Indústria brasileira de carnes nega vender produto com ractopamina à Rússia

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Da Reuters

 A indústria de carnes do Brasil negou nesta terça-feira (21) que exporte produtos com o aditivo ractopamina à Rússia, apostando em uma “breve” retomada dos embarques para o país euroasiático, o que traria impactos limitados para a cadeia produtiva.

À Reuters, o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Antônio Jorge Camardelli, disse que o setor “executa todas as análises preliminares para exportação de carne bovina” sem o aditivo à Rússia.

“A última notificação envolvendo ractopamina havia sido em 2013, o que prova que, desde então, estávamos dentro dos padrões russos. Mantenho a posição de que o Brasil não usa ractopamina em bovinos. Há um controle rigoroso no abate e na matéria-prima”, destacou ele, que fala pelos exportadores de carne bovina.

Apesar de a Rússia ser um dos maiores importadores de carnes do Brasil, Camardelli previu efeito limitado sobre o setor neste momento, porque durante o inverno (no Hemisfério Norte) a Rússia sazonalmente importa menos por causa de portos congelados e disse esperar uma “rápida recomposição” das vendas.

Na mesma linha, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que representa a avicultura e a suinocultura do Brasil, disse mais cedo, nesta terça-feira, ter recebido com preocupação a decisão russa, mas que aposta no trabalho do governo brasileiro para “o pleno e rápido esclarecimento, retomando em breve os embarques”.

“As agroindústrias associadas à ABPA respeitam a legislação sanitária da Rússia… O setor está seguro sobre as características de seu produto e garante que a produção de carne suína embarcada não utiliza ractopamina”, afirmou a ABPA em nota.

Mercado importante

A Rússia é um importante mercado para as carnes brasileiras, mas não tolera a ractopamina.

No Brasil, o estimulante de crescimento, usado como ingrediente à ração animal, não é autorizado na produção de carne bovina, mas na de suína tem sinal verde, cabendo aos exportadores o controle das vendas à Rússia.

O país respondeu por cerca de 40% das vendas brasileiras de carne suína no acumulado do ano até setembro, segundo dados da ABPA, enquanto os russos representaram aproximadamente 11% das exportações de carne bovina do país até outubro, de acordo com a Abiec.

O Brasil é o maior exportador de carne bovina do mundo e um dos principais no segmento de carne suína. Em nota, o Ministério da Agricultura disse que “até o presente momento não recebeu por parte do governo russo nenhuma notificação de suspensão das carnes bovina e suína brasileira, mas apenas a notificação sobre a presença de ractopamina”.

A pasta ponderou, no entanto, que “o Brasil utiliza o sistema de segregação de suínos para a exportação de carne para Rússia, o que impossibilitaria a detecção de ractopamina”.

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