DF: agricultura perde R$ 70 milhões, mas evita colapso no abastecimento d’água

a crise hidrica df 14 1
Foto: Dênio Simões/Agência Brasília

A crise hídrica causou perdas de R$ 70 milhões em 2017 para os agricultores do entorno da Bacia do Descoberto, um dos principais reservatórios do Distrito Federal, segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do DF (Emater-DF). Grande produtora de frutas e hortaliças, a região teve redução de 75% na captação de água e de 30% na área cultivada. Apesar disso, o uso consciente de água na agricultura foi fundamental para evitar o colapso no abastecimento do DF no ano passado.

De acordo com o governo do DF (GDF), a recuperação de canais, o revestimento de tanques de armazenamento e a substituição de sistemas de irrigação, entre outras ações, fizeram o volume do Descoberto resistir ao período de seca. A escassez de água resultou num impacto financeiro de R$ 600 milhões no DF, conforme a Emater.

Quando o plano de enfrentamento da crise hídrica na área rural foi lançado, em 23 de janeiro, o cenário era de três anos de chuva abaixo da média histórica, somados à forte estiagem entre a segunda quinzena de dezembro de 2016 e a primeira quinzena de janeiro de 2017.

Com menos precipitação, informa o GDF, a infiltração de água no solo também ficou prejudicada. Isso fez com que os lençóis freáticos do DF ficassem três metros abaixo do esperado — redução que prejudicou a recarga dos principais rios e córregos que abastecem o Descoberto.

A resposta à redução progressiva das duas principais barragens do DF precisou ser imediata, destaca o presidente da Emater-DF, Roberto Carneiro. “A crise tem sido importante para todos nós, população e governo. Aprendermos a nos planejar para o futuro.”

Conforme Carneiro, um ponto reforçado neste período foi a conservação ambiental por parte dos produtores rurais. “A agricultura tem papel fundamental no equilíbrio dos espaços rural e urbano. É ela que mantém a destinação da área, evita o parcelamento irregular do solo e permite a infiltração de água nos lençóis.”

a lavoura df
Foto: Tony Winston/Agência Brasília

Prioridades na crise hídrica

Desde o agravamento da crise hídrica, a prioridade do governo do DF tem sido o abastecimento humano e a dessedentação — ato de saciar a sede — dos animais, conforme previsto na Resolução nº 13, de 15 de agosto de 2016, da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico (Adasa).

Foram definidos três eixos de atuação conjunta dos órgãos do governo do DF para a agricultura: diminuição da retirada de água nos córregos e ribeirões que abastecem o Descoberto; redução do desperdício hídrico na agricultura; e aumento da produção de água, principalmente na Bacia do Descoberto.

A diminuição na retirada de água pelos irrigantes tem o objetivo de aumentar a vazão afluente, ou seja, a quantidade de água que chega ao Descoberto.

As medidas adotadas permitiram que os principais afluentes do Reservatório do Descoberto apresentassem melhora na vazão média mensal de 2017 em relação à de 2016. O monitoramento da situação é contínuo.

O secretário de Agricultura, Argileu Martins, ressalta que não seria possível enfrentar o problema de outra maneira, embora reconheça que as ações foram amargas. “Foi um trabalho muito técnico. As medidas foram eficazes porque reduziram o impacto que uma crise hídrica produz em qualquer ambiente.”

recuperacao_Canais_2-2-17-_Foto_Tony-Winston-3 (1)
Foto: Tony Winston/Agência Brasília

Recuperação de canais

Em fevereiro de 2017, a Secretaria da Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural começou a revitalizar ramais de uso coletivo na Bacia do Descoberto.

Até agora, informa o GDF, os canais dos Córregos Guariroba, Cristal e do Índio somam 9,8 quilômetros (km) de ramais revestidos com tubos e manilhas.

A meta do governo é alcançar os outros três canais (Olaria 2ª fase, Capão Comprido ramais 1 e 2) até dezembro de 2018. Eles representam 22 km de braços de irrigação na área.

No Canal do Guariroba, por exemplo, a retirada passou de 60 litros por segundo antes da recuperação para 28 litros por segundo após a colocação dos tubos.

O canal do Rodeador, por sua vez, teve pontos críticos recuperados e o revestimento dos 32 km dele depende de recursos externos ao DF.

Da redação, com informações da Agência Brasília

AGROemDIA

O AGROemDIA é um site especializado no agrojornalismo, produzido por jornalistas com anos de experiência na cobertura do agro. Seu foco é a agropecuária, a agroindústria, a agricultura urbana, a agroecologia, a agricultura orgânica, a assistência técnica e a extensão rural, o cooperativismo, o meio ambiente, a pesquisa e a inovação tecnológica, o comércio exterior e as políticas públicas voltadas ao setor. O AGROemDIA é produzido em Brasília. E-mail: contato@agroemdia.com.br - (61) 99244.6832

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: