Consumidor, preste atenção na qualidade dos alimentos

Fiscais apreenderam 105 toneladas de alimentos clandestinos desde 2015 no DF
Foto: Tony Winston/Agência Brasília

Neste período de comemoração pela chegada do novo ano, em que aumenta o volume de compras, o consumidor não pode ficar desatento em relação à qualidade dos alimentos. No Distrito Federal, reclamações sobre produtos inadequados ao consumo podem ser feitas pelo fone 162, da Ouvidoria da Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Rural, que tem equipes de fiscalização.

As carnes e os lácteos são os produtos que mais apresentam irregularidades no Distrito Federal, segundo a Secretaria de Agricultura. No restante do país, esses itens também são os que exigem mais cuidados do consumidor na hora da compra.

Alimentos de origem vegetal manipulados de forma inadequada podem vir contaminados de salmonela e coliformes fecais, além de provocar infecções, diarreia, dores e febre.

No caso do consumo de produtos de origem animal, doenças como a brucelose e a tuberculose podem ser transmitidas aos humanos. O risco se deve à falta de conhecimento sobre a procedência do animal.

“Não temos como saber se o bicho estava doente, se o abate foi feito em um local com estrutura e higiene ou se os lácteos, como leite e iogurte, não estão adulterados e contaminados”, diz o gerente de Fiscalização do Trânsito de Produtos Agropecuários da secretaria, Fábio Azevedo.

Quando o alimento passa por avaliação de acordo com as normas sanitárias brasileiras, recebe um selo de inspeção, colocado no rótulo do produto. O certificado emitido pelo governo de Brasília é do Sistema de Inspeção Distrital e o do governo federal é do Sistema de Inspeção Federal (SIF).

Caso duvide da procedência, o consumidor também pode solicitar a apresentação do selo em restaurantes, bares e lanchonetes.

Apreensão de 105 de t de no DF

Só para ter uma ideia, a Secretaria de Agricultura do DF apreendeu 105,22 toneladas de alimentos impróprios para o consumo humano ou clandestinos de 2015 até agora.

Do total de mercadorias mal armazenadas ou sem documentação, 93,26 t eram de origem animal e 11,96 t, de origem vegetal. Neste ano, até outubro, o órgão apreendeu 21,19 t de carnes e lácteos.

Nos últimos três anos, foram inspecionados cerca de 15 mil veículos e feitas 3,4 mil visitas a locais de manipulação de alimentos para comércio. Foram realizadas ainda 9,7 mil análises laboratoriais e emitidos 280 autos de infração.

Segundo a Diretoria de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal e Animal da secretaria, o DF faz dois tipos de fiscalização: uma nos locais onde é feita a manipulação dos alimentos e outra na rua, verificando se o transporte é realizado de forma correta, com a refrigeração e o armazenamento necessários de acordo com o produto.

“A logística das buscas ocorre primeiro nas vias e rodovias de acesso ao DF. Depois que fazemos a varredura, começamos a ronda nas áreas próximas de feiras e comércios”, informa Azevedo.

Em alguns abatedouros, há fiscais permanentes para o controle de inspeção. Já nas indústrias menores, a fiscalização é feita uma ou duas vezes por mês.

Alimentos in natura, como frutas e verduras, não passam por esse tipo de fiscalização.

A punição para quem transporta ou manipula produtos alimentícios sem registro varia de acordo com a quantidade e com o tipo de risco que oferece ao consumidor.

Quando a irregularidade é constatada, o material é apreendido e a pessoa recebe advertência e multa, que pode variar de R$ 2,4 mil a R$ 120 mil.

Se for apreendido por transporte ou venda irregulares, o estoque é analisado no laboratório da diretoria de inspeção, na Asa Norte. “Se não tiver origem, não analisamos porque não há como saber a procedência. Então, é incinerado”, ressalta Azevedo.

Nas situações em que está próprio para consumo, o alimento é doado a entidades assistenciais cadastradas. Produtos impróprios, mas em bom estado de conservação, vão para a Fundação Jardim Zoológico de Brasília, que verifica se eles podem servir para os animais.

 

 

AGROemDIA

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