho com a Fundação Nacional do Índio, a Funai, para localizar as sementes do milho guarani, pois há muito tempo não tínhamos mais esses grãos aqui.”

Além do fator da alimentação, com a retomada da produção deste alimento, e por ser considerado sagrado para os povos indígenas, um ritual também voltou à rotina dessas comunidades, ressalta gestora.  No rito, conta Luciana, o milho é utilizado para batizar o nome das almas das crianças indígenas.

Comercialização

Por meio do Pnae, a segunda cidade mais antiga do Brasil pode conceder a comercialização da produção rural indígena para a merenda escolar deste ano letivo. Conforme a tradição, o Avaxí ete’i  (milho sagrado) só pode ser consumido pelo povo guarani, ou seja, nas escolas com crianças das mesmas comunidades.

Em Itanhaém, a venda do Avaxí ete’i  é articulada para as escolas indígenas da aldeia do Rio Branco e em Aguapeú e o alimento é produzido de acordo com o número de alunos e a disponibilidade de recurso destinado pelo programa.

Produzido em um sistema agroflorestal, o milho guarani pode ser consumido cozido ou assado e também preparado em diversos pratos como beiju, pamonha, bolo e canjica.

Carolina Gama (Sead)

AGROEMDIA

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