Lançada no Tocantins variedade de arroz que eleva produtividade em até 35%

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 Foto: Clenio Araujo/Embrapa

A Embrapa lançou no Tocantins uma nova variedade de arroz, capaz de ter até 35% mais produtividade do que outras cultivares. O lançamento ocorreu durante a Agrotins, em Palmas, considerada o principal evento do agronegócio da Região Norte. Hoje, o estado é o terceiro em produção de arroz no país, ficando atrás apenas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

“Essa cultivar veio agregando uma produtividade muito grande em cima dos materiais que até então a gente tinha que vinham do Sul do Brasil. Nós chegamos a agregar 35% de produtividade com essa cultivar em relação às outras cultivares Clearfield que até então tínhamos no mercado”, diz Fausto Garcia, diretor da Uniggel Sementes, empresa licenciada pela Embrapa para a produção e a comercialização da BRS A702 CL.

O Tocantins tem grande potencial de crescimento na cultura de arroz, o que pode colocá-lo como segundo produtor do país no cultivo em áreas de várzea. “O nosso potencial é extremamente grande. O que precisamos é de política pública para que possam ser implementadas essas novas áreas e serem incorporadas à produção”, diz Fausto, referindo-se à grande área de várzea ainda disponível para cultivo de arroz no Tocantins.

Essa área fica na região dos municípios de Formoso do Araguaia, Lagoa da Confusão e Dueré. Mais de 1 milhão de hectares de várzea no estado ainda podem ser incorporados à produção; hoje, há 120 mil hectares plantados, de acordo com Fausto.

Pesquisador da Embrapa, Daniel Fragoso é um dos responsáveis pelos trabalhos de desenvolvimento da BRS A702 CL. “Além das características que se requer numa cultivar, como produtividade e qualidade, esse material se diferencia por essas duas características: a precocidade e a tolerância ao Kifix, um herbicida de amplo espectro que controla praticamente todas as plantas daninhas que ocorrem na cultura do arroz.”

Mais características

O novo arroz da Embrapa tem como outras características um potencial produtivo médio de 7.650 kg/ha, alta tolerância ao acamamento e um rendimento de 61% em termos de grãos inteiros. Além do Tocantins, a BRS A702 CL é recomendada para Roraima. É também a primeira cultivar de arroz com a tecnologia Clearfield (sistema de produção desenvolvido pelo grupo Basf) específica para a região tropical brasileira.

Uma vantagem que impacta positivamente no custo final de produção é a redução na quantidade de aplicações de herbicidas. “Dos pontos de vista de custo de produção e de sustentabilidade, você reduz de cinco a duas, no máximo, aplicações”, segundo Daniel, acrescentando que também há racionalização do uso de água para a produção como benefício: “Permite a mudança do sistema de inundação por apenas o solo úmido. Isso permite você ampliar área e usar menos água por área”.

A BRS A702 CL apresenta ciclo precoce, indo em média de 106 a 120 dias. “Cerca de 20 a 25 dias (a menos) comparada às outras cultivares de ciclo médio. Isso permite maior flexibilidade para o produtor em termos dele escalonar o plantio e a colheita”, explica Daniel.

Para Fausto, o mais importante é mostrar que o estado tem potencial de produtividade. “O que nós precisávamos realmente no Tocantins era buscar materiais desenvolvidos para essa nossa região, que até então a gente não tinha.”

Da redação, com Embrapa

 

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