CNA rechaça pedido da UE para investigar vigilância sanitária do Brasil

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João Martins, presidente da CNA, assina carta à UE – Foto: Divulgação/CNA

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) enviou carta ao Parlamento Europeu contestando o pedido da Copa-Cogeca – representante dos produtores rurais europeus – para criação de um comitê que identifique deficiências no sistema brasileiro de vigilância sanitária.

“Atitudes desse tipo não contribuem para o desenvolvimento global. É uma medida de grupos isolados de produtores europeus que temem o avanço das negociações entre Mercosul e União Europeia”, afirmou o presidente da CNA, João Martins, no documento enviado ao Comitê de Agricultura do Parlamento Europeu.

No posicionamento, a CNA ressaltou que, conforme disposto no Acordo de Medidas Sanitárias e Fitossanitárias (SPS) da Organização Mundial do Comércio (OMC), as medidas adotadas pelos países devem ser baseadas em evidências científicas. Em maio deste ano, uma comitiva do bloco veio ao Brasil e atestou que a produção brasileira atende aos requisitos estabelecidos pelos europeus.

De acordo com a CNA, a Copa-Cogeca deveria se ater, em primeiro lugar, ao sistema europeu de fiscalização e segurança alimentar, que registrou casos recentes de problemas em carne de cavalo, ovos com resíduos de Fipronil e presença de Hepatite E em patês e salsichas. Ainda nesta semana, um fabricante francês de fórmulas de leite para bebês ordenou uma retirada global de seus produtos do mercado, por estarem contaminados com bactérias de salmonela.

“Essas fraudes colocaram a população europeia e os consumidores de todo o mundo, incluindo o Brasil, em situação de risco. Entendemos que sempre há espaço para melhorias, mas deve valer para ambos os lados.”

A CNA ressaltou que os produtores do bloco europeu são beneficiados pelas boas relações comerciais com o Brasil. Em 2016, lembrou a entidade, eles exportaram para o mercado brasileiro cerca de US$ 243 milhões de azeite de oliva, mais de U$$ 100 milhões em vinhos e US$ 129 milhões em batatas.

A confederação conclui que, agravado pela proximidade da conclusão do Acordo de Associação entre Mercosul e União Europeia, o posicionamento protecionista da Copa-Cogeca em nada beneficia os produtores e consumidores europeus. “Ao contrário. Demonstra falta de visão de longo prazo quanto aos benefícios que podem ser gerados pelo acordo para a maioria dos seus produtores.”

Da redação, com informações da CNA

 

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