Dívida rural é de pelo menos R$ 880 bi, informa comissão em reunião no TO

As dívidas acumuladas pelos produtores, até dezembro de 2017, somam R$ 280 bilhões apenas com o sistema financeiro oficial. Também há débitos com cooperativas, empresas, cerealistas e demais fornecedores estimados em R$ 600 bilhões. Os números foram apresentados pela Comissão Externa da Câmara dos Deputados que estuda meios para solucionar o endividamento agrícola (Cexagric), durante audiência pública, em Palmas.

No encontro com agropecuaristas, dirigentes de entidades representativas do agro estadual e parlamentares do Tocantins, nessa quarta-feira (28), a comissão recebeu sugestões para incluir na proposta a ser apresentada para resolver o problema. Conforme o coordenador da Cexagric, deputado Jerônimo Goergen (PP-RS), a Câmara Federal tem pressa em elaborar e votar mudanças na legislação que permitam socorrer o setor.

Ainda segundo Goergen, o ideal é que isso seja feito antes que um novo governo assuma a Presidência da República, em 2019, o que poderia protelar a adoção de medidas para atenuar a crise vivida pela cadeia produtiva agrícola. De acordo com o parlamentar gaúcho, os R$ 280 bilhões de dívida com os bancos oficiais corresponderiam apenas 40% do total.

Muitos fatores foram apontados, durante a reunião, como responsáveis pelo endividamento do setor: carga tributária excessiva, legislação ambiental hostil ao produtor, altas taxas de juros, dificuldade de acesso ao crédito, planos econômicos e problemas logísticos, entre outros.

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“Produtor com a corda no pescoço”

O deputado federal Lázaro Botelho (PP-TO) reforçou a importância do papel dos agropecuaristas na economia brasileira. “O produtor mata a fome dos brasileiros e de muitos estrangeiros, abastecendo os lares com o alimento. Mas não adianta produzir tanto e viver com a corda no pescoço. É preciso saber a causa do problema [para buscar soluções]”, disse o parlamentar.

Já o deputado federal Cesar Halum (PRB-TO) assinalou que Câmara Federal tem um corpo técnico preparado para auxiliar a comissão. “As variações são grandes e cada segmento tem um tipo de demanda, mas estamos trabalhando com segurança para construir um relatório sucinto e objetivo”, afirmou.

Lei Kandir

Os produtores mostraram preocupação com a possibilidade de alterações na Lei Kandir, que isenta de ICMS os insumos destinados à exportação. Eles também reclamaram do valor das taxas cobradas pelos cartórios e do preço do óleo diesel. Goergen informou que outra comissão tratará das taxas cartorárias.

O encontro ocorreu na Assembleia Legislativa do TO e contou com a participação de deputados federais, dos deputados estaduais Olyntho Neto (PSDB) e Valderez Castelo Branco (PP), do superintendente federal da Agricultura no TO, Rodrigo Guerra, do superintendente da SPU-TO, Lucio Alfenas, do Superintendente do BASA, Carlos Henrique Marques, do Superintendente estadual de Varejo do Banco do Brasil, Sandro Grando, e do ex-subsecretário de Agricultura Ronison Parentes.

 

Fotos: Ulisses Holanda/Divulgação

 

 

AGROemDIA

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