Brasil se destaca em evento global pela sustentabilidade do algodão

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Cotonicultura brasileira é referência no mercado internacional – José Perina/Embrapa

O empenho da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) em padronizar e harmonizar a classificação instrumental de algodão foi destacado na 76ª reunião do International Cotton Advisory Committee (ICAC), na cidade de Tashkent, no Uzbequistão. O reconhecimento confirma a condição do Brasil de referência no mercado global da cotonicultura.

Membro do comitê, a Abrapa participou do evento, que reuniu 317 pessoas. Entre elas, representantes de governos de 16 países. Com o tema “Algodão na era da globalização e do progresso tecnológico”, o encontro foi realizado de 23 a 27 de outubro.

A reunião teve foco a inovação, principalmente como forma de incrementar o consumo da fibra no mundo, que foi de 24 milhões de toneladas em 2016, com 27% de participação do algodão, contra 67% do poliéster.

A produção mundial deverá aumentar 10% em 2017/2018, empatando com o crescimento do consumo neste período, estimado nos mesmos 10%. A previsão é de que a China volte a comprar mais algodão.

Com dois representantes no evento, o ex-presidente João Luiz Ribas Pessa e o consultor Andrew Macdonald, a Abrapa foi elogiada por seu Centro Brasileiro de Referência em Análise de Algodão (CBRA) pelo especialista Axel Drieling, do Centro Global de Testagem e Pesquisa do Algodão (ICA Bremen), instituição de referência mundial que congrega o Faserinstitut Bremen, o Bremen Fibre Institute (FIBRE) e o Bremer Baumwollbörse (BBB).

Certificação internacional

Em junho deste ano, ele visitou o CBRA, durante o processo de preparação para a certificação internacional, onde treinou técnicos do centro e representantes dos laboratórios de classificação por HVI brasileiros. “Drieling ficou muito impressionado com o que viu e com o trabalho da Abrapa”, disse Pessa.

No evento, a Abrapa representou oficialmente o Brasil no Commercial Standardization of Instrument Testing of Cotton (CSITC), e também no Private Sector Advisory Panel (PSAP). A reunião do CSITC foi moderada por Andrew Macdonald, Ele foi reeleito ao cargo de presidente do CSITC.

“Discutimos estratégias para aumentar a classificação por instrumentos em todos os países, como adotado no Brasil e nos Estados Unidos. Hoje, cada vez mais, a classificação manual, considerada ultrapassada, vai sendo abandonada. Já não faz mais sentido num mundo digital”, explica Macdonald.

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Pessa foi um dos dois representantes da Abrapa em reunião no Uzbequistão – Divulgação/Abrapa

Parte importante do encontro é a entrega das declarações (Member Statements) pelos países membros ao ICAC. Elas se tornam documentos oficiais e, posteriormente, ficam disponíveis no site da entidade. O Brasil relatou os números das últimas safras, assim como os dados da Embrapa sobre a ocupação territorial da agricultura no Brasil.

“Mostramos que somos um dos países que mais preservam a natureza, uma vez que mantemos 20,5% da vegetação nos imóveis rurais como reserva legal, 13% da vegetação nativa em unidades de conservação, 14% em terras indígenas, entre outros, que somam 66,3% da cobertura vegetal do território nacional intactos e protegidos por lei. Enquanto isso, mesmo sendo um grande produtor de alimentos, lavouras e florestas plantadas ocupam apenas 9% do território nacional”, afirmou o ex-presidente da Abrapa. Esses dados também foram apresentados em plenário para todas as delegações.

A Embrapa Algodão também participou do evento, representada pelo seu chefe-geral, Sebastião Barbosa. Ele falou sobre as oportunidades para a transferência de tecnologia, dando como exemplo o programa brasileiro de apoio aos países africanos na cotonicultura.

A iniciativa brasileira visa obter melhores resultados nas lavouras de algodão daqueles países, através da introdução novas cultivares e da adoção de boas práticas produtivas, como o sistema de plantio direto na palha, que ajuda a preservar o solo, e o aperfeiçoamento das técnicas na colheita e no beneficiamento, aproveitando o know how brasileiro em todos esse aspectos.

 Beneficiamento e transporte

A grade de temas discutidos na reunião do ICAC foi extensa e passou por questões relativas ao antes, durante e depois da etapa de lavoura, desde as variedades adotadas, até as questões de beneficiamento e transporte da fibra. “A grande diversidade de países participantes fomenta o contraditório e, em algumas situações, até acalora o debate, mas enriquece muito o encontro”, disse Pessa.

Um exemplo de divergência de posicionamento foi a defesa da Turquia ao plantio de algodão livre de OGMs, mesmo reconhecendo o direito de cada país à opção. A Austrália se contrapôs, apresentando dados sobre sua experiência de 20 anos de adoção da transgenia, que resultou em diminuição do uso de água e de inseticidas, sem prejuízo à produtividade e à qualidade do algodão.

“Ficou claro que, selecionando a variedade adequada, com um plano de plantio coerente, investimento em controle integrado de pragas e doenças e monitoramento, não há como correr riscos com a transgenia”, afirma Pessa.

O representante da Abrapa lembra que a água na Austrália, que produz algodão com irrigação em todas as suas lavouras, é crucial para a manutenção da atividade. No Brasil, a quase a totalidade das plantações se dá em regime de sequeiro.

 Natural, sustentável e renovável

Uma das resoluções da reunião do ICAC em Tashkent, apresentada pelo Brasil, foi estabelecer estratégias de aumento de consumo mundial da fibra, com um trabalho governamental com foco em competitividade frente às matérias-primas concorrentes, sintéticas.

A ideia é que os governos adotem como norma, para as peças confeccionadas, que as etiquetas especifiquem o tecido, com o reforço na informação de que o algodão é natural, sustentável e renovável.

“Essa deliberação nos mostra o quanto a Abrapa e o Brasil estão na vanguarda, uma vez que é exatamente disso que trata o nosso movimento Sou de Algodão. É mais uma frente no muito que temos a nos orgulhar de apresentar em eventos como esse”, ressaltou Pessa.

 

 

 

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Um comentário em “Brasil se destaca em evento global pela sustentabilidade do algodão

  • 7 de novembro de 2017 em 21:30
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    Este é o Pessa que conheço. O algodão ajuda na cura, no abrigo do corpo humano e no choque entre cristais.

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