Melhoramento genético é crucial para eficiência produtiva em períodos de estiagem

gado 2 pasto Wolf Genética - Crédito Wolf Genética Divulgação
Foto: Wolf Genética/Divulgação

O melhoramento genético é essencial para a eficiência produtiva bovina em períodos de estiagem, de acordo com a Conexão Delta G, associação formada por um grupo de agroempresas brasileiras para gerar e utilizar tecnologia de ponta, a fim de aumentar a rentabilidade da pecuária de corte. No Rio Grande do Sul, o déficit hídrico e a falta de chuva são comuns na Metade Sul, especialmente durante o verão, e afetam o desempenho do gado. Por isso, programas voltados ao melhoramento genético ganham força no desenvolvimento dos animais em cenários de adversidades climáticas. 

A maior ocorrência de estiagens na Metade Sul é verificada entre novembro e fevereiro, período em que os rebanhos de cria estão em fase de produção com o máximo das exigências nutricionais e, portanto, crucial para o sistema. Também nesses meses a estação reprodutiva está em andamento e uma estiagem prolongada afeta muito a produtividade, prejudicando a estrutura do rebanho e a renda do produtor.

Segundo o veterinário Bernardo Pötter, presidente do Conselho Técnico da Conexão Delta G, os programas de melhoramento genético têm ênfase em características de desempenho, precocidade sexual e qualidade de carcaça que podem ajudar o produtor a selecionar animais mais adequados ao sistema e ambiente de produção, aliando desempenho e adaptação.

A Conexão Delta G, enfatiza Pötter avalia os animais em sistemas 100% a pasto, ou seja, sujeitos às condições climáticas da região, o que permite identificar e selecionar os animais mais produtivos dentro do meio ambiente de produção.

Pötter salienta que os criadores dão muita importância ao ganho de peso, pré e pós-desmama. Nos índices genéticos, acrescenta, essas características geralmente entram com 50% da ponderação por serem de extrema relevância, porque afetam de forma direta o custo de produção de carne.

Características

“Entretanto, as características de Conformação, Precocidade e Musculatura (CPM) servem para equilibrar e nortear a seleção, indicando qual a composição do ganho de peso dos animais. Caso contrário, a seleção indiscriminada para ganho de peso levaria a animais de tamanho adulto extremo, resultando em maior exigência nutricional, maior idade à puberdade e ao abate, levando, assim, à seleção de animais inadequados ao sistema de produção a pasto, principalmente em ambientes com ocorrência de estiagens durante o período crítico do ciclo de produção”, diz.

As características de C, P e M são altamente correlacionadas com características de carcaça e de rendimento de cortes. Por isso, são tão utilizadas na seleção de animais em sistemas a pasto. Conformação e musculatura são correlacionadas com área de olho de lombo, que indica o rendimento de cortes comerciais e a quantidade de carne na carcaça, enquanto precocidade é correlacionada com precocidade de acabamento e precocidade sexual que indicam, respectivamente, a velocidade de terminação e a idade à puberdade do animal.

Além disso, Pötter ressalta que são características de fácil medição em grupos contemporâneos e de alta repetibilidade e devem ser observadas simultaneamente com ganho de peso, a fim de selecionar animais equilibrados, em harmonia com o sistema de produção.

Dessa forma, observa o médico veterinário, animais com DEP’s (Diferença Esperada na Progenie) altas/moderadas para ganho de peso e CPM devem ser o objetivo de seleção, e não animais extremos para apenas uma característica.

Ele assinala ainda que vários estudos têm demonstrado que animais equilibrados têm grande vantagem e melhor desempenho em condições inóspitas em relação àqueles selecionados para alto ganho de peso de forma isolada. “A seleção para ganho de peso e CPM permite produzir animais com peso e rendimento de carcaça adequados sem, contudo, aumentar o tamanho e peso vivo do animal, mantendo assim as exigências nutricionais em equilíbrio com o meio ambiente e aumentando a eficiência produtiva do rebanho”, explica Pötter.

 

 

 

AGROemDIA

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