Inaugurada no RS a primeira agroindústria de vinho colonial

 

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Foto: Francisca Canovas/Embrapa

A primeira agroindústria de Vinho Colonial do Rio Grande do Sul, a Piccola Cantina, dos produtores Auri e Diva Flâmia, foi inaugurada em Bento Gonçalves no início deste mês. A propriedade fica em Faria Lemos, no interior do município.

Com o certificado, a família Flâmia já pode comercializar seus produtos em feiras, cooperativas e associações apenas com o talão de produtor rural, sem a necessidade de abrir uma empresa, desde que produza até 20 mil litros por ano, sendo que no mínimo 70% (no RS é 100% de uva própria) da uva utilizada na bebida deve ser colhida na propriedade.

Durante a inauguração, a cantina também recebeu o Selo Sabor de Bento da prefeitura de Bento Gonçalves, que certifica a qualidade do produto oferecido. No evento estiveram presentes várias instituições que desde 2010 estão envolvidas com o projeto do vinho colonial.

De acordo com o produtor Auri Flâmia, agora será possível trabalhar com mais qualidade, podendo vender com nota, com rótulo. “A ideia é crescer, fazer mais vinho”.  “Isso representa um futuro melhor para nossas filhas, que certamente não terão que passar por tudo o que a gente passou. Assim a gente consegue processar o nosso próprio produto”, acrescentou a mulher do produtor, Diva Flâmia.

Para Mauro Zanus, chefe-geral da Embrapa Uva e Vinho, a expectativa com essa legalização é abrir portas para o setor de vinhos crescer em todo o Brasil. “Nesse primeiro momento está equacionada a questão no Rio Grande do Sul e esperamos que isso fortaleça as ações de agroturismo, enoturismo e da própria valorização do vinho.”

Venda direta ao consumidor

Segundo ele, o segmento de cadeias curtas, como a do vinho, permite a venda direta ao consumidor com mais competitividade. Isso, enfatiza, permite a valorização das condições particulares do solo, do clima, da região e da arte de fazer o vinho.

De acordo com Zanus, isso abre um espaço para inovação, já que a Embrapa e parceiros oferecerão cursos de capacitação para informar aos produtores todos os aspectos relativos à qualidade do vinho, não somente como bem elaborar, mas também aspectos relativos à garrafa, ao rótulo, e estratégias de mercado.

Para Sandra Dalmina, gerente regional da Emater/RS-Ascar de Caxias do Sul, o evento coroou um trabalho feitos há anos. “Desde 2010, várias entidades envolvidas com o setor vitivinícola se reuniam em torno do projeto do vinho colonial por demanda dos próprios produtores e acabou se tornando uma lei”.

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Foto: Francisca Canovas/Embrapa

O RS é o primeiro estado que conseguiu implementar a lei do vinho colonial. “Além de termos a Lei do Vinho Colonial, que é federal, temos no Rio Grande do Sul a Lei da Agroindústria. Como pode se enquadrar na Lei da Agroindústria, o produtor automaticamente se enquadra na Lei do Vinho Colonial”, enfatizou Sandra Dalmina.

Resgate cultural

Tarcisio José Minetto, secretário de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo, acredita que a Lei do Vinho Colonial “resgata toda uma produção culturalmente tradicional, a produção do vinho colonial envolvendo aqui duas famílias”.

Ele destacou ainda o envolvimento do governo federal, a Embrapa, o Ministério da Agricultura, a Secretaria Estadual de Agricultura, a Secretaria de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo, a prefeitura de Bento Gonçalves e a Emater.

“Isso significa um bom resultado, uma boa renda para o agricultor familiar, para cada unidade de produção do vinho colonial. Já são 11 agricultores que estão buscando fazer o passo-a-passo, a formalização, a simplificação, além de trazer toda a questão econômica que vem com a simplificação do processo. Ou seja, o agricultor sendo formalizado como microagricultor, vendendo no bloco do produtor, tem condição de simplificar e comercializar formalmente o seu vinho colonial”, disse Minetto.

Na avaliação do secretário, o processo de legalização do vinho colonial resgata o cultural e tradicional aliado à questão do turismo dando o efeito multiplicador, do ponto de vista econômico e financeiro, gerando renda e motivando a permanência da juventude no meio rural, a sucessão rural.

Além disso, acentuou o secretário, a legalização do vinho colônia movimenta a economia local. “Isso promove o desenvolvimento local e também o regional.” Muitas pessoas, completou, visitam a região e levam o vinho colonial de lembrança ou mesmo para fora do país.

Da redação, com Embrapa Uva e Vinho

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