Embrapa Cerrado lança nova cultivar de maracujá-doce

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Uma nova variedade de maracujá-doce foi lançada pela Embrapa Cerrado (Planaltina-DF). É a primeira cultivar da espécie Passiflora alata Curtis, maracujá-doce BRS Mel do Cerrado (BRS MC), registrada e protegida no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

A cultivar é uma opção para os fruticultores tecnificados, que utilizam estufas, pequenos produtores e agricultores urbanos e periurbanos. Interessados em plantá-la podem fazer a reserva de mudas com os viveiristas licenciados pela Embrapa clicando aqui.

Com flor de cor vermelho arroxeada, a cultivar é indicada para uso na fruticultura ornamental, com utilização das flores, frutos e da própria planta no paisagismo de grandes áreas como cercas e pérgulas.

As principais características da cultivar BRS Mel do Cerrado – alta produtividade, qualidade física e química dos frutos e maior nível de resistência a pragas e doenças – foram trabalhadas no programa de melhoramento genético da Embrapa.

Segundo o pesquisador Nilton Junqueira, a Embrapa Cerrados montou em 1996 uma coleção de genótipos de maracujá procedentes da Amazônia Ocidental, Cerrados e Mata Atlântica do Nordeste, Sudeste e Sul, com objetivo de desenvolver cultivares mais resistentes a doenças como virose e bacteriose.

“Em 1996, a virose e a bacteriose destruíram os plantios de maracujá em São Paulo e mais tarde no DF e Goiás. A cultura foi praticamente abandonada, reduzida a pequenas áreas em estufas e a campo nos estados de Santa Catarina e Paraná, onde estas doenças não haviam chegado”, lembra o pesquisador.

“Após montarmos a coleção, os genótipos selecionados foram enviados para o Rio de Janeiro, Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais. O BRS Mel do Cerrado foi um dos genótipos desenvolvidos a partir desta coleção”, acrescenta Junqueira, pioneiro dessas pesquisas na década de 1990.

Maior nível de tolerância

A cultivar melhorada geneticamente tem maior nível de tolerância às principais doenças foliares que a população original de melhoramento, mas ainda apresenta suscetibilidade à bacteriose e à virose.

Para conviver com a virose Junqueira recomenda o uso da tecnologia do “mudão”, onde as mudas são conduzidas em ambiente protegido até atingirem mais de 1,5 metros, quando então são levadas para o campo.

As principais vantagens do “mudão” são a menor perda de mudas em campo após o plantio; maior tolerância ao ataque de virose, podridão de raízes, cupins, fungos e bactérias; maior durabilidade do plantio e maior produtividade.

Essas vantagens, de acordo com Junqueira, compensam o preço do “mudão” – o dobro da muda convencional –, o custo do transporte, que é mais caro e mais complicado, e a exigência de maior espaço dentro da estufa e do telado.

Outra orientação para os produtores de maracujá-doce conviverem com a bacteriose são as pulverizações preventivas, principalmente feitas no início das chuvas e durante as épocas do ano mais úmidas e quentes.

Para minimizar os problemas enfrentados com os insetos, como mosca da fruta, besouro da flor, percevejos e tripés, o pesquisador orienta fazer o manejo de pragas do mesmo modo que é feito com o maracujá-azedo.

Cultivo e produção

O sistema de produção da cultivar BRS Mel do Cerrado segue as recomendações técnicas do maracujazeiro-azedo comercial, com relação às exigências edafo-climáticas, preparo e correção do solo, necessidade de espaldeiramento, podas, irrigação e adubações.

A partir das informações obtidas nas unidades de validação da cultivar e áreas experimentais, os pesquisadores fizeram alguns ajustes no sistema de produção que devem ser realizados com base na realidade local do produtor.

O plantio de maracujá-doce pode ser feito de duas formas: espaldeira ou latada. A pesquisadora Ana Maria Costa apresentou resultados em que foram comparados os dois sistemas de plantio.

O maracujá-doce no sistema latada foi 87% mais produtivo que em espaldeira. A vantagem do sistema de espaldeira é poder aproveitar a área para cultivos consorciados, como, por exemplo, com as culturas de arroz, feijão, amendoim e maxixe.

“Os resultados de produtividade foram melhores em latada, mas isso não quer dizer que todos os produtores devem usar esse sistema. A tomada de decisão deve ser pela mão-de-obra”, diz Ana Maria.

“Como os tratos culturais são mais difíceis na latada”, prossegue a pesquisadora, “o produtor deve decidir se vale a pena ou não fazer o cultivo em latada. Se ele não tiver mão de obra para fazer os tratos culturais é preferível a espaldeira, mesmo com menor produtividade.”

A principal recomendação para o momento do plantio, destaca o pesquisador Fábio Faleiro, é o uso de sementes e mudas certificadas. “O produtor não deve economizar nessa hora. A qualidade da semente ou da muda é a base para garantir a produtividade do maracujazeiro.”

O uso de sementes de pomares anteriores – recurso comumente utilizado pelo produtor – gera a endogamia (união entre indivíduos aparentados, geneticamente semelhantes), que provoca perda de vigor da planta, menor vingamento de frutos, menor enchimento de frutos, desuniformidade do pomar, maior suscetibilidade a doenças e maior desuniformidade dos frutos.

Aproveitamento integral

Paralelamente ao programa de melhoramento genético do maracujazeiro, a Embrapa desenvolve tecnologias para produção e agregação de valor aos maracujás do Cerrado. Ana Maria explica que para todos os elos da cadeia produtiva são estudadas maneiras de aproveitamento e agregação de valor ao maracujá-doce.

Do maracujá BRS Mel do Cerrado se aproveita as folhas, a polpa, sementes e a casca do fruto. A polpa tem menos acidez que o maracujá-silvestre e por isso come-se in natura. Cerca de 80% do fruto, que tem peso variando de 120 a 300 gramas, é formado pela casca, que também é comestível. A casca pode ser utilizada para fazer farinha, saladas e doce em compotas, entre outras receitas.

As indústrias de medicamentos e de cosméticos têm interesse pelas folhas do maracujá-doce. “A Passiflora alata, conhecida também como maracujina ou maracujá-doce, já é conhecida das indústrias que utilizam suas folhas para a fabricação de medicamentos, fitoterápicos e cosméticos. As folhas são ricas em antioxidante e flavonoides. O óleo extraído das sementes é utilizado na produção de cosméticos”, observa Ana Maria.

É justamente nesses múltiplos usos do maracujá que está apostando o produtor Luiz Carlos Cotta. “No início, vou comercializar o maracujá em embalagens com 10 ou 12 unidades e depois espero abrir mercado para atender os interessados em aproveitar o produto. Na próxima safra, vou abrir área para plantar mais desse maracujá para ter mais essa opção de renda na propriedade”, disse Cotta, um dos produtores que validou o material em sua propriedade, em Sobradinho (DF).

Da redação, com informações da Embrapa

 

 

 

 

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