Brasil é modelo para Colômbia e Peru implantarem cotonicultura sustentável

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Foto: Clauber Cleber Caetano/PR

Quinto maior produtor mundial de algodão e primeiro em fornecimento de fibra sustentável, licenciada pela Better Cotton Initiative (BCI), o Brasil está servindo de modelo para a Colômbia e o Peru adotarem ações de sustentabilidade na cotonicultura.  A meta é implantar nos dois países a certificação de algodão sustentável como mecanismo indutor do mercado e do desenvolvimento.

Os números do setor mostram por que o Brasil se tornou referência para outros países. Na safra 2016/2017, 76% da pluma produzida no país e 74% da área plantada foram certificados. No ciclo passado, a cotonicultura brasileira produziu 1,53 milhão t de pluma em uma área de 939 mil hectares, de acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Entidade representativa do segmento no país, a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) está apoiando o esforço colombiano e peruano para implementar iniciativas voltadas à sustentabilidade na cotonicultura, buscando o fortalecimento da cultura na América Latina.

Como parte dessa estratégia, a Abrapa participou de reuniões, nesta semana, na Colômbia e no Peru para detalhar o modelo de governança da entidade e o programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), que opera em benchmarking com a ONG suíça BCI.

Nos encontros em Bogotá e Lima, foram debatidos os conceitos de certificação e analisadas as políticas e ações já em andamento. Além da Abrapa e de representantes dos governos colombiano e peruano, técnicos da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), produtores e líderes do setor participaram das reuniões.

Os representantes da Abrapa e os demais participantes das reuniões ainda visitaram lavouras em Córdoba (Colômbia) e Piura (Peru) para verificar os sistemas produtivos e o potencial de certificação de algodão sustentável.

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Foto: Alan Santos/PR

Mais Algodão

As reuniões também se inserem nas ações do Projeto Mais Algodão, resultado do acordo de cooperação para o fortalecimento da cotonicultura nos países do Mercosul, Haiti e África subsaariana, firmado em 2012.

A parceria envolve, além dos demais países signatários, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil (MRE), por meio da Agência de Brasileira de Cooperação (ABC), o Instituto Brasileiro do Algodão (IBA) e o Escritório da FAO para a América Latina e Caribe.

Com o projeto, diz o diretor-executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, os governos desses países esperam que, em uma década, a produção sustentável certificada seja um requisito mínimo para as transações comerciais, incentivando a conscientização do produtor, independentemente de qualquer estratégia de diferenciação mercadológica.

“O governo do Peru propõe, para 2018, a implementação de uma política para a produção sustentável certificada, através do Programa de Desenvolvimento de Pequenos e Médios Produtores”, informa Portocarreto.

“O governo da Colômbia, por sua vez, intensificou esforços para melhorar a competitividade do setor algodoeiro”, acrescenta Portocarrero.  Há um ano, os dois países se reuniram para discutir as estratégias.

Mais produtivos

Ainda conforme Portocarrero, a adoção de critérios rígidos para a sustentabilidade ambiental, social e econômica das fazendas produtoras de algodão brasileiras certificadas tem resultado em melhoria geral dos procedimentos e em incremento de produtividade. “Os produtores certificados foram, em média, 17% mais produtivos e conquistaram ganhos na comercialização de seu algodão de até 10%.”

O programa Algodão Brasileiro Responsável é resultado de iniciativa implantada, em 2005, pela Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa). Em 2009, o programa ABR foi replicado nacionalmente e, em 2013, teve início o benchmarking entre o ABR e a BCI.

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Foto: Divulgação/Abrapa

 

AGROemDIA

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